Ásia

A China atira na Lua

Mesmo ainda alcançando as conquistas espaciais dos Estados Unidos e da Rússia, a China está ganhando terreno rapidamente como resultado de um ambicioso programa espacial que coincide com as quarelas internas nos EUA.

Por Philip J. Cunningham, via The Asia-Pacific Journal, tradução de Eduardo Pessine

O foguete chinês March-5, que lançou a sonda lunar Chang’e-5 para o satélite terrestre. Foto via Xinhua.

A China está atirando na Lua, estabelecendo-se como uma potência especial a ser reconhecida. Mesmo ainda alcançando as conquistas espaciais dos Estados Unidos e da Rússia, está ganhando terreno rapidamente como resultado de um ambicioso programa espacial que coincide com quarelas internas nos EUA e com limites orçamentários na Rússia, além da falta de vontade política por parte de ambos pioneiros espaciais.

Com a recém-lançada sonda Chang’e-5, presa na órbita lunar desde 28 de novembro, pela primeira vez em quarenta anos é feita uma tentativa para coletar pedras no solo da Lua e trazê-las de volta à Terra para estudo.

O avanço estadunidense no espaço e seu subsequente declínio

O auge da exploração na Lua pelos Estados Unidos e União Soviética nos anos 1960 e 70 coincidiram com uma corrida espacial brutal, que foi na prática uma “guerra por outros meios” para duas superpotências reinantes. Com o marcante lançamento da Sputnik, a URSS teve uma ótima largada, levando o primeiro homem e a primeira mulher ao espaço e conquistando um amplo catálogo de pioneirismos. Energizados pelo desafio de Kennedy para colocar um homem na Lua até o final da década, os Estados Unidos dobraram seus investimentos em educação e ciência, enquanto as gigantes exigências técnicas do programa espacial geraram demanda para chips de silício, miniaturização e outras tecnologias novas.

No dia 20 de julho de 1969, o pequeno passo de um homem foi memoravelmente retratado como um “um salto gigante para a humanidade”, ainda que o nobre sentimento não tenha impedido Armstrong e Aldrin de plantar uma bandeira estadunidense em solo lunar, esticada artificialmente para compensar a ausência completa do vento.

Mas a vitória na corrida lunar em 1969 se provou tão anticlimática quando a “vitória” na Guerra Fria em 1989. Ambos os sucessos alimentaram o excepcionalismo americano e sua húbris nacionalista, que mesmo no topo, não impediram os Estados Unidos de realizarem guerras cruéis e desnecessárias, como a derrota no Vietnã. O mesmo tipo de balística e chips que permitiram as viagens espaciais foram adaptados para mísseis, bombas inteligentes e drones. Uma complacência presunçosa e descuidada estabeleceu-se, enraizada na auto-estima narcisista e no desprezo generalizado por todos seus rivais.

A audaciosa coragem daqueles dias torna-se ainda maior pela precariedade da computação na época: o programa Apollo enviou homens à Lua para coletarem sacos de pedras utilizando sistemas e câmeras menos poderosas que aquelas presentes em smartphones comuns de hoje em dia.

Mas se faltava destreza digital aos programas pioneiros, eles eram notáveis pela coragem e pelos excelentes foguetes. Os grandes foguetes da época, o Saturn e o Proton, desenvolvidos com a ajuda de cientistas ex-nazistas em ambos os lados da divisão americana-soviética, tornaram possível alcançar a Lua.

O poder computacional cresce exponencialmente desde então, mas a balística estadunidense regrediu ao ponto que a NASA não teve capacidade de enviar ou retornar astronautas do espaço durante uma década, desde o fim da Space Shuttle em 2011. Até o advento da Space X Crew Dragon no começo do ano, os astronautas estadunidenses tinham que pegar carona com a Soyuz russa para acessar a estação espacial construída pelos EUA.

As façanhas de astro e cosmonautas geravam narrativas alucinantes e belas fotos para as massas, mas com a avançada tecnologia da computação e robótica de hoje, as missões não-tripuladas são suficientes para a maioria dos propósitos científicos.

Qual o valor científico da exploração espacial?

