EUA

A mídia mente outra vez sobre as intervenções de Joe Biden na Ucrânia

O New York Post publicou uma matéria bombástica relacionada às intervenções corruptas de Joe Biden na Ucrânia, que pode mudar os rumos das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Via Moon of Alabama, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

Barack Obama, Joe Biden e seu filho, Hunter Biden. Foto via voanews.com
Barack Obama, Joe Biden e seu filho, Hunter Biden. Foto via voanews.com

Ontem (14/10/2020) o New York Post publicou uma matéria bombástica relacionada às intervenções corruptas de Joe Biden na Ucrânia:

Email é a prova cabal que Hunter Biden apresentou empresário ucraniano ao seu pai enquanto vice-presidente (“Smoking-gun email reveals how Hunter Biden introduced Ukrainian businessman to VP dad”, em inglês)

Hunter Biden, filho de Joe, foi contratado como lobista pela companhia de gás ucraniana Burisma, enquanto seu pai, o então vice-presidente dos Estados Unidos, dirigia a política externa norte-americana em relação à Ucrânia.

Joe Biden celebremente ordenou ao presidente ucraniano Poroshenko que demitisse seu procurador-geral, Viktor Shokin. Ele ameaçou que, caso contrário, recusaria um empréstimo de US$ 1 bilhão ao país. A pressão de Biden para demissão de Shokin começou dez dias depois do procurador-geral ter confiscado algumas casas do dono da Burisma, Mykola Zlochevsky. Shokin foi eventualmente demitido, o empréstimo foi liberado à Ucrânia e as acusações de corrupção contra Zlochevsky foram enterradas.

Joe Biden negou:

• Ter conversado com seu filho sobre seu emprego de lobista na Burisma.

• Ter conversado com quaisquer pessoas relacionadas à Burisma.

• Que sua insistência pela demissão de Shokin teve qualquer relação com a investigação de Zlochevsky.

Os emails publicados pelo NY Post mostram que um dos gerentes da Burisma agradeceu Hunter Biden por ter providenciado uma reunião com Joe Biden. A fonte dos emails seria supostamente um laptop pertencente a Hunter e que foi deixado em uma assistência técnica.

Alguns defensores de Biden alegam que a fonte dos emails seria um suposto hackeamento russo da Burisma. Mas o NY Post também publicou fotos privadas de Hunter, onde ele aparece fumando e desmaiado ao lado de um cachimbo de crack. As fotos podem muito bem terem vindo, como alega o Post, de um laptop pertencente à Hunter. É muito improvável que elas tenham sido obtidas dos servidores da Burisma.

A campanha de Biden ofereceu uma fraca refutação da alegação do NY Post, de que o candidato teria se reunido com o gerente da Burisma:

A campanha de Biden não descarta a possibilidade do ex-vice-presidente ter tido algum tipo de interação informal com Pozharsky, que não apareceria em sua agenda oficial. Mas disseram que qualquer encontro teria sido superficial.”

Em um ato de manipulação inédita, o Facebook e o Twitter censuraram links para a matéria do NY Post:

O Twitter proibiu seus usuários de publicarem links para a matéria do Post, enquanto o Facebook reduziu a frequência com que o assunto aparece para os usuários em toda a plataforma.

O New York Post afirmou em um editorial, em resposta às ações das empresas: ‘Censure primeiro, pergunte depois: é escandaloso que duas das mais poderosas plataformas estadunidenses tomem essa atitude.’

O Facebook, a maior rede social do mundo, limitou a disseminação da matéria do Post horas após sua publicação na quarta-feira, de acordo com um tweet de seu porta-voz, Andy Stone, que citou uma política que afirma que o Facebook pode tomar medidas temporárias contra conteúdos pendentes de revisões por organizações de notícias e outros participantes de seu programa de checagem de fatos, ‘caso haja sinais de que o conteúdo seja falso’.

O porta-voz do Facebook já trabalhou anteriormente para os Democratas:

Ele serviu como diretor de comunicações para o Comitê de Ação Política da Maioria na Câmara entre 2012 e 2014; como secretário de imprensa para a senadora Democrata da Califórnia, Barbara Boxer entre 2011 e 2012; e secretário de imprensa para o Comitê de Campanha Democrata do Congresso (DCCC, em inglês) entre 2009 e 2011, de acordo com seu perfil no LinkedIn.

