Ásia

Coreia Popular e o ‘eixo do mal’

Em 29 de janeiro de 2002, Bush rotulou a Coreia do Norte, Irã e Iraque como "os regimes mais perigosos do mundo", formando o chamado "eixo do mal". Foi início de uma política de terrorismo generalizado.

Por Brian S. Willson, via Global Research, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

O ex-presidente estadunidense George W. Bush é aplaudido durante seu discurso sobre o Estado da União em 29 de janeiro de 2002, quando cita pela primeira vez o “eixo do mal”. Foto por Luke Frazza.

Este artigo do autor, advogado, veterano da Guerra do Vietnã e ativista pela paz Brian Willson foi primeiramente publicado pelo Global Research em 2002. Ele esboça o que a maioria das pessoas nos Estados Unidos não sabe em relação ao seu longo histórico de crimes contra a humanidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido perdeu 0,94% de sua população, a França perdeu 1,35%, a China 1,89% e os Estados Unidos 0,32%. Durante a Guerra da Coreia, a Coreia Popular perdeu 30% de sua população.

Estas cifras de mortes de civis na Coreia do Norte também devem ser comparadas aos dados do Iraque compilados pelo estudo da Lancet (John Hopkins School of Public Health). O estudo estima um total de 655.000 civis iraquianos assassinados após a invasão dos Estados Unidos (março/2003 – junho/2006).

Michel Chossudovsky, Global Research

*

A demonização da Coreia Popular pelo governo dos Estados Unidos continua de maneira implacável. O magnata do petróleo e do beisebol que se afirma presidente dos Estados Unidos usou de seu primeiro discurso sobre o Estado da União, em 29 de janeiro de 2002, para rotular o perpétuo inimigo, a Coreia do Norte, junto a seus ex-aliados, Irã e Iraque, como “os regimes mais perigosos do mundo”, que agora formam o ameaçador “eixo do mal”. Mal sabia o público, pois deveria ter sido mantido em segredo (ops!), que o dito presidente havia apresentado uma “revisão da postura nuclear” ao Congresso apenas três semanas antes, no dia 8 de janeiro, ordenando ao Pentágono que preparasse planos de contingência para o uso de armas nucleares. Os alvos primários para um ataque nuclear seriam os recém-identificados membros do “eixo do mal”, juntamente a outras quatros nações “sortudas” – a Síria, Líbia, Rússia e China. Isso, que é nada menos do que uma política de terrorismo generalizado, continua sendo ignorada pela mídia estadunidense.

Dizer que o coreanos estão preocupados seria um eufemismo. Entretanto, eles compreendem o contexto no qual sua “maldade” está sendo retratada, uma ameaça nada nova. Porém, a perigosa escalada retórica política pós-11 de setembro dá um grave alerta ao mundo de uma possível guerra total. O vice-presidente Richard Cheney, outro texano magnata do petróleo, declarou que os Estados Unidos estão agora considerando ações militares contra 40 ou 50 nações, que a guerra “nunca acabará” e “tornou-se parte permanente de nosso modo de vida”1. O Pentágono declarou que o abismo cada vez maior entre “os que têm” e “os que não têm” representa um sério risco aos Estados Unidos, exigindo uma doutrina de “domínio de espectro total”. Dessa forma, os EUA demandam capacidade total para conquistar cada região e sua população de todo o globo, desde bunkers subterrâneos, incluindo aqueles na Coreia do Norte e Iraque, até a terra-firme, oceanos, céus e espaço sideral. Todas as opções para conquistar a hegemonia global e espacial estão agora na mesa. Os militares estadunidenses já estão presentes em 100 países diferentes2. Guerra total, guerra permanente. Terror!

O vício terrorista dos Estados Unidos não é nenhuma novidade. É uma civilização fundada e sustentada pelo terrorismo como política primária. Por exemplo, em 1779, o General George Washington ordenou a destruição dos “impiedosos índios selvagens” do interior de Nova Iorque, instruindo seus generais a “castigá-los” com “terror”. Os generais obedientemente cumpriram essas ordens. Em 1866, o General William Tecumseh Sherman ordenou o “extermínio” vingativo dos Sioux. Eles foram virtualmente erradicados. O Secretário de Guerra Elihu Root (1899-1904), dos presidentes McKinley e Theodore Roosevelt, justificaram a conduta cruel dos militares estadunidenses nas Filipinas, que assassinaram meio-milhão de civis, citando “precedentes das mais altas autoridades”: antigas ordens de Washington e Sherman3.