Durante os anos de inatividade da NASA, uma série de naves espaciais supervisionadas pelo Jet Propulsion Lab dos EUA produziram ciência de primeira linha, não apenas descobrindo atributos únicos de diversos planetas e satélites, mas chegando a nos ajudar a entender processos parecidos na Terra. Espiar os outros planetas é ponderar o presente, passado e o futuro de nosso próprio planeta e universo.

O que causou Marte a perder sua atmosfera e córregos de água líquida? O que era Vênus antes de um efeito estufa produzir uma das mais altas temperaturas do sistema solar? As luas Europa (Júpiter) e Titan (Saturno), uma com um oceano de gelo, outra com uma grossa atmosfera, parecem possuir as condições necessárias para o surgimento da vida como conhecemos.

O que nos leva de volta à Lua, o abandonado e esburacado satélite preso à órbita do planeta Terra. O nascimento do movimento ambiental moderno foi inspirado parcialmente pela visão externa dos astronautas: quão frágil, quão delicado, quão sozinho.

O último homem a andar na Lua, Eugene Cernan, pegou sua bolsa de pedras em 1972, e desde então, ninguém retornou. A missão soviética Luna, uma nave robótica desenhada para transportar algumas gramas de rochas lunares de volta para a Terra, voou pela última vez em 1976.

Ir à Lua para uma caminhada pode parecer algo antigo, mas ainda há muita ciência a se fazer, principalmente no campo da geologia. Estudar as rochas em uma bacia vulcânica da Lua é o objetivo principal da missão chinesa Chang’e-5, apesar do fato de se especular que há urânio abundante por lá encha a modesta missão chinesa com uma áurea de intriga clandestina em meio ao conflito China-EUA nas mais diversas frentes.

A Lua e Marte

Mas do que realmente se trata a sonda lunar chinesa é, apesar de não dito explicitamente, Marte. Se a humanidade pisar um dia no Planeta Vermelho, a competição pelo prestígio nacional será certamente a principal motivação.

A radiação solar mortal, sem nenhuma mitigação atmosférica ou magnética, aponta para que Marte, para além das fantasias de ficção científica, será mais provavelmente um faroleiro, um isolado posto científico, do que um “planeta vazio” adequado à colonização. Em ambos os casos, a longa jornada até Marte requer maestria em manobras modulares que começam com um lançamento da Terra, um pouso em outro corpo celestial, seu retorno ao espaço e uma propulsão segura para retornar ao Planeta Azul.

As missões lunares da China podem ser vistas como treinos para tecnologias miradas em Marte. Além disso, a Lua também fornece um sítio relativamente viável economicamente para um lançamento de missão para Marte, cujas necessidades técnicas são muito altas para qualquer foguete terráqueo, se tratando de viagens humanas diretas.

A série de lançamentos Chang’e à Lua tornaram a China uma potência lunar, conquistando inicialmente a sua órbita em 2007, seguido pelos pousos bem-sucedidos em 2013 e em 2018. Em janeiro de 2019, a Chang’e 4 fez um impressionante pouso no lado escuro da Lua. Essa missão inédita requeria uma coordenação muito próxima com o Queqiao, um satélite de comunicação lunar necessário para manter a sonda, que fica permanentemente fora da visão da terra, em contato com ondas de rádio de seu planeta natal.

A atual missão Chang’e-5, lançada no dia 24 de novembro de 2020, promete cimentar a China como uma grande potência especial caso suceda em sua tarefa de coleta de rochas.

O interesse histórico da China na exploração espacial

A China pode ser um membro atrasado na corrida espacial, dominada há tempos pelos Estados Unidos e Rússia, mas não por falta de imaginação. A lenda literária Lu Xun traduziu “Da Terra à Lua” de Jules Verne às vésperas do século XX, mergulhou na ficção científica com seu próprio “Yuejie luxing bianyan”, ou “Jornada à Lua”, esperando promover o interesse na ciência. Décadas antes da China se aventurar no espaço, o escritor Mao Dun creditou a tradicional lenda da deusa lunar Chang’e (a quem faz referência o nome da última série de naves espaciais) como um poderoso arquétipo nativo para exploração lunar.

O satélite Queqiao faz referência à “Ponte Magpie” na lenda chinesa do vaqueiro e a tecelã, que é celebrada no 7º dia do 7º mês lunar, enquanto o Yutu, ou a sonda do “coelho lunar”, refere-se ao companheiro fiel de Chang’e.

