Brasil

Leonel Brizola: o brasileiro que não se vendeu ao império

Leonel Brizola, sob a análise de Gilberto Felizberto Vasconcellos, pode ser colocado, como vulto histórico, junto a um Fidel, a um Allende e a um Vargas, pois foram as vítimas da ação do imperialismo, que determina "nada para os outros".

Por Sylvio Massa de Campos, via AEPET

Leonel Brizola em 1961.
Leonel Brizola em 1961.

Em meados de 2020, um movimento antifascista percorreu o mundo. A derrubada de monumentos públicos, o cancelamento das homenagens às personalidades que tinham, de qualquer modo, participado da exploração do homem, da escravidão, da colonização, do fascismo. A longa lista inclui do Rei Leopoldo II da Bélgica até Manuel Borba Gato de São Paulo, mercador de indígenas e escravos. No Rio de Janeiro, em gesto contrário, fascista, o atual presidente da Petrobrás Roberto Castelo Branco arranca o nome de Leonel Brizola da Termelétrica Duque de Caxias.

A atitude mesquinha, própria dos indivíduos medíocres, ofendeu a nossa memória, nós que escolhemos Leonel Brizola como exemplo de homem público que lutou, em todos os sentidos, por um país independente e digno, para o seu povo. Ao mesmo tempo, vem a público, por feliz e oportuna iniciativa do IELA coordenada pela jornalista Elaine Tavares da UFSC, o livro “Brizola, a História e o Historiador” do consagrado estudioso – Gilberto Felizberto Vasconcellos –(2) de personalidades brasileiras que possuem o saber científico, a visão política, coragem cívica e dignidade de não negociarem a sua honra que, assim, permita a construção de uma nação não submissa ao imperialismo.

Destaco apenas algumas das personalidades estudadas: Darcy Ribeiro, Glauber Rocha, Bauptista Vidal, Gilberto Freire, Luiz da Câmara Cascudo, Getúlio, João Goulart, Brizola, Oswald de Andrade.

Agora, essa sua nova obra revela a dimensão de um homem público que lutou destemidamente pela democracia e pela justiça social contra os oligarcas que controlam os principais estamentos da sociedade, levando-a à submissão de seu povo e à aceitação do novo colonialismo, o qual agrava ainda mais o subdesenvolvimento, categoria resultante do processo capitalista de produção, permanecendo o país como exportador do valor da mais-valia do trabalho do povo brasileiro.

Noam Chomsky em seu livro “Quem manda no mundo” destaca a reflexão de Adam Smith sobre “os mestres da humanidade”, aqueles que controlam os nossos destinos e que seguem a máxima: “tudo para nós e nada para os outros”, lema que rege as relações entre os países centrais e os da periferia. Completa sua inquestionável visão política sobre as forças que controlam o mundo: “Duas super potências ainda existem no planeta”: os USA e a opinião pública.”

É a partir dessa premissa que o texto do Gilberto Felizberto Vasconcellos sobre Leonel Brizola ganha volume acusatório àqueles que negociaram nossa soberania, sob as mais variadas legendas e sutis formas de envolver a opinião pública. Ao mesmo tempo resgata pensadores pátrios que são jogados na amnésia da História. Emoldura Leonel Brizola, que nunca pode entrar em São Paulo porque a porta da Fiesp não dá acesso a nacionalistas.

Essa mesma porta protetora das multinacionais, que exercem a ditadura econômica no país, conduz parte da burguesia ao confessionário da traição às causas nacionais:

• José Serra ao lado de Jango, no comício da Central e depois nas salas da Chevron, orientando como desmontar a Petrobrás;

• Aloisio Nunes de motorista do líder revolucionário Marighella a motorista de FHC, esse FHC que consagrou a dependência econômica do nosso país ao centro hegemônico como fatalidade histórica;

• Haroldo Lima, do PC do B e os controversos leilões de petróleo;

• O PT de Lula e Dilma que atuaram aceitando a revolta dos miseráveis e negando a necessidade de uma ação revolucionária, democrática e resgatadora da nossa soberania varguista.

O autor aprofunda esse último tópico oferecendo esclarecimento definitivo sobre as manhas e aparências dos jogadores do poder.

É aí que surge a verdadeira dimensão histórica de Leonel Brizola, de acordo com Gilberto Felizberto Vasconcellos: nacionalizou a Bond and Share, porque o Rio Grande do Sul precisava industrializar-se; nacionalizou a ITT, em defesa dos interesses, sendo que esta multinacional, tempos depois iria derrubar Salvador Allende; como governador criou as escolas em tempo integral e as primeiras escolas técnicas do estado; foi o líder civil da “Campanha da Legalidade”, com o apoio das tropas dos generais Machado Lopes e Ladário Teles em defesa da Constituição para manter o Presidente João Goulart nas suas funções.

Leonel Brizola, sob a análise de Gilberto Felizberto Vasconcellos, pode ser colocado, como vulto histórico, junto a um Fidel, a um Allende e a um Vargas, pois foram as vítimas da ação do imperialismo, que determina “nada para os outros”.

O autor não resgata apenas Leonel Brizola do opróbrio da História.

Traz à luz a magistral obra de Paulo Shelling, de Ruy Mauro Marini, de Gunder Frank, de Álvaro Vieira Pinto, de Franklin de Oliveira, de Edmundo Muniz , do argentino Aberlardo Ramos e do uruguaio Vivian Trias, que apresentam análises históricas calcadas na realidade, que vão fundamentar as teorias alimentadoras da esperada ação popular .
São contrárias aos falsos arranjos de acomodação social, um pouco para os proscritos e tudo para os rentistas, como assim vem sendo cantado e prosado, com cinismo ao longo dos tempos.

Esse novo livro de Gilberto Felizberto Vasconcellos ganha destaque entre os estudos sobre os grandes vultos da nossa História e faz justiça a um homem que não se entregou aos tentáculos do polvo do Imperialismo.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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