EUA

O retorno dos Democratas e o passado adormecido

Caso o ex-vice-presidente Joe Biden vença as eleições nacionais dos EUA no dia 3 de novembro, todas as maldições dos últimos 20 anos americanos irão renovar-se para ameaçar todo o futuro do país.

Por Martin Sieff, via Strategic Culture Foundation, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

Joe Biden, Barack Obama e Hillary Clinton, o trio de criminosos de guerra que ameaça retornar ao centro do poder imperial. Foto por Saul Loeb.
Joe Biden, Barack Obama e Hillary Clinton, o trio de criminosos de guerra que ameaça retornar ao centro do poder imperial. Foto por Saul Loeb.

As partidárias teorias da conspiração anti-Rússia dos parlamentares Democratas, somadas às desprezíveis ‘aventuras comerciais’ de Hunter Biden na Ucrânia, criaram uma mistura excepcionalmente perigosa para para demonização e ameaças contra a Rússia caso o ex-vice-presidente Joe Biden vença as eleições nacionais dos EUA no dia 3 de novembro. Todas as maldições dos últimos 20 anos americanos irão renovar-se para ameaçar todo o futuro do país.

Caso Joe Biden vença a eleição, enfrentaremos uma situação inédita nas relações interna e externa estadunidenses desde o início da Era Atômica em 1945-49.

O problema é muito mais profundo e perigoso do que qualquer problema pessoal com Biden ou seu filho de quinta categoria (os negócios de Hunter Biden tanto na Ucrânia quanto na China clamam por sérias e honestas investigações parlamentares, em prol de relações sãs dos EUA com a China e a Ucrânia – bem como com a Rússia.)

O verdadeiro problema é que, por oito anos, o governo Obama, do qual Joe Biden foi o braço direito, mergulhou em uma espiral maluca em direção ao confronto cego com a Rússia, além de institucionalizar uma impiedosa e perversa política de derrubada de governos ao redor do mundo, em desrespeito frontal às leis internacionais.

A verdadeira arquiteta destas políticas não foi Obama ou Biden, mas sua primeira Secretária de Estado, Hillary Clinton. Foi ela que ordenou a CIA a coletar amostras de DNA de líderes latinoamericanos, dentre os quais 7 contraíram câncer, alguns excepcionalmente raros e virulentos, incluindo dois presidentes brasileiros eleitos democraticamente e o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que morreu devido à doença.

Clinton também soltou os cachorros do caos e da guerra em todo o Oriente Médio, ao aprovar a sabotagem e derrubada do governo líbio e a desestabilização do governo da Síria. Isso foi o estopim de uma feroz guerra civil, a maior catástrofe já vista na região desde o ataque iraquiano contra o Irã nos anos 1980, apoiado também na época pelo ignorante e incompetente presidente Jimmy Carter.

Carter, assim como Obama, era profundamente ignorante sobre questões internacionais. Ambos os presidentes se deixaram levar pela região por Zbigniew Brzezinski, que serviu como conselheiro de segurança nacional de Carter. A ânsia de Brzezinski em abraçar e apoiar os piores grupos genocidas e extremistas islâmicos foi superada apenas por seu permanente e inabalável ódio pela Rússia e seu povo.

Clinton foi sucedida como Secretária de Estado no segundo mandato de Obama, em janeiro de 2013, por uma figura muito mais responsável, experiente e contida, o senador John Kerry. Kerry trabalhou duro e bem com o chanceler russo, Sergei Lavrov, para prevenir que as políticas implacáveis da administração anterior destruíssem totalmente a comunicação construtiva entre Washington e Moscou.

Mas Kerry não controlava nem mesmo seu Departamento de Estado. Ele se provou incapaz de segurar as rédeas dos falcões neoconservadores e neoliberais, com os quais Clinton havia semeado o Departamento de Estado liderado por Victoria Nuland, a Secretária-Assistente de Estado para Questões Europeias e Eurasianas. Eles uniram forças com belicistas malucos da direita, como o falecido senador John McCain (agora santificado, mas que protagonizou lendários surtos raivosos na sua época em Capitol Hill).

Juntamente com conspiradores ambiciosos na Comissão Europeia de Bruxelas, eles manipularam a derrubada do governo estável e democraticamente eleito da Ucrânia em 2014, com o violento golpe do Maidan em Kiev. McCain e Nuland exortaram abertamente os rebeldes violentos para que derrubassem seu próprio governo democrático e pacífico até então.

O Kremlin agiu – de fato com cautela e sobriedade – para proteger os desejos democraticamente expressos da população da Criméia de reingressar à Rússia, e das maiorias etnicamente russas das províncias orientais da Ucrânia. Mas o governo Obama uniu forças com os movimentos abertamente neonazistas que haviam tomado o controle de Kiev.

Nos seis anos seguintes até o presente, as sucessivas legislaturas estadunidenses aprovaram enormes somas de auxílio financeiro e de sistemas sofisticados de armas para serem enviados à Ucrânia, com o objetivo expresso de assassinar soldados russos e forças apoiadas pela Rússia. Não é de admirar que acusações inversas completamente falsas e não-documentadas sejam feitas contra a Rússia pelos mesmos indivíduos que apoiaram a violência e agressão por tanto tempo na Ucrânia.

O presidente Donald Trump, para seu crédito, concorreu às eleições de 2016 com uma plataforma de redução de tensões com a Rússia e de restauração de um estado de coexistência estável com a outra principal potência termonuclear do planeta. Em nenhum momento ele advogou pelo desarmamento das defesas estadunidenses.

Ao contrário, Trump dobrou o já inédito programa de modernização nuclear de mais de US$ 1 trilhão de Obama. Ele expandiu o gasto em armas convencionais e estratégicas na maior escala já vista desde a escalada Reagan-Weinberger há 40 anos atrás.

Ainda assim, Trump foi sujeito à caça às bruxas política mais infundada e ridícula contra um líder estadunidense da história – ao menos desde que John Kennedy foi aberta e repetidamente acusado de traição por buscar reduzir o perigo de um confronto nuclear após a Crise dos Mísseis em Cuba.

Em meio a todo esse ódio e acusações infundadas contra a Rússia, ocorreram tentativas de até mesmo destruir a propriedade e a segurança econômica do povo russo. O Congresso impôs sanções (que fracassaram completamente) lideradas pelos Democratas.

E por que revisitar toda esta história? Pois, como entendia o grande e sábio novelista americano William Faulkner, ‘O passado não está morto. Na verdade, não é nem mesmo passado’.

Caso os Democratas retomem o poder em Washington, eles retornarão com todas as políticas e obsessões nefastas e perigosas que demonstraram por oito anos com Obama e Biden. Mas esses ódios e preconceitos estarão superaquecidos por quatro anos do fantasioso Russiagate e de acusações delirantes contra a Rússia, todas sem evidências. Na realidade, elas foram propriamente expostas e refutadas por muitos corajosos ex-oficiais e acadêmicos americanos.

Entretanto, este passado adormecido se levantará, mais terrível e destrutivo do que qualquer fantasia, para demolir nosso presente e amaldiçoar nosso futuro.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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