África

O tabuleiro africano: os Estados Unidos da América

A consolidação de potências como a União Européia e, sobretudo, da China, tem feito com que Washington tenha adotado uma nova política para não perder sua esfera de influência em África.

Por Laura Revenga, via Descifrando la Guerra, tradução de Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

Foto por Kevin Lamarque.
Foto por Kevin Lamarque.

“O tabuleiro africano” é uma série de artigos (publicados pelo Descifrando la Guerra) sobre a crescente disputa pela influência política no continente africano.

Nas últimas décadas, o continente africano está presenciando uma dinâmica de competição entre diversas potências, tanto consolidadas, quanto emergentes, em numerosos âmbitos, como o econômico, de infraestrutura, entre outros. E os Estados Unidos não são um ator alheio a essa disputa.

Os vínculos históricos entre Estados Unidos e África se remontam ao século XVII, com maior precisão, ao ano de 1619.

Neste ano, o barco São João Baptista partiu do oeste de África. Nele, viajavam pessoas capturadas nos reinos de Ndongo e Kongo, na atual Angola. Tinha como destino o México, porém, em meio à viagem e do Oceano Atlântico, foi confiscado por dois barcos ingleses, que o tomaram o controle. Os escravos que sobreviveram – apenas metade – foram levados ao porto de Point Comfort, na Virgínia, então colônia inglesa. Assim se abriu a primeira página das relações entre Estados Unidos e África1.

Com o triunfo da Revolução Americana (1776-1783), os Estados Unidos conquistaram sua independência em relação ao Reino Unido e, em 1787, foi criminalizada a escravidão nos territórios do noroeste do país. A proibição desta prática só seria aprovada no Congresso em 18082.

Dos cerca de 12,5 milhões de africanos que cruzaram o Atlântico, 388.880 chegaram ao território norte-americano, metade deles advindos de Angola, Senegal e Gâmbia. Com o passar dos anos e dos descendentes, a população escrava se multiplicou. Seu peso econômico era tão importante nos Estados Unidos que foi um dos principais motivos para a Guerra de Secessão (1861-65). A vitória do Norte permitiu a desaparição formal da escravidão em todo o país em 18633.

Além disso, em 1822 a American Colonization Society definiu a Libéria como o lugar para enviar escravos afro americanos libertos. Houve uma migração gradual para a colônia e, em 1847, a República da Libéria4 seria declarada.

Essa relação mudaria ao longo do tempo, principalmente após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o início da Guerra Fria (1947-1991). Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos perceberam África como um lugar para desafiar a União Soviética e buscar influência nos novos estados independentes5. Essa tentativa de manter influência no continente africano levou os EUA a enfrentar a URSS através das proxy wars, como por exemplo, a Guerra Civil de Angola, entre outras.

O investimento estrangeiro direto estadunidense em África tem apenas aumentado desde 20106. Entretanto, a ameaça do terrorismo, e sobretudo, a crescente influência de potências como a Rússia e China no continente africano fizeram com que em 2018 o ex-Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, apresentasse a Nova Estratégia de África.

Essa Nova Estratégia de África se baseia em três interesses fundamentais dos Estados Unidos no continente africano:

1. Promover os vínculos comerciais dos Estados Unidos com as nações da região em benefício tanto dos EUA quanto de África;

2. Conter a ameaça do terrorismo islâmico radical e os conflitos violentos;

3. Garantir que os dólares do contribuintes estadunidenses destinados à ajuda sejam utilizados de maneira eficiente e eficaz7.

A estratégia de Washington vai de acordo a sua maneira de conceber as relações internacionais. Ela tem se descolado do foco no hard power ao soft power. Os estados africanos enfrentam uma população em crescimento, todavia têm uma carência de infraestruturas para desenvolver uma economia competitiva. Em 2016, a China se converteu no maior investidor do continente africano. Por isso, Washington voltou a focar seus investimentos e projetos em diversos âmbitos no continente, visando freiar a influência chinesa em África.

Uma das estratégias de soft power de Washington no continente africano tem centrado no aspecto comercial. No ano 2000, implementou-se a Lei de Crescimento de Oportunidades para África (AGOA, em inglês), que impulsionou o comércio entre Estados Unidos e África, além de criar milhares de empregos tanto no continente africano, quanto nos EUA8.

Desde o ano 2000, nos marcos da AGOA, foram feitos progressos consideráveis. Foram criados aproximadamente 300.000 postos de trabalho, quadruplicou-se o crescimento das exportações não-petrolíferas e foram construídas indústrias orientadas à exportação. Além disso, segundo o subsecretário adjunto do Gabinete de Assuntos Africanos, Matthew T. Harrington, “o comércio entre os Estados Unidos e África foi 13,5% maior que em 2017”9.