Quando o Sputnik, o primeiro satélite artificial foi lançado, Mao Zedong palpitou que satélites chineses viriam logo em seguida. Ele reuniu-se com Khruschev para saudar o voo da Sputnik II, que foi lançado durante sua visita a Moscou em 1957, carregando a cadela Laika, em uma viagem infelizmente sem volta.

Mao e Khruschev em Moscou, em julho de 1958.
Mao e Khruschev em Moscou, em julho de 1958.

Sujeita a sérias disrupções devido ao estopim da Revolução Cultural, a China não lançaria seu próprio satélite, o Dongfanghong 1, até 1970. Em seguida, transmitiu a famosa música “O leste é vermelho” ao retornar à Terra, mas pouco ocorreu depois devido às contínuas distrações políticas e restrições econômicas.

Mas em maio de 1971, logo antes de Lin Biao, braço direito de Mao, sofrer um acidente de avião na Mongólia, o presidente chinês revelou durante uma visita ao líder romeno Nicolae Ceaușescu que a China não tinham nem capacidade ou interesse de ir à Lua.

O premiê Zhou Enlai teria supostamente acrescentado, “ela não possui nem ar ou água… Os problemas na Terra não foram resolvidos e querem subir à Lua, é ridículo”.

Zhou fez uma constatação válida a respeito das condições na Terra, mas pode haver um toque de desdém sobre o programa espacial estadunidense, dado que ocorria ali o auge das missões Apollo, incrivelmente bem-sucedidas.

Avancemos 50 anos à frente e a China, graças a uma economia efervescente e um grande investimento na ciência, tornou-se uma competidora tecnológica e espacial. Caso tudo dê certo, a sonda lunar Chang’e-5 irá recolher exemplares de rochas lunares e retornar alguns quilos de tesouro geológico à Terra ao final de dezembro.

Chang’e, o programa lunar da China

A nave de 8.000 quilos, lançada com sucesso pelo foguete Long March 5 na ilha de Hainan no dia 25 de novembro, é dividida em quatro seções. Ela inclui um módulo de serviço e uma cápsula “retornadora” projetada para re-adentrar a terra junto com um pousador e um propulsor lunar. O último par de unidades irá pousar na Lua, enquanto o outro irá permanecer em órbita até o momento de voltar à Terra.

Depois do pousador realizar medições e coletar amostras do solo lunar, a seção propulsora irá ser lançada de volta à órbita, utilizado a base do pousador como plataforma, ecoando o desenho modular da nave Apollo. A cápsula “retornadora” é desenhada para catapultar através da atmosfera terrestre, utilizando um “salto de reentrada” para desacelerar-se para um pouso de paraquedas na Mongólia Interior.

É uma missão complicada que requer um lançamento difícil da Lua, um acoplamento em órbita, uma transferência automática de materiais do propulsor à cápsula de retorno e um retorno à Terra de alta velocidade. Um único erro em qualquer parte da complexa cadeia de tarefas pode pôr tudo a perder. Viagens espaciais continuam sendo empreitadas de alto-risco. Na verdade, a Chang’e-5 teve um atraso de 3 anos em sua missão devido a uma explosão em julho de 2017 de um foguete Long March, resultante de uma falha no impulsionador de primeiro estágio.

A sonda Chang’e-5 mira pousar em uma planície vulcânica na Lua conhecida como Oceanus Procellarum. A Apollo 12 da NASA e outras naves pousaram na mesma região há meio século atrás, mas esta missão focará em uma formação vulcânica específica, conhecida como Mons Rumker. Ela pousou com sucesso no dia 1º de dezembro.

O objetivo da sonda é perfurar, cavar e analisar uma rocha lunar relativamente intocada (com um pouco mais de 1 bilhão de anos), diferentemente das amostras da missão Apollo, que foram datadas em 3 a 4 bilhões de anos. Essa tarefa aparentemente arcaica irá ajudar geólogos a estabelecerem referências para datação de rochas antigas também na Terra, onde a erosão pelo vento e água já alterou a superfície irreparavelmente.

