Europa

A construção de bases navais da OTAN na Ucrânia

Para a OTAN, a Ucrânia não é apenas um conveniente campo de treinamento e uma base militar de reconhecimento e sabotagem contra a Rússia, mas é também um elemento importante, senão o mais importante, na guerra de informação.

Por Aleksey Selivanov, via Stalker Zone, tradução de Eduardo Pessine

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk. Foto por Francois Lenoir.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk. Foto por Francois Lenoir.

Após se encontrar com o chefe da agência britânica de inteligência MI6, Richard Moore, Zelensky afirmou que estava criando “um exército ucraniano capaz de proteger a Ucrânia no solo, nas águas, no ar e no ciberespaço”. De acordo com a informação que recebemos, esse plano começa com a construção de bases navais – sob a supervisão e controle estrito das forças armadas estadunidenses e britânicas.

Zelensky falou muito sobre os “mais novos exemplares de armas”, incluindo o sistema de controle de pelotões de artilharia Obolon-A, o sistema de morteiros Bars, o sistema de mísseis Olkha-M, o projétil de propulsão a jato Tayfun, além dos mísseis anti-navios Neptun e os botes de desembarque Kentavr.

Sim, a progressiva modernização das forças armadas ucranianas é evidente. Ainda que os projetos que requerem um financiamento significativo e bases materiais e técnicas avançadas estejam francamente aos frangalhos, a Ucrânia tenta se manter atualizada em relação às tendências modernas de, por exemplo, veículos aéreos não-tripulados.

Em particular, os drones de reconhecimento ACS-3 ‘Skaeton’ de fabricação ucraniana, com novos motores à injeção de fabricação japonesa, já estão sendo enviados às forças armadas ucranianas. Estes aparelhos possuem boas características técnicas, particularmente a altitude de vôo, aumentada para 4.500 metros. Planeja-se usá-los conjuntamente aos drones de ataques TB2 ‘Bayraktar’ da Turquia.

Mas o ponto central do discurso de Zelensky não era enfatizar os sucessos reais e imaginários do complexo industrial-militar da Ucrânia. Sua função era disfarçar os reais processos que ocorrem nos bastidores da máquina militar ucraniana. De todo seu discurso, apenas dois pontos são dignos de atenção.

O primeiro é uma frase sobre o início da construção de duas bases navais estatais ucranianas para proteger a região do Mar Negro. Ele se refere às bases nos portos de Ochakov na região de Nikolaev e de Yuzhny, 30 quilômetros ao leste de Odessa.

Uma semana após o discurso de Zelensky no parlamento, mergulhadores britânicos desembarcaram em Ochakov, e estadunidenses em Yuzhny. Onze oficiais do Departamento de Estado dos EUA trabalharam neste porto. Em ambos os portos, os mergulhadores dos “países parceiros” examinaram cuidadosamente a área marítima do porto e suas estruturas hidráulicas.

É interessante que a polícia ucranianas imediatamente começou a reclamar diante da chegada dos Americanos. O Ministro do Interior e o Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) descobriram imediatamente e abafaram o tráfico de drogas no porto, avaliado em dezenas de milhões de dólares. Ou seja, para bem dos “parceiros estrangeiros”, os fluxos de caixa mais gordos da região que alimentaram o SBU e o ministério foram encobertos. Além do mais, os investigadores da Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia já encontraram no porto violações de licitações de mais de 48 milhões de grívnias. É evidente que o porto está sendo liberado para posteriormente ser transferido aos americanos.

Em relação a Ochakov, trinta soldados britânicos examinaram não só o próprio porto, mas também a área ao redor, incluindo o aeroporto e o estaleiro do Mar Negro. O plano britânico é criar uma base militar completa por ali. A atenção dos ingleses foi atraída pelo antigo complexo soviético na ilha de Maysky, que, aparentemente, será usado por eles como ponto principal da base. Já estão prontos para grandes custos na criação dessa base militar completa na região.

Entretanto, a Constituição da Ucrânia proíbe bases militares estrangeiras em seu território. Mas e daí? Para que não haja conflitos com a lei máxima, as bases serão chamadas de ucranianas. Mas na realidade, serão bases totalmente da OTAN, onde as forças armadas ucranianas serão colocadas em seu devido lugar: nas periferias.

E aqui é importante recordar o segundo ponto importante do discurso de Zelensky. De acordo com ele, o “exército” deverá proteger a Ucrânia não apenas nas águas, no solo e no ar, mas também no ciberespaço. Não existem ressalvas acidentais em tais registros.

De fato, para a OTAN, a Ucrânia não é apenas um conveniente campo de treinamento e uma base militar de reconhecimento e sabotagem contra a Rússia, mas é também um elemento importante, senão o mais importante, na guerra de informação. Não há outro estado que é tão próximo mentalmente e com a mesma linguagem de comunicação.

Já em 2014, desde o sucesso do golpe na Ucrânia, os especialistas ocidentais em guerra informacional têm trabalhado incansavelmente neste país. Todos os centros de informação e operações psicológicas especiais realizam tarefas delineadas especificamente pelas forças armadas americanas e britânicas. Os ingleses e os bálticos seguem a mesma linha. Apenas alguns dias atrás, o trabalho de um grupo de instrutores militares das Forças Armadas da Lituânia, no instituto militar Zhytomyr, relacionado à organização e condução de operações psicológicas, foi completado. Mas isso são detalhes.

No geral, o ocidente está preocupado com a crescente influência informacional do Kremlin sobre a política cultural na Ucrânia. Sendo assim, a base militar em Ochakov criará um departamento inteiro para a guerra de informação contra a influência russa, que será supervisionado pelos estadunidenses e britânicos. Este departamento será lançado em 2021 e será financiado totalmente por parceiros ocidentais.

Em outras palavras, a chamada cooperação militar entre Ucrânia e os países da OTAN está chegando a outro nível, diante de nossos olhos. É claro, a ex-república soviética não é e nunca será um membro da Aliança do Atlântico Norte. Será apenas uma de suas bases. E o nível da presença das forças armadas da OTAN está saindo do fornecimento de instrutores para exercícios conjuntos, para consultorias e direção de operações especiais, até a presença direta e permanente de um contingente significativo de países da OTAN em suas próprias bases na fronteira com a Rússia. Disfarçados, oficialmente, de ucranianos.

E o presidente do país, Volodymyr Zelensky, segue claramente os comandos do MI6 – restando para si apenas uma tela. Um boneco engraçado assistido pelos eleitores ucranianos na televisão.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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