Outro exemplo em matéria comercial foi em 2013, quando o governo Obama implementou programas para incentivar o aumento das operações comerciais em África. Apesar de fracassada, a iniciativa aproveitou o vínculo entre a participação do governo e o êxito do setor privado10. Entretanto, em outubro de 2018, foi aprovada a Lei de Melhor Utilização de Investimentos que Conduzem ao Desenvolvimento, que estabeleceu a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos por US$6 bilhões, e será um impulso para a participação comercial dos EUA no continente africano11.

Essa investida de soft power não se limita ao âmbito comercial. As políticas de Washington também têm focado no campo de ajuda ao desenvolvimento. Cabe mencionar a Iniciativa contra a Malária, que tem beneficiado quase 500 milhões de pessoas e causado uma diminuição significativa dos casos da doença e o Plano de Emergência para o alívio da AIDS (PEPFAR, em inglês), que tem ajudado a diminuir a incidência do HIV em África. Estes programas também têm focado na ajuda alimentar e em poços d’água.

Além disso, a iniciativa Feed the Future aumentou os rendimentos dos cultivos, e economizou US$ 5,2 milhões no combate à fome. Enquanto isso, por meia da Power Africa, mais de 12 milhões de residências e empresas obtiveram conexões elétricas desde 2014, e tem como objetivo atingir a meta de 60 milhões de conexões até 203012.

Outra estratégia de Washington para manter sua influência no continente africano tem focado no âmbito do intercâmbio cultural e educativo. Um exemplo disto é a Iniciativa Jovens Líderes Africanos (conhecido como YALI, em inglês). A YALI já capacitou ao redor de 4.000 futuros líderes africanos, e criou uma vasta rede entre eles em quase 50 países13. Essas iniciativas permitem que os Estados Unidos prolonguem sua influência, sem reservas por parte da população local.

Os demais atores no continente africano também realizam investimentos em diversos âmbitos, como o comércio, infraestrutura, etc. Entretanto, os Estados Unidos possuem uma “carta da manga” em relação a outros atores, como a França.

Esta vantagem competitiva reside no âmbito comercial. No ano de 2018, o Congresso estadunidense introduziu a Lei BUILD. A BUILD aumenta o limite de empréstimos até os US$ 60 milhões, e poderia gerar investimentos de capital de até 20% do capital total dos projetos. Essa lei é mais competitiva que fundos respaldados por Pequim em África14.

A diplomacia e a cooperação têm se tornado uma vantagem para os interesses estadunidenses. Até hoje, Washington é um dos países com mais embaixadas ao longo do continente, com um total de 50. Além disso, em fevereiro de 2020, o Secretário de Estado norte americano, Mike Pompeo, completou recentemente sua primeira viagem a África. Durante três dias, visitou Senegal, Angola e Etiópia, e também se encontrou com o chefe da União Africana15. Washington mantém relações bilaterais e regionais em África, como a AGOA, Power Africa e a Trans-Sahara Counterrorismo Partnership, entre outras. Por sua vez, os Estados Unidos têm hospedado a reunião entre Egito, Etiópia e Sudão para resolução da atual disputa sobre a represa etíope. Ademais, os Estados Unidos são um ator importante no apoio das operações de paz da União Africana na Somália, na bacia do Lago Chade e na República Centro Africana16.

No setor de infraestruturas, assim como outros atores, como Turquia e Brasil, os Estados Unidos não dispõem de um projeto de infraestrutura tão ambicioso como a Nova Rota da Seda da China ou o projeto indo-japonês do Corredor de Crescimento de Afro-Asiático (AAGC, em inglês). Entretanto, isso não tem impedido o investimento estadunidense em infraestruturas. Caberia mencionar o projeto de ferrovias Lagos-Calabar, com 1.400 km de comprimento, que está sendo considerado pela empresa Ameri Metro Inc., após a empresa chinesa que inicialmente realizaria o projeto não conseguir arrecadar fundos suficientes17. Além disso, os Estados Unidos, a União Européia, o Japão e os Emirados Árabes Unidos preferem a Índia para projeto conjuntos de infraestrutura em África18.

Comércio entre Estados Unidos/China e África (em trilhões de dólares). Imagem via BBC.
Comércio entre Estados Unidos/China e África (em trilhões de dólares). Imagem via BBC.

