EUA

Como Trump ainda pode vencer

Mesmo com a mídia mainstream declarando a vitória incontestável de Biden, Trump ainda poderá manter a tensão e abocanhar um segundo mandato manipulando o processo do colégio eleitoral.

Via Moon of Alabama, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

Imagem por Trent Joaquin.

Neste momento, parece provável que Trump perderá a disputa pelo resultado das eleições. Até agora ele não mostrou nenhuma evidência de que uma fraude significativa aconteceu. Enquanto sempre haverá votos duvidosos, os números não são grandes o suficiente para explicar a presumida vitória de Biden. As cortes penderão, dessa maneira, a rejeitar as alegações atuais de Trump.

A mídia, incluindo o estábulo de órgãos direitistas e gigantes das redes sociais de Murdoch, declararam firmemente uma vitória de Biden e não são, portanto, de nenhuma ajuda a Trump.

Mas o Partido Republicano e Trump tentarão manter a tensão, a incerteza e a dúvida vivas, ao menos até o dia 5 de janeiro, quando dois segundos-turnos para o Senado serão decididos na Geórgia.

Ainda que os incumbentes republicanos estejam liderando a corrida, os democratas colocarão muitos recursos no estado para conquistar estes mandatos. Eles dariam ao governo Harris/Biden a maioria no Senado.

Também é possível que Trump tente continuar no cargo manipulando o processo do colégio eleitoral.

Ainda existem alguns outros passos e prazos no complexo processo eleitoral para a presidência.

• 8 de dezembro – os Estados determinam seus eleitores para o colégio eleitoral.

• 14 de dezembro – os eleitores se reúnem em seus Estados para votar para o novo presidente e vice-presidente.

• 23 de dezembro – certificados dos resultados dos votos do colégio eleitoral são enviados ao presidente do Senado, que é o vice-presidente Mike Pence.

• 3 de janeiro – os membros do Congresso são juramentados.

• 6 de janeiro – o Congresso se reúne para contar os votos eleitorais e declarar os resultados.

Trump poderia, mesmo sem conseguir os votos necessários, (ab)usar do processo do colégio eleitoral para deslocar o resultado para si. Ele pode tentar bloquear ou atrasar certificações em certos estados e/ou pressionar parlamentares estaduais republicanos a elegerem eleitores de Trump.

Há um precedente para isso, das eleições de 1876:

Tanto naquela época quanto agora, cada estado deve escolher um grupo de eleitores para se reunir em uma sessão conjunta do Congresso no dia 6 de janeiro, onde o vencedor da eleição presidencial é declarado. A prática normal em um estado onde Biden venceu o voto popular é que as autoridades eleitorais estaduais certifiquem os resultados e enviem um quadro de eleitores ao Congresso. Mas as legislaturas estaduais têm a autoridade constitucional para concluir que o voto popular foi corrompido e enviar um quadro competente de eleitores em nome de seu estado.

A 12ª Emenda da Constituição especifica que ‘o Presidente do Senado deve, na presença dos representantes do Senado e da Câmara, abrir todos os certificados e os votos deverão ser então contados’. Isso significa que no caso de conflitos entre quadros eleitorais, o presidente do Senado – o vice-presidente Pence – aparentemente teria a autoridade máxima para decidir quais aceitar e quais rejeitar. Pence escolheria Trump. Os democratas apelariam à Suprema Corte.

Alternativamente, se em qualquer momento, nenhum candidato ter atingido os 270 votos do colégio eleitoral, a 12º Emenda estipula, ‘a Câmara deverá escolher, imediatamente, por cédula, o presidente. Mas na escolha do presidente, os votos deverão ser tomados por Estados, tendo um voto a representação de cada Estado’. Atualmente, os Republicanos possuem a maioria das delegações estaduais, com 26 dos 50 estados, e é quase certo que manterão essa maioria no novo Congresso. O voto dos estados elegeria Trump para um segundo mandato. E novamente, os democratas apelariam para a Suprema Corte.

Em ambos os casos a Suprema Corte, com 6 de seus 9 juízes nomeados pelos republicanos, provavelmente tomaria uma decisão favorável a Trump.

Existem algumas variações de tal manobra:

Caso uma ação legal consiga cessar a certificação de resultados em um Estado, os parlamentares poderiam, em um limbo jurídico, escolher um quadro de eleitores pró-Trump.

• O advogado, que exigiu anonimato para falar sobre o cenário, afirmou que a equipe de Trump parece tentar agora obstruir suficientemente a contagem de cédulas tardias de forma a argumentar que resultados precisos não podem ser apurados.

• O próximo passo seria tentar que as cortes federais ou estaduais impeçam os secretários estaduais de certificar resultados.

• Qualquer ação de fornecer um quadro alternativo de eleitores poderia forçar o primeiro teste real do Electoral Count Act de 1887, e poderia acabar nas mãos da Suprema Corte.

• Dentre os ‘swing states’ centrais, Arizona e Geórgia possuem governadores e legislaturas republicanas. Michigan, Pensilvânia e Wisconsin possuem governadores democratas, porém legislaturas republicanas.

Os democratas estão certamente cientes de tal possibilidade. Eles, portanto, enfatizam a certeza de uma vitória de Biden, ainda que o processo eleitoral esteja longe de ser decidido.

Mas nunca se deve descartar Trump. Apesar de quatro anos das baboseiras do Russiagate jogadas contra ele, ele conseguiu se manter no cargo e avançar com boa parte de seu programa. Ele também é o primeiro presidente dos últimos 100 anos que resistiu à intensa pressão para iniciar uma nova guerra. Portanto, é improvável que ele ceda e assuma que perdeu a corrida.

Há apenas uma pessoa que pode impedir Trump de ser bem-sucedido na estratégia ‘suja’ do colégio eleitoral. Esta pessoa é ele próprio. Nos últimos quatro anos ele falhou em selecionar assessores competentes. Ele precisará agora dos melhores estrategistas e advogados que existem. Jared Kushner e Rudi Giuliani não servirão. Trump também precisará de apoio total de seu partido para pressionar os parlamentares estaduais, e terá que fazer concessões para conseguir o suporte necessário.

Enquanto isso todos nós, como espectadores, teremos que ampliar nossos estoques de pipoca, para que durem nos próximos dois meses.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: