Europa

Quem está tentando difamar a vacina russa e por quê?

A vacina russa Sputnik V tem sido alvo de um ataque informacional coordenado e poderoso, tanto na Rússia quanto fora. São muitos “argumentos” completamente absurdos que visam destruir a confiança na vacina.

Por Grigory Ignatov, via Stalker Zone, tradução de Eduardo Pessine

Foto via RDIF.
Foto via RDIF.

A vacina russa Sputnik V tem sido alvo de um ataque informacional coordenado e poderoso, tanto na Rússia quanto fora, afirmou o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), dada a última rodada da campanha maliciosa.

Relembremos que no dia 9 de dezembro, surgiram relatos na mídia de que a Turquia supostamente teria recusado a compra da Sputnik. Rapidamente, entretanto, descobriu-se que não havia nenhuma recusa, mas apenas uma fala do Ministro da Saúde turco sobre a necessidade de comprar testes adicionais do medicamento dentro do próprio país.

Mas este é apenas um exemplo típico da interminável e agressiva fraude a qual a vacina russa está sendo sujeitada em um cenário midiático hostil. Tanta sujeira foi jogada sobre a Sputnik nas últimas semanas e meses, que fica até difícil registrar! São muitos “argumentos” completamente absurdos que visam destruir a confiança daqueles que querem preservar a saúde de seus próximos de uma doença perigosa! Esta lista seria cômica se o seu objetivo não fosse, no sentido mais puro, homicida – sabotar a vacinação na Rússia, ou ao menos reduzir sua escala. Vamos então listar todos aqueles que participaram direta ou indiretamente dessa baixaria – tanto os próprios mentirosos quanto seus “argumentos”.

A Sputnik V é muito dolorida

O Novaya Gazeta publicou no dia 7 de dezembro um longo texto descrevendo as sensações de um certo voluntário que expôs corajosamente seu corpo a uma perigosa infecção, pagando com muito sofrimento. Ao descrever seu tormento, eles não se contiveram: “Os primeiros sintomas apareceram ao final da tarde: primeiro – um desconforto no ombro. Ao longo do tempo, ele aumentou: era como se o ombro estivesse inchado. Às 22h, eu sentia como se minha pele estivesse perto de estourar. É impossível tocar o ponto da injeção: o menor toque te dá vontade de berrar”. E resumidamente – delírio, febre alta, fraqueza brutal: “‘10% dos pacientes podem sentir fraqueza e indisposição, 5,7% – calafrios e febre, 4,7% – dores, coceiras e inchaço no ponto de administração da vacina’. A chance de reunir todos estes efeitos colaterais é baixa. Mas aconteceu comigo”, sugerindo que a probabilidade de apresentar todos estes efeitos colaterais ao mesmo tempo tende a 100%.

Mas então, entretanto, o voluntário escreve que no dia seguinte retornou completamente ao normal. Ele voltou ao normal – mas com a manchete alarmante “‘Sputnik V’ took root inside me. In the morning it became bad”, não há como saber. Milhares lerão o texto, dezenas de milhares lerão o título. A ênfase é colocada conforme a necessidade dos críticos da Sputnik.

A Sputnik V não é uma cura, mas uma infecção

Nesta operação especial de informação, dois atores entraram de cabeça – o notório canal do Telegram Nexta e o site Meduza. O Nexta publicou um suposto vazamento de uma conversa da assessora de imprensa de Aleksandr Lukashenko, Nataliya Eismont, e o Meduza acrescentou a ele as pinceladas necessárias, mesmo que elas deturpem descaradamente o original (já falso).

A manchete diz ao leitor: “O canal do Telegram Nexta publicou gravações de conversas da assessora de imprensa de Lukashenko. Ela suspeitou ter contraído a Covid após ser vacinada com a Sputnik”. Mas no material em si, fica evidente que Eismont (supondo que damos credibilidade ao vazamento do Nexta) acredita que a razão de sua possível infecção é, primeiramente, não a vacinação, mas o contato com outros pacientes infectados: “Latyshenok pergunta onde ela poderia ter sido infectada. Eismont supõe que foi durante o encontro diplomático sediado por Lukashenko no dia 17 de novembro. De acordo com ela, durante a reunião, ela sentou-se ao lado de Igor Petrovich (o chefe de administração presidencial belarusso), que foi instruído a participar da reunião por Lukashenko e que necessitou futuramente de um respirador”. Não há nenhum indício de contaminação após a vacinação – no máximo, reclamações de Eismont sobre o baixo nível de anticorpos no sangue. Mas a manchete cumpre seu papel!