Pousos na Lua: a missão chinesa Chang’e-5 é a primeira a coletar material lunar desde as missões estadunidenses e soviéticas nos anos 1960 e 70. Pisará na parte norte de Oceanus Procellarum, uma vasta planície vulcânica. (Missões estadunidenses em laranja, soviéticas em azul).
Pousos na Lua: a missão chinesa Chang’e-5 é a primeira a coletar material lunar desde as missões estadunidenses e soviéticas nos anos 1960 e 70. Pisará na parte norte de Oceanus Procellarum, uma vasta planície vulcânica. (Missões estadunidenses em laranja, soviéticas em azul).

A missão Chang’e-5 será breve, durante apenas um dia na Lua, o que equivale a duas semanas terrestres. Ela irá estudar seu local de pouso com um radar penetrante ao solo, câmeras panorâmicas e um espectrômetro.

Assim que o sol se pôr abaixo do horizonte de Oceanus Procellarum, segue-se uma noite brutalmente fria, com temperaturas chegando à -232ºC. Chang’e, coberta de folhas refletoras, é desenhada para aguentar as temperaturas escaldantes de 120ºC dos dias lunares, mas dependendo da energia solar, ela não é equipada para lidar com o congelamento subsequente. Durante o programa Apollo, as visitas tripuladas foram feitas próximo ao pôr do sol, quando as sombras eram compridas, a superfície estava em alto-contraste e as temperaturas em transição, de muito quentes à muito frias.

Caso a Chang’e se prove um sucesso, um modelo praticamente idêntico, Chang’e-6, irá tentar pousar próximo ao pólo sul da Lua. A região polar da Lua, com suas sombras oblíquas e luz solar angulada, contém crateras pantanosas que provavelmente possuem água em estado sólido. Em qualquer outro lugar da Lua, a radiação brutal da luz solar causa a sublimação instantânea da água e gelo para o vácuo atmosférico, impedindo qualquer acumulação.

A sombria região polar é considerada apta para uma possível base lunar, devido à provável presença de água, que é muito pesada para ser transportada da Terra, mas é vital para a sobrevivência. A água pode ser usada para produzir comida, combustível e oxigênio, e uma camada de gelo, caso disponível em abundância, oferece um abrigo natural contra os raios solares.

Competição ou cooperação entre super-potências no espaço?

A entrada da China em um terreno dominado há tempos pelos EUA e Rússia está revigorando a moribunda competição pela viagem à Lua. Também está levantando a questão importante sobre se é melhor trabalhar em conjunto ou fazê-lo sozinho. Políticos estadunidenses protecionistas, receosos de espionagem, baniram a China da Estação Espacial em 2011. A Wolf Amendment, também conhecida como China Exclusion Policy, foi proposta pelo Senador Republicano Frank Wolf, e foi aprovada, apesar das objeções da NASA e dos pesquisadores. A emenda mira especificamente a China; suas proibições ao compartilhamento de ciência espacial não se estendem à Rússia, Japão ou qualquer outra nação.

Sendo excluída, a China colocou em prática os planos de construir sua própria estação espacial, a Tiangong (“Palácio Celestial”), que poderá ser a única estação viável orbitando a Terra quando a velha estação do International Space Science Institute (ISSI) se aposentar em algum momento dos próximos anos.

O ISSI em Pequim compartilhou uma foto comemorativa de uma Coca-Cola, americana de origem, celebrando a missão Chang’e-5. Mas serão os americanos bem-vindos a bordo da Tiangong, e permitidos a compartilhar os frutos dessa missão histórica?

De acordo com o Russia Today, os EUA estão pressionando a China para que permita que “a comunidade científica global” tenha acesso a quaisquer rochas e descobertas científicas obtidas. Mas isso é apenas o Russia Today cutucando gentilmente os EUA por sua arrogância excepcionalista.

A mesma mal-intencionada Wolf Amendment de 2011 que nega o acesso da China à estação espacial, ironicamente nega o acesso dos EUA às rochas lunares e descobertas científicas da atual missão chinesa.

Enquanto Newton afirmou que a ciência necessariamente envolve “emprestar”, isto é, subir em ombros de gigantes, e cada nação em desenvolvimento e tecnologicamente avançada têm feito seus “empréstimos” ou até roubos para chegar onde está, parece que a atitude dos Estados Unidos hoje é “construir um muro” para separar a ciência e tecnologia de seus rivais, como fizeram ao banir a Huawei e combater os padrões chineses de 5G. Na visão preconceituosa do establishment de segurança dos EUA, a única coisa pior que uma China “retrógrada” copiando tecnologia estadunidense é uma China competente e avançada, superando-os na ciência, como ilustra o caso da Huawei.