As empresas estadunidenses têm se deslocado para África atraídas por novos mercados para suas exportações e negócio, além da obtenção de recursos naturais. Dessa forma, as exportações dos Estados Unidos a África estão se incrementando e aumentando. Por um lado, o grosso das importações dos EUA em 2013 era predominantemente composto por petróleo e produtos agrícolas, entre outros. Por outro lado, as exportações no mesmo ano eram compostas principalmente de manufaturados e eletrônicos, entre outros.19

Os Estados Unidos tampouco ficam de fora do plano militar. Os países africanos e Washington têm cooperado em diversos setores no âmbito de segurança. Caberia mencionar que o exército dos EUA estabeleceu seu Comando para África (AFRICOM) em 2007, em um esforço para trabalhar mais proximamente com os militares africanos, que muitas vezes se encontravam mal-equipados para fazer frente à ameaça do terrorismo20.

Os Estados Unidos e os estados africanos têm firmado numerosos acordos de armamento. Um exemplo ocorreu em 2019, quando Washington e Rabat firmaram acordos no valor de US$ 10 bilhões21.

Durante a guerra ao terror do ex-presidente Bush, o norte de África foi uma das primeira regiões nas quais os Estados Unidos buscaram aliados regionais. Nos últimos anos o Pentágono tem reforçado lentamente a presença dos EUA em África, associando-se a nações africanas para frustrar diversas organizações terroristas como o Daesh, Boko Haram e Al-Qaeda22.

Para evitar baixas estadunidenses após anos de participação direta e massiva no Iraque e Afeganistão, sob os governos Obama e Trump, os militares americanos têm confiado em sócios em outros países para levar a cabo missões contra grupos terroristas23.

Além disso, os EUA têm colocado em marcha missões de treinamento e apoio no Sahel e Somália, e contam com uma base militar em Djibuti e a ajuda do Quênia, que tem se convertido em seu principal aliado africano na “guerra contra o terror”. Os Estados Unidos mantém 7.000 soldados no continente e têm participado em mais de 3.500 missões. Entretanto, seus esforços têm sido fracassados: a segurança em África tem piorado nos últimos anos, apesar da crescente presença estadunidense24.

As tropas estadunidenses também têm sido vítimas destes ataques: em 2017, quatro soldados morreram em uma emboscada no Níger, e em janeiro de 2020 outros três morreram no Quênia. Ultimamente, os Estados Unidos têm priorizado os ataques com drones frente ao terrorismo na região, para utilizar o menor número de efetivos possível. A França têm pedido ajuda à OTAN para enfrentar o terrorismo no Sahel, e Washington tem ignorado. Por sua vez, no início de 2020, o presidente Trump anunciou suas intenções de retirar a maioria das 1.400 tropas da África Ocidental, apesar das críticas recebidas pelos aliados da OTAN.

Desta forma, a presença militar estadunidense é pequena em África em comparação com o restante do mundo. Os EUA dedicam apenas 0,3% de seu contingente militar ao continente africano, situando-o no sexto lugar nas suas prioridades estratégicas25.

Presença militar estadunidense em África. Imagem via mapsontheweb).
Presença militar estadunidense em África. Imagem via mapsontheweb.

No ano de 2015, os Estados Unidos foram o maior provedor de apoio financeiros às operações de paz das Nações Unidas e outras operações de paz em África, impulsionadas por outros organismos regionais e internacionais. Washington realizou contribuições voluntárias à União Africana e fornece apoio direto aos países que participam em operações de paz26. Dessa forma, os Estados Unidos focam em supervisionar, informar e treinar os diferentes exércitos africanos em quase todas as missões.

Atualmente, os Estados Unidos participam na Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS), na Missão das Nações Unidos na República Democrática do Congo (MONUSCO) e na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA).

Entretanto, em 2018, os Estados Unidos repensaram seu papel nas missões de paz em África. O ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, criticou o uso de forças de paz da ONU no continente como o “fim do pensamento criativo” para resolver conflitos27.

No ano passado, a 12ª Cúpula Empresarial entre EUA e África foi celebrada em Maputo (Moçambique) e foi o maior encontro celebrado desde sua fundação, em 1997.

Com mais de 1300 assistentes, a cúpula de 2019 incluiu a participação de chefes de estado, vice-presidentes e primeiros-ministros de mais de 9 países africanos, ministro de mais de 25 países, mais de 100 altos funcionários do governo dos EUA e um grupo de líderes empresariais mundiais de diversos setores. Essa cúpula permitiu forjar associações entre as partes, identificar novas oportunidades de investimento em diversos setores e fechar diversos acordos em vários âmbitos econômicos28.