Guerras contra nações ao redor do mundo também não é novidade. Os Estados Unidos, ao longo de sua história, já fizeram mais de 400 intervenções militares (somando as clandestinas seriam milhares), em mais de um centena de países4. Praticamente todas essas intervenções foram ilegais. Já bombardearam ao menos 18 nações desde o lançamento das bombas atômicas no Japão, em 1945. Já utilizou armas químicas contra o Sudeste Asiático, e forneceu agente químicos militares para o uso de outras nações, como o Iraque. Têm utilizado armas biológicas contra a China, Coreia Popular e Cuba. Os coreanos têm forte consciência de sua história. A maioria dos americanos não têm. Mas agora, os Estados Unidos declararam uma guerra terrorista unilateral contra o mundo todo5.

Duas das intervenções feitas durante o século XIX foram contra a Coreia, a primeira delas em 1866. A segunda, e maior, em 1871, com o desembarque de mais de 700 tropas na praia de Ganghwa, na costa oeste da península, visando implementar as primeiras fases da colonização. Destruindo diversas fortalezas e assassinando mais de 600 coreanos, os Estados Unidos recuaram, percebendo que para assegurar seu sucesso seria necessária uma presença militar muito maior e permanente. O povo norte-coreano têm forte memória dessa invasão estadunidense, ainda que a maioria dos sul-coreanos não a conheçam devido à censura histórica. A grande maioria dos americanos também não a conhecem, por razões similares, ainda que essa tenha sido a maior força militar estadunidense a desembarcar em solo estrangeiro no século XIX, para além do México e do Canadá até a Guerra Hispano-americana em 1898.

Acredito que seja importante que os americanos se coloquem no lugar das populações dos países alvo dos Estados Unidos. O fato da Coreia do Norte, uma nação de 24 milhões de pessoas (um vigésimo da população estadunidense), grande parte delas pobre, com um território pouco maior que o estado da Pensilvânia, continuar sendo um dos países mais demonizados e menos compreendidos deixa o povo coreano totalmente perplexo. Vale a pena compreender sua perspectiva.

Eu visitei o país recentemente e conversei com diversos de seus cidadãos. Eu viajei 900 milhas através das seis províncias norte-coreanas, além de passar um tempo em Pyongyang, a capital, e algumas outras cidades. Eu conversei com dúzias de pessoas de várias idades. Apesar dos tempos terem sido difíceis para os norte-coreanos, especialmente na década de 1990, eles orgulhosamente reconstruíram há tempos todas as dezenas de cidades, milhares de vilarejos e centenas de diques e barragens destruídas durante a guerra.

A interferência estadunidense na soberania da Coreia logo após a rendição dos odiosos japoneses, que haviam ocupado a Península Coreana por 40 anos, é um dos maiores crimes do século XX, do qual o povo coreano ainda não se recuperou. De uma perspectiva norte-coreana, eles:

1. se opuseram vigorosamente à divisão ilegal e grave de seu país desde o início até hoje;

2. foram culpados por iniciar a “Guerra da Coreia”, que foi na realidade uma luta entre uma minoria de proprietários coreanos ricos que apoiaram a continuidade da colonização em colaboração com os Estados Unidos e a maioria dos coreanos, que se opuseram;

3. orgulhosa e corajosamente contiveram os Estados Unidos e seus “satélites da ONU” em um impasse durante a “guerra”, e

4. têm sido trágica e injustamente considerados uma nação hostil desde então. Eles não esqueceram-se dos 40 anos de ocupação japonesa que precederam a divisão imposta pelos Estados Unidos e a subsequente ocupação que continua no sul. Eles anseiam profundamente pela reunificação de sua cultura historicamente unitária.

Todos aqueles com quem conversei, dezenas e dezenas de pessoas, perderam ao menos um familiar durante a guerra, especialmente durante os bombardeios contínuos, grande parte de napalm e incendiários, lançados deliberadamente contra todo o território do país. “Cada meio de comunicação, cada instalação, fábrica, cidade e vilarejo” foi bombardeado por ordens do General MacArthur na década de 1950. E bombas não pararam de cair até o armistício, em 27 de julho de 1953. As memórias dolorosas do povo ainda são evidentes, seu ódio à “América” é frequentemente expressado, mas foram muito acolhedores e gentis comigo. Dez milhões de família coreanas continuam permanentemente separadas devido à linha divisória militarizada que atravessa a península.

Que isso fique claro aos leitores ocidentais. A Coreia do Norte foi virtualmente destruída durante a “Guerra da Coreia”. O arquiteto da criminosa campanha aérea estadunidense foi o General Curtis LeMay, que havia conduzido os contínuos bombardeios incendiários no Japão de março a agosto de 1945, que destruíram 63 grandes cidades japonesas e assassinaram um milhão de civis (muito mais do que as mortes causadas pelos bombardeios atômicos).

Oito anos depois, após destruir as 78 cidades norte-coreanas e milhares de seus vilarejos, e assassinar incontáveis civis, LeMay afirmou, “Ao longo de mais ou menos três anos nós assassinamos cerca de 20% da população”6. Acredita-se hoje que a região norte do imposto Paralelo 38 perdeu cerca de um terço de sua população de 8-9 milhões de pessoas durante a guerra “quente” de 37 meses, de 1950 a 1953 – uma taxa de mortalidade talvez inédita em qualquer nação devido à beligerância de outra.

Todos quiseram saber o que pensei sobre a recente acusação de Bush à Coreia do Norte como parte de um “eixo do mal”. Cada um dos três governos citados como parte do “eixo do mal” de Bush imediatamente condenaram as alegações, incluindo a Coreia Popular. Eu compartilhei com eles minha indignação e temores, e pareceram aliviados ao saber que nem todos os “americanos” são tão cruéis e belicosos. Assim como os povos de diversas outras nações tratadas com hostilidade pelos Estados Unidos, não conseguem compreender por que o governo americano é tão obcecado por eles.

Os coreanos ficaram aliviados ao saber que uma pesquisa recente indicou que 80% dos sul-coreanos são contrários à postura beligerante dos Estados Unidos contra seus vizinhos do norte. O governo norte-coreano descreveu Bush como um “típico malfeitor e um chefão do terrorismo” durante uma visita ao sul em fevereiro, apenas três semanas após o discurso sobre o Estado da União7. Também foi encorajador que as duas Coreias tenham retomado discretas negociações diplomáticas em março, enquanto os Estados Unidos e a Coreia do Sul novamente conduziam exercícios militares conjuntos, tão odiados pelos norte e para um número cada vez maior de pessoas do sul, em meio a um crescente movimento de reunificação8.

No jornal publicado em língua inglesa, The Pyongyang Times, haviam (23/02/02) artigos intitulados “US Is Empire of the Devil”(“Estados Unidos é o Império do Demônio”), “Korea Will Never Be a Threat to the US” (“Coreia Nunca Será uma Ameaça aos EUA”), e “Bush’s Remarks Stand Condemned” (“Condenadas as Afirmações de Bush”). Para ser franco, todos estes artigos relatam verdades sobre os Estados Unidos e são um consenso em muitos lugares ao redor do mundo.

Enquanto eu estava no país, nós ouvimos os ataques de Bush contra a Coreia Popular na Voice of America, no dia 14 de março. Primeiramente, ele afirmou que a população carcerária norte-coreana de 200.000 prisioneiros era prova de uma terrível repressão. Apesar de eu não saber o número de prisioneiros no norte, tanto quanto Bush, eu sei que os Estados Unidos possuem 2 milhões de prisioneiros, uma proporção similar à norte-coreana caso o número de 200.000 esteja correto. Além disso, os Estados Unidos possuem ao menos 3 milhões de pessoas, grande parte de minorias e pobres, sob liberdade condicional. Os EUA varrem seus problemas raciais e de classe para de baixo da prisão.

Em segundo lugar, Bush declarou que metade da população era considerada inconfiável, e, como resultado, recebia menos alimentos. Os coreanos são um povo orgulhoso que vive uma tradição confuciana, tendo reconstruído seu país da destruição total durante a Guerra da Coreia. Eu não notei nenhuma demonstração óbvia de dissidência. O fato de alguns coreanos carecerem de alimento, água e aquecimento, especialmente em algumas áreas rurais, não se traduz necessariamente em dissidência, ainda que alguns busquem refúgio em países vizinhos9.

Terceiro, Bush alegou que os coreanos que ouvem rádios estrangeiras são alvos de execuções. Nós ouvimos regularmente as transmissões da Voice of America, e seu conteúdo era abertamente discutido sem medo de represálias.

Quarto, Bush condenou a Coreia Popular por gastar muito dinheiro em suas forças armadas, causando escassez de alimentos à população. Novamente é importante lembrar que foram os Estados Unidos que dividiram unilateralmente a Coreia após a rendição japonesa em agosto de 1945, e subsequentemente instalaram um governo de ocupação militar no sul, visando a eliminação da totalidade do movimento popular de oposição (majoritária) à ocupação estadunidense, assassinando centenas de milhares de pessoas. A resultante guerra civil coreana que foi desencadeada entre 1948-1950 foi completamente ignorada quando os Estados Unidos definiram o início da Guerra da Coreia em 1950. Os EUA continuam em guerra contra a Coreia Popular, nunca tendo assinado um tratado de paz com o norte. A guerra deixou uma profunda cicatriz no caráter coreano, com uma memória que é regularmente retomada pela beligerância continuamente direcionada contra a Coreia do Norte. Os Estados Unidos mantém 37.000 tropas militares em 100 bases ao sul do Paralelo 38. Lá, os americanos possuem seu maior campo de tiro da Ásia, onde praticam bombardeios cinco dias por semana, 52 semanas por ano, apesar da oposição de muitos sul-coreanos. E agora, Bush identificou a Coreia do Norte como parte de um “eixo do mal”, um alvo para ataques nucleares. Isso não é uma idéia remota para os norte-coreanos. Os Estados Unidos possuem armas nucleares em navios e aviões na região do Pacífico, cercando toda a Coreia do Norte. Qualquer nação nessa posição perigosa se preocuparia com sua defesa.

É importante notar que os Estados Unidos são líderes mundiais em gasto militar, resultando em um grande subfinanciamento de seus próprios programas sociais essenciais.

Quinto, Bush acusou a Coreia Popular de vender armamentos para outras nações. É como o sujo falando do mal-lavado. Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de armas convencionais, nucleares, químicas e biológicas do mundo, e é também o maior vendedor destas armas, e tem utilizado todas elas (biológicas contra Cuba, China, Coreia e talvez outras; químicas no Sudeste Asiático; nucleares contra o Japão e ameaçado usá-las em ao menos outras 20 outras ocasiões; e convencionais contra dezenas de nações). Além disso, têm armado outras nações com essas armas de destruição em massa, incluindo o Iraque, um desses países agora identificados como parte do “eixo do mal”. No ano 2000, o comércio de armas internacionais atingiu cerca de US$ 37 bilhões, com os Estados Unidos diretamente responsáveis por mais da metade dessas vendas. A Coreia do Sul foi o terceiro maior comprador de armas dos EUA, com US$ 3,2 bilhões em equipamento militar10. E em janeiro de 2002, a Coreia do Sul cogitou seriamente a compra de 40 jatos F-X da Boeing, no valor de US$ 3,2 bilhões adicionais.

Ao final da transmissão da Voice of America, eu e os coreanos trocamos olhares, desacreditados. Mas também sabíamos que somos solidários uns com os outros, como parte da fraternidade humana. Quando me despedi de meus novos amigos, nos abraçamos sabendo que vivemos em um único mundo, formado a partir de uma rica diversidade de idéias e espécies. Sabemos que viveremos e morreremos juntos, e esperamos que a retórica e o militarismo arrogante e perigoso dos Estados Unidos tenha um fim em breve, para que possamos todos viver em paz. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário um levante dramático dos povos e um enorme movimento de oposição à violência, que tornará tal comportamento impossível.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.


1  Bob Woodward, “CIA Told To Do ‘Whatever Necessary’ to Kill Bin Laden,” The Washington Post, 21 de outubro de 2001.

2  Bradley Graham, “Pentagon Plans New Command For U.S. Four Star Officer, Would Over See Homeland Defense,” The Washington Post, 26 de janeiro de 2002.

3  Richard Drinnon, Facing West: The Metaphysics of Indian Hating and Empire Building. New York: Schocken Books, 1990, p. 329.

4  B.M. Blechman and S.S. Kaplan, Force Without War: U.S. Armed Forces As A Political Instrument. Wash., D.C.: The Brookings Institution, 1978, Appendix B; Congressional Research Service (Foreign Affairs and National Defense Division), Instances of United States Armed Forces Abroad, 1798-1993. Wash., D.C.: Congressional Research Service, 1993; William Blum, Killing Hope: U.S. Military and CIA Intervention Since World War II. Monroe, ME: Common Courage Press, 1995; John Stockwell, The Praetorian Guard. Cambridge, MA: South End Press, 1991.

5  William Blum, Rogue State. Monroe, ME: Common Courage Press, 2000; Stephan Endicott and Edward Hagerman, The United States and Biological Warfare: Secrets From the Early Cold War and Korea. Bloomington, IN: Indiana University Press, 1998.

6  Richard Rhodes, “The General and World War III,” The New Yorker, 19 de junho de 1995, p. 53.

7  ”North Korea Calls Bush ‘Kingpin of Terrorism,” reportagem da Reuters, 23 de fevereiro de 2002.

8  ”South Korea Envoy to Travel North,” BBC News Online: World: Asia-Pacific, 25 de março de 2002. Acessado em 26 de março de 2002 em http://news.bbc.co.uk/low/english/world/asia-pacific/newsid_1891000/1891457.stm

9  Ji-Yeon Yuh, “North Korean Enemy Should Be Made Friend,” The Baltimore Sun, 27 de fevereiro de 2002.

10  Thom Shanker, “Global Arms Sales Rise Again, and the U.S. Leads the Pack, ” The New York Times, 20 de agosto de 2001.

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