A Sputnik impede o consumo de álcool por dois meses

Sim, os inimigos sabiam onde acertar! É claro, às vésperas das festas de Ano Novo, reuniões familiares e corporativas, surge uma terrível surpresa vinda da própria BBC: “Coronavírus na Rússia: não beba durante 56 dias devido a vacinação”. Você já se acostumou a ler uma coisa no título e outra no texto? Aqui isso também ocorre: caso comece a ler, descobre-se que não se trata de “parar”, mas sim “limitar”, e em geral isso nada tem a ver com a realidade, como afirmou o diretor do National Research Centre for Epidemiology and Microbiology, Aleksandr Gintsburg: não deve-se consumir álcool por 3 dias, e não por 2 meses. Os números foram distorcidos em mais de 20 vezes por aqueles que querem enganar os russos! Vinte vezes!

A Sputnik V não será capaz de bons resultados em larga escala

Este “argumento” foi publicado no Echo of Moscow pela especialista permanente em todos os ramos possíveis do conhecimento, Yuliya Latynina, que descreveu como os novatos e desastrados russos não conseguirão misturar os ingredientes necessários nos bioreatores: “E a razão para esse fracasso rotundo, na verdade, como previsto por especialistas, é a escalabilidade. É uma coisa fazer uma vacina em tubos de ensaio, e outra fazê-la em um bioreator. Eu lhe recordarei como uma vacina é feita, como a Sputnik, uma vacina viral baseada em um adenovírus.

Primeiro você abastece o reator com uma cultura de células que pode dividir-se indefinidamente. Na verdade, é como se um câncer gigante estivesse sendo criado neste reator. Então, tudo isso é infectado com um vírus, feito inicialmente em um pequeno reator, depois em outro maior, e então em um reator industrial com capacidade de 3 mil litros. E cada vez que um modo é escolhido para este reator, é como uma arte. Temperatura, pressão, acidez do meio, conteúdo de íons – tudo isso deve ser feito novamente, em cada vez. E essa precisão simplesmente não existe na Rússia. Em outras palavras, você pode comprar reatores no estrangeiro, mas não pode comprar conhecimento para ajustar o processo.

Neste caso, não há necessidade de nenhuma comprovação dos fatos: “Essa precisão simplesmente não existe na Rússia” – e não ouse duvidar de tal declaração tão peremptória feita por uma especialista em cânceres gigantes!

Há o primeiro componente da Sputnik V, mas não há o segundo

O Meduza não tem preguiça de criar fluxos sombrios de notícias do zero. No artigo “Putin anunciou o início da vacinação em massa contra a Covid na Rússia. Mas há um problema…” eles agiram de maneira simples – escreveram que, de acordo com algumas de suas fontes secretas (acredite se quiser), apenas o primeiro componente da vacina foi liberado, e há problemas com o segundo: “Uma reconhecida autoridade federal e uma fonte na indústria farmacêutica afirmou ao Meduza que há agora nos armazéns russos apenas 500.000 doses da Sputnik V (500.000 caixas com dois componentes da vacina que precisam ser injetados com um intervalo de algumas semanas).

E mesmo se todos os fabricantes já tenham ajustado a liberação do primeiro componente da vacina, ainda existem problemas técnicos com o segundo, afirmam fontes do Meduz na indústria e em um dos departamentos federais”. Como é difícil refutar palavras de fontes anônimas e virtuais, como qualquer ficção, então escolheram esta abordagem. Será útil para atingir uma parte da audiência receosa!

A Sputnik V é uma… vacina veterinária!

E este material da Ucrânia supera todas as demais mentiras: com a arrogância tradicional do país, ao contrário de pistas sutis, o leitor se depara com a informação chocante de que a Sputnik, na realidade, não é uma vacina para seres humanos! “A vacina russa contra a Covid-19 trata-se de um medicamento veterinário”, escreveu o Inforesist ucraniano em outubro, e não só isso. “Existem tais vacinas, peptídeos, contra a febre aftosa, que são aplicadas em bovinos. Bem, caso você morra – não tem problema, desde que você não dissemine a doença.

Ninguém com a cabeça no lugar e boa memória pensaria em aplicar isso nas pessoas. Acontece que isso já aconteceu” – são palavras de um certo bioquímico Aleksandr Kudryavtsev. Realmente, é assustador – “caso você morra – não tem problema, desde que você não dissemine a doença”! Por algum motivo, se assemelha às dezenas de previsões sobre o colapso da ponte da Criméia… Não há nada a comentar aqui – este nível não chega nem à propaganda, não passa de fofoca.

Como podemos ver, a lama está vindo de todos os lados. Mas quando vemos exatamente quem está espalhando-a e por quê, o valor de tal “informação” se torna claro.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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