Europa

OTAN reconhece que sua revolução colorida em Belarus fracassou

Via Moon of Alabama, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

Foto por Alexey Druzhinin.
Foto por Alexey Druzhinin.

No dia 15 de agosto, nós explicamos por que a revolução colorida em Belarus seria um fracasso. O presidente belarusso Alexander Lukashenko havia finalmente oferecido ao presidente russo Vladimir Putin a implementação da tão protelada União que congregará Belarus e Rússia. Em troca, ele buscava apoio total da Rússia para interromper a revolução colorida liderada pelos Estados Unidos. Putin aceitou o acordo. Consequentemente:

“Lukashenko, e sua polícia, não serão pendurados em um poste. A Rússia cuidará do problema e a União será finalmente estabelecida.

Isso não significa que a tentativa de revolução colorida acabou. Os Estados Unidos e sua Polônia lacaia não irão juntar os cacos e ir embora. Mas com o apoio total da Rússia garantido, Lukashenko tomará as medidas necessárias para dar fim aos protestos”.

E é isso que ele fez. Lukashenko continuou permitindo as manifestações, mas no domingo (23/08/2020), quando os manifestantes se dirigiram para tomar o palácio presidencial, tiveram uma resposta teatral, porém dura:

“O canal do Telegram Nexta, mantido pelos poloneses (que é o principal meio utilizado pelo Império para derrubar Lukashenko), inicialmente convocou protestos pacíficos, mas no fim das contas realizou um chamado para a tomada do principal prédio presidencial. Quando os desordeiros (neste ponto já estamos falando de uma tentativa ilegal e violenta de derrubada do estado – então não denomino essas pessoas de manifestantes) chegaram ao local, se depararam com uma verdadeira “muralha” de tropas de choque totalmente equipadas: essa visão (bem assustadora) foi suficiente para impedir os desordeiros por um tempo, que tiveram então que se retirar.

Lukashenko fez algo relativamente estranho, mas que faz todo o sentido no contexto belarusso: ele vestiu um traje de combate completo, apanhou um rifle de assalto AKSU-74, vestiu também seu filho (de 15 anos!) em traje de combate e voou em seu helicóptero até Minsk, pousando no palácio presidencial. Eles então caminharam até as tropas de choque, onde Lukashenko agradeceu-os calorosamente, o que resultou em aplausos por parte de toda a força policial. Para a maioria de nós esse comportamento pode parecer consideravelmente estranho, senão absurdo. Mas no contexto da crise belarussa, que é uma crise travada principalmente no campo informacional, faz total sentido.”

Os manifestantes, que a polícia havia identificado anteriormente como “riquinhos da cidade, filhos de pais ricos que estão fartos de uma vida farta”, não tiveram coragem de atacar uma força policial bem-armada e bem-motivada.

O think-tank da OTAN Atlantic Council também reconheceu esse fato e lamentou:

“Os manifestantes são geralmente muito doces, educados e pacíficos. Muitos são jovens belarussos de classe média que trabalham na crescente indústria de tecnologia da informação do país, e vão aos protestos vestidos como verdadeiros hipsters. Ao contrário dos eventos em Kiev em 2013-2014, não há uma vanguarda militante nas manifestações. De fato, essa revolução é tão pomposa que as vezes chega a dar sono. Para o bem ou para o mal, há uma perceptível falta de jovens duros e vigorosos capazes de deixar os liberais desconfortáveis ou liderar a resistência caso o estado autoritário decida usar da força”.

Sem os stormtroopers nazistas como aqueles utilizados durante os protestos na Ucrânia em 2014, não há chance de derrubar Lukashenko. Ainda assim, a guerra terminaria com um massacre e Lukashenko continuaria como vencedor. O autor conclui certeiramente:

“A resistência do regime de Lukashenko está ficando mais forte a cada dia. Com a Rússia aparentemente agora dando apoio ao presidente, protestos fotogênicos e ações dispersas não serão suficientes para gerar transformações históricas.”

É o fim. As “greve dispersas” nunca foram ações realmente industriais. Alguns jornalistas da TV estatal de Belarus entraram em greve. Eles foram imediatamente demitidos e substituídos por jornalistas russos. Algumas centenas de trabalhadores da MTZ Minsk Tractor Works fizeram manifestações. Mas a MTZ tem 17.000 funcionários e os mais de 16.500 que não participaram sabem muito bem por que ainda continuam empregados. Caso Lukashenko caia, é muito provável que a empresa estatal seja vendida a preço de banana e imediatamente “reorganizada”, o que significa que a maioria deles estariam desempregados. Nos últimos 30 anos eles viram isso acontecer em todos os países em torno de Belarus. Não há necessidade de experimentar isso em primeira mão.

Na segunda-feira (24/08/2020), o líder da primeira passeata da MTZ, Sergei Dylewski, foi preso enquanto agitava maiores greves. Dylewski é um membro do autoproclamado Conselho de Coordenação da oposição, que exige negociações com a presidência. Outros membros da organização foram convocados para interrogatórios por investigadores de uma acusação criminal contra o conselho.

Enquanto isso, a desafortunada candidata da oposição, Sviatlana Tsikhanouskaya, que alegou falsamente que havia vencido a eleição, está na Lituânia. Ele é supostamente uma professora de inglês, mas tem dificuldade em ler um texto implorando por apoio “ocidental”. Ela já se reuniu com diversos políticos “ocidentais”, incluindo o secretário-geral da União Democrata-Cristã da Alemanha, partido de Angela Merkel, Peter Zeimiag, e o vice-Secretário de Estado norte-americano Stephen Biegun. Nenhum deles pode ajudá-la.

Com o apoio da Rússia, a estabilidade militar, política e econômica de Belarus está garantida. Lukashenko será descartado em algum momento, mas apenas no momento e da forma que for conveniente aos russos, e não por que alguns hipsters financiados pela National Endorsement for Democracy tentaram encenar uma revolução.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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