Logo da 12ª Cúpula Empresarial EUA-África, celebrada em Maputo, 2019.
Logo da 12ª Cúpula Empresarial EUA-África, celebrada em Maputo, 2019.

A consolidação de potências como a União Européia e, sobretudo, da China, tem feito com que Washington tenha adotado uma nova política para não perder sua esfera de influência em África em diversos âmbitos, desde as infraestruturas, passando pelos recursos energéticos, e outros.

Os Estados Unidos terão que manter um hábil equilíbrio e presença no continente africano, já que, seu principal competidor, a China, tem se convertido em um sócio comercial para muitos países africanos. Além disso, alguns estados africanos podem favorecer potências emergentes como Índia, Brasil, Turquia ou outros competidores, como por exemplo, a Rússia; tudo isso significaria uma redução da esfera de influência estadunidense em África.

Outro aspecto de longo prazo, que poderia limitar a influência de Washington em África, é o fato de que os Estados Unidos não mudaram seu atual enfoque bilateral a um enfoque regional. Esta visão regional permitiria aos Estados Unidos um maior planejamento em matéria comercial, seguindo as linhas da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, em inglês)29. Não obstante, os Estados Unidos têm potencial de restabelecer suas relações com as nações africanas com base no benefício mútuo e no desenvolvimento da região. Isso faria com que certas potências, como a França, corram perigo de perder seus aliados em África, caso não se adaptem às novas dinâmicas regionais.

Leia mais: série de artigos O tabuleiro africano.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.


1  https://elordenmundial.com/africa-estados-unidos-relaciones/

2  https://prezi.com/c-2dvtmqjcqu/african-american-history-timeline/?frame=f7fbc0c8d559361976251e3fd07d59355f5f51e7

3  https://elordenmundial.com/africa-estados-unidos-relaciones/

4  https://www.worldatlas.com/webimage/countrys/africa/liberia/lrtimeln.htm

5  https://www.oxfordbibliographies.com/view/document/obo-9780199743292/obo-9780199743292-0130.xml

6  https://www.brookings.edu/testimonies/looking-forward-us-africa-relations/

7  https://townhall.com/columnists/marclittle/2019/10/23/stewarding-africaus-relations-choosing-the-right-partner-at-the-right-time-n2555196

8  https://www.brookings.edu/testimonies/looking-forward-us-africa-relations/

9  https://townhall.com/columnists/marclittle/2019/10/23/stewarding-africaus-relations-choosing-the-right-partner-at-the-right-time-n2555196

10  https://publicpolicy.wharton.upenn.edu/live/news/3084-shifting-us-africa-relations

11  https://www.brookings.edu/blog/africa-in-focus/2019/03/04/is-the-us-keeping-pace-in-africa/

12  https://www.brookings.edu/testimonies/looking-forward-us-africa-relations/

13  Ibid.

14  https://www.brookings.edu/blog/africa-in-focus/2018/04/16/competing-in-africa-china-the-european-union-and-the-united-states/

15  https://www.cfr.org/blog/secretary-state-pompeo-completes-trip-africa

16  https://foreignpolicy.com/2017/02/15/trumps-deafening-silence-on-africa/

17  https://www.constructionkenya.com/4227/largest-projects-africa/

18  https://economictimes.indiatimes.com/news/economy/infrastructure/europe-japan-us-uae-prefer-india-for-joint-infrastructure-projects-in-africa/articleshow/66780251.cms

19  https://www.brookings.edu/testimonies/deepening-the-united-states-africa-trade-and-investment-relationship/

20  https://www.npr.org/sections/thetwo-way/2017/10/20/558757043/the-u-s-military-in-africa-a-discreet-presence-in-many-places

21  https://www.forbes.com/sites/dominicdudley/2019/12/16/arms-sales-middle-east-soar/#4f89ed6cfea8

22  https://www.cbsnews.com/news/where-does-the-u-s-have-troops-in-africa-and-why/

23  https://www.politico.com/story/2018/07/02/secret-war-africa-pentagon-664005

24  https://elordenmundial.com/africa-estados-unidos-relaciones/

25  Ibid.

26  https://www.cfr.org/report/enhancing-us-support-peace-operations-africa

27  https://www.voanews.com/usa/us-rethinking-peacekeeping-role-africa

28  https://www.corporatecouncilonafrica.com/news/2020-us-africa-business-summit-announced

29  https://www.brookings.edu/testimonies/looking-forward-us-africa-relations/

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