Certamente, argumentos vigorosos podem ser feitos em favor ou contra medidas para limitar o “roubo” de tecnologias registradas, mas os infelizes resultados do banimento da cooperação com a China, e apenas ela, por parte do Congresso americano, estão apenas começando a aparecer.

E como uma justificativa para a atuação hostil, o establishment de segurança dos EUA está de olho no programa Chang’e. O general da Força Espacial, John Raymond, vê os sucessos espaciais da China como uma ameaça à hegemonia estadunidense. A mesma ciência que lança Chang’e à órbita também pode lançar mísseis, e o mesmo tipo de precisão e controle da tecnologia de satélites utilizados na missão podem, teoricamente, ser usado para desativar satélites americanos e sabotar sua comunicação, e até mesmo, a totalidade do sistema de GPS.

Um veterano da Força Aérea americana, Raymond foi destacado em ambas as guerras do Iraque e Afeganistão, e ilustra esse risco com hipocrisia, fustigando a China pela “derrubada cinética” (colisão deliberada) de um de seus satélites meteorológicos, apesar dos EUA terem experimentado com sua própria tecnologia anti-satélites desde os anos 1960. Ambos os países têm tecnologias de interceptação que possuem possíveis aplicações militares, ainda que também possam ser usadas para retirar e destruir aparelhos com defeito da órbita.

No dia 21 de fevereiro de 2008, o presidente George W. Bush autorizou a derrubada de um satélite estadunidense com um ataque de míssil lançado de uma plataforma do USS Lake Erie. Um belo show da proeza técnica dos Estados Unidos, a derrubada “militarística” do satélite espião USA 193 foi taxado pelas notas de imprensa como uma “limpeza” amigável ao meio ambiente. Seria supostamente para reduzir o risco de combustível tóxico e detritos espaciais retornarem à Terra, mas acabou criando uma nuvem de detritos que levou a atrasos na decolagem de diversas naves. O exercício recebeu o repúdio dos observadores de defesa russos, não-surpresos com a desculpa apresentada.

O general Raymond conclui que o espaço “é fundamental para todos os nossos instrumentos de poder” e alerta que Rússia e China irão cooperar contra os interesses americanos. Há mais do que uma mera profecia auto-realizável no seu prognóstico. Graças à Wolf Amendment e outras restrições, o programa da China, por necessidade, aproximou-se dos protótipos russos. A cápsula Shenzhou, por exemplo, é projetada a partir de uma robusta e confiável nave Soyuz.

Por outro lado, a história mostra que a cooperação sino-russa não é garantida. Logo após Mao encontrar-se com Kruschev em Moscou, com expressões bilaterais de solidariedade, as relações diplomáticas entre as duas potências despencaram, e não foi até o fim da era Gorbachev que a cooperação voltou aos trilhos. Enquanto isso, os EUA e a Rússia têm cooperado não só no campo da ciência espacial e compartilhado o uso da Estação Espacial, mas também no desarmamento nuclear.

O orgulho isolacionista e a intransigência norte-americana na era do America First tem certamente cumprido um papel em aproximar Moscou e Pequim. Da mesma forma, a hostilidade contra “tudo da China” ameaça não só o comércio e a cooperação diplomática, mas a própria cooperação científica em questões vitais como o clima e a Covid-19. A cooperação educacional também está desmoronando, com severas restrições ao acesso à educação superior estadunidense por chineses. A hostilidade, coberta de paranóia e políticos abertamente racistas, ameaça desencorajar algumas das mentes mais brilhantes da China a estudarem ou trabalharem nos EUA. Isso também impacta os asiático-americanos, como resultado da hostilidade contra a China e seu uso como bode-expiatório.

É realmente interesse aos EUA “punir” a China, se isso resulta em uma aproximação cada vez maior com a Rússia?

Caso a Chang’e-5 se prove um sucesso, sua sucessora poderá alcançar o pólo-sul da Lua, completando um grande passo em direção à construção de uma base lunar e a uma missão tripulada a Marte.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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