A “checagem factual” do Facebook é feita pelo obscuro Atlantic Council:

Tweet de Max Blumenthal: “Parece relevante para mim que um dos principais checadores factuais do Facebook, o Atlantic Council, seja financiado pela Burisma – a corrupta empresa ucraniana de gás que pagou US$ 80 mil por mês para Hunter Biden – https://thegrayzone.com/2019/10/13/dcs-atlantic-council-raked-in-funding-from-hunter-bidens-corruption-stained-employer-while-courting-his-vp-father/

Como afirma o efeito Streisand, a censura da matéria do NY Post pelo Facebook e Twitter amplificou a distribuição da notícia.

Muitos meios de comunicação a publicaram. Entretanto, diversos destes também repetiram alegações falsas de que Shokin não estaria investigando a Burisma e seu dono quando Joe Biden pressionou por sua demissão.

O “checador factual” do Washington Post, Glenn Kessler, afirmou:

Os americanos viram em Viktor Shokin, o procurador-geral ucraniano, um obstáculo para as reformas, já que era visto como ineficaz e subordinado a Poroshenko e às oligarquias corruptas da Ucrânia. Particularmente, Shokin havia fracasso em levar a cabo uma investigação contra o fundador da Burisma, Mykola Zlochevsky.

A Stars and Stripes escreveu:

Ainda que Shokin estivesse investigando a Burisma, uma companhia ucraniana de gás da qual Hunter Biden fazia parte, a investigação estava parada há tempos quando o vice-presidente pressionou por sua saída no começo de 2016, alegou uma ex-autoridade ucraniana à Bloomberg News em maio de 2019.

A NBC News sublinhou:

Mas sejamos claros: Shokin não foi demitido por nada impróprio feito por Joe Biden, independente do quão empolgante seja sua versão da história em 2018. É um ponto que merece ser repetido, ruidosamente, como fez Daniel Goldman, o ex-procurador que liderou a investigação para os parlamentares Democratas, no Twitter.

A alegação de que Shokin não estava investigando a Burisma e seu dono é evidentemente falsa. Como demonstramos diversas vezes, Shokin, o procurador, confiscou quatro grandes casas e um carro luxuoso pertencentes ao dono da Burisma, Mykola Zlochevsky, apenas dez dias antes de Joe Biden iniciar a pressão por sua demissão.

A mídia ucraniana cobriu na época o confisco, no dia 4 de fevereiro de 2016:

A propriedade móvel e imóvel do ex-Ministro de Ecologia e Recursos Naturais, Mykola Zlochevsky, na Ucrânia foi confiscada, de acordo com o serviço de imprensa do gabinete do procurador-geral ucraniano (PGO, em inglês).

‘O PGO apresentou um pedido judicial para confiscar a propriedade do ex-Ministro de Ecologia e Recursos Naturais ucraciano e vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Mykola Zlochevsky, que havia sido liberada, além de outras propriedades utilizadas por ele, como um imóvel com mais de 992 m², um lote de terreno de 0,24 hectares, uma casa de veraneio no distrito de Vyshgorod, outra casa de 2.312 m², outro lote de 0,0394 hectares, dois carros Rolls-Royce Phantom e Knott 924-5014’, apresenta a matéria.

O PGO esclareceu que a corte acatou o pedido em 2 de fevereiro de 2016.

A ligação de Biden para Poroshenko, na qual ele pressionava pela demissão de Shokin, seguiu-se em 12 de fevereiro de 2016. Naquele momento a Burisma pagou milhões para o escritório do filho de Joe Biden.

É execrável que a mídia estadunidense continue negando que Shokin estava de fato investigando o dono da Burisma logo antes de Joe Biden pressionar por sua demissão.

Pode-se sentir o mal-cheiro da intervenção corrupta de Joe Biden na Ucrânia de longe.

E o mesmo pode-se dizer sobre os negócios espúrios da família Biden com companhias chinesas.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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