Análise Semanal da Conjuntura Brasileira Brasil

A gestão da pobreza e o fracasso histórico do petismo

A manobra do “burro” Bolsonaro puxou o tapete dos “inteligentíssimos” petistas, que insistem em não olhar para baixo. Mas por que?

Por Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

O auxílio emergencial estanca a sangria do governo antinacional de Bolsonaro, somada à letargia completa da “oposição”. Fotógrafo desconhecido.
O auxílio emergencial estanca a sangria do governo antinacional de Bolsonaro, somada à letargia completa da “oposição”. Fotógrafo desconhecido.

Para o choque daqueles que vivem no mundo mágico do liberalismo de esquerda, o site Poder360 publicou uma pesquisa no dia 5 de agosto que mostra um cenário de melhora na avaliação do governo Bolsonaro. De acordo com a pesquisa, o índice de aprovação está igualado à desaprovação, em 45%, além de uma melhora de quase 10 pontos, de forma geral, na avaliação do trabalho do presidente. É claro, a mídia liberal apela aos espantalhos e coloca isso na conta do “sumiço” de Jair Bolsonaro, como se a realidade do país girasse em torno das palhaçadas midiáticas do entreguista. A resposta, entretanto, está na realidade concreta.

Com mais duas parcelas do auxílio emergencial liberadas pelo Ministério da Economia e pelo Congresso, o total do auxílio sobe para R$ 3.000 por beneficiário, um valor que é, na conjuntura econômica miserável do país, astronômico, levando em conta que metade da população brasileira, mais de 100 milhões de pessoas, vive com 400 reais por mês. Isso significa um aumento de renda de 50% para metade da população, ou seja, tem um impacto gigantesco na vida de milhões de compatriotas. Obviamente, nada disso compensa a gestão desastrosa do governo federal frente à pandemia, que já resultou em quase 100 mil mortes no país e uma recessão econômica sem precedentes.

Além disso, não podemos esquecer que nada disso chega próximo à farra dos bancos, que receberam R$ 1,2 trilhão, que serão remunerados em mais centenas de bilhões ao serem destinados ao fraudulento esquema da dívida dita “pública”. São patamares quilometricamente distantes: ao povo só resta a esmola (ainda que pareça generosa frente à miséria absoluta), enquanto os banqueiro drenam a riqueza nacional aos montes.

A ascensão de Bolsonaro está diretamente relacionada a tudo isso, e claro, à completa miséria e omissão da “oposição” frente à destruição do patrimônio nacional e as questões centrais do Brasil. O mais grave, entretanto, é que a manobra do “burro” Bolsonaro puxou o tapete dos “inteligentíssimos” petistas, que insistem em não olhar para baixo. Mas por que?

Ora, façamos um cálculo simples: o custo previsto para o auxílio emergencial é de cerca de R$ 254 bilhões, com as duas parcelas adicionais. Para além do efeito imediato já citado anteriormente, o aumento de 50% na renda de dezenas de milhões de pessoas, isso também significa um golpe mortal à retórica “pobretológica” do petismo – o abandono de qualquer perspectiva de transformação estrutural e de libertação nacional, em troca da simples gestão da pobreza através de frágeis programas sociais – pois coloca em cheque o ineditismo e a suposta grandeza dos feitos políticos dos 13 anos de governos Lula e Dilma.

O programa Bolsa Família – que foi fundamental no combate à fome e a miséria no país, porém profundamente insuficiente – somou, de 2004 à 2015, quase R$ 290 bilhões de investimento. Ou seja, em apenas 5 meses, o chicago-boy Paulo Guedes conseguiu distribuir mais renda do que 11 anos do programa social mais importante e mais cultuado pelo petismo. Essa afirmação, é claro, é feita com profundo desgosto: ela evidencia para nós, não o sucesso da política entreguista e anti-nacional de Paulo Guedes (obviamente), mas o completo fracasso histórico dos governos petistas em fazer uma transformação real e duradoura do país. É uma vergonha!

Mas mesmo assim, o liberalismo de esquerda insiste em reduzir sua crítica ao governo ao moralismo, a sua “falta de polidez”, e deixa de lado todo o processo de destruição nacional que se dá no Brasil desde 2014, em que Bolsonaro cumpre papel transitório: a economia, a indústria, o estado brasileiro estão sendo destruídos, dilapidados e pilhados em favor do império decadente. Não se ouve nada sobre isso saindo da boca das lideranças da “esquerda” – tudo se resume ao “mau-caratismo” de Bolsonaro e seus eleitores.

Essa é a maldita herança histórica do petismo. Bolsonaro poderá, em 2022, subir no palanque eleitoral e bradar que seu governo distribuiu mais renda do que Lula e Dilma juntos, os “pais dos pobres” do século XXI! A redução da política à simples gestão da pobreza, ainda mais em um país com desigualdades brutais como o Brasil, significará a condenação eterna de nosso povo a ciclos esporádicos de miséria e consumo, enquanto nossa soberania é destruída pouco a pouco. A redução da pobreza, em um país dependente como o nosso, passa pela libertação nacional, a retomada de nossa soberania, uma transformação radical das formas de propriedade e o fim do rentismo.

O momento é crucial: a desmoralização do governo Bolsonaro é certeira, e até mesmo necessária para o reajuste político liderado pela burguesia rentista. O auxílio emergencial estanca a sangria apenas temporariamente, e será seguido de um profundo ajuste fiscal que jogará, novamente, os custos nas costas do povo. Mas se uma alternativa radical, verdadeiramente nacionalista e anti-sistêmica surgir em nosso campo, o caminho para a vitória estará aberto. Para isso, no entanto, é preciso abandonar as ilusões do liberalismo de esquerda, do petismo, e tocar nos pontos centrais da República Rentista e da ofensiva imperialista contra o Brasil.

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