Análise Semanal da Conjuntura Brasileira

A agenda antinacional segue a todo vapor

Por Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

A negligência do governo antinacional de Jair Bolsonaro deixará para trás uma imensidão de negócios de portas fechadas. Foto via Agência Brasil.
A negligência do governo antinacional de Jair Bolsonaro deixará para trás uma imensidão de negócios de portas fechadas. Foto via Agência Brasil.

A agenda antinacional de Paulo Guedes, que visa jogar todo o peso da profunda crise econômica – além da própria crise sanitária, que graças à negligência do governo e sua subordinação tosca ao discurso estadunidense já nos custou 77.000 vidas brasileiras – nas costas dos trabalhadores segue a todo vapor e sem nenhum empecilho.

Os dados da arrecadação do estado de São Paulo, ainda que não representem a totalidade do país, apontam para uma grave situação da economia nacional, já que grande parte da moribunda indústria brasileira ainda se concentra nesta região. Segundo o último relatório da Receita Tributária, a arrecadação de São Paulo no mês de junho manteve a monstruosa queda que, apesar de constante desde o ano de 2014, quando se coloca em marcha a ofensiva imperialista no Brasil, se acentuou com a crise do coronavírus, registrando uma redução da arrecadação do ICMS de 13,8% em relação a junho de 2019, e uma queda acumulada total de 8,3% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Isso só acirra cada vez mais a crise federativa oriunda do endividamento dos estados, já citada anteriormente, que explica o embate político entre Bolsonaro e os governadores. Segundo os dados econômicos, essa tendência se mantém e não há nenhum horizonte de resolução a curto prazo.

Além disso, o IGBE divulgou um estudo no dia 16 de julho cujos dados evidenciam bem como os grandes afetados pela crise são os pequenos e médios empresários, enquanto as grandes empresas continuam praticamente intocadas.

Gráfico 1: Situação das empresas, em % do total, por faixa de pessoal ocupado. Imagem via IBGE.
Gráfico 1: Situação das empresas, em % do total, por faixa de pessoal ocupado. Imagem via IBGE.

No gráfico 1 fica claro que a paralisação e encerramento das atividades econômicas ficou praticamente restrita às pequenas e média empresas, enquanto aquelas que empregam mais de 500 funcionários se mantiveram abertas, com quase nenhuma falência. No caso das pequenas empresas, 39% das falências foram em decorrência da pandemia, enquanto no caso da médias, essa faixa chega a 74%. Segundo estudo, 522,7 mil empresas encerraram suas atividades na primeira quinzena de junho, e como vimos, em grande parte de pequeno ou médio porte. Os setores mais atingidos foram os de serviços, comércio, construção e indústria.

Gráfico 2: Empresas que adiaram o pagamento de impostos, por faixa de pessoal ocupado. Imagem via IBGE.
Gráfico 2: Empresas que adiaram o pagamento de impostos, por faixa de pessoal ocupado. Imagem via IBGE.

A diferença de amparo do governo entre as pequenas e grandes empresas também é gritante: quase metade dos pequenos negócio adiaram o pagamento de impostos sem apoio do governo (gráfico 2), enquanto esse número cai para cerca de um quarto no caso das médias e grandes empresas. No caso das linhas de crédito emergenciais, 32% das pequenas e 20% das médias os acessaram sem apoio do governo, mostrando o fracasso da política de Paulo Guedes de liberar trilhões para os bancos, que não chegam nas mãos dos pequenos empresários através do mercado de crédito, mas irão diretamente ao saco sem funda da dívida dita “pública”.

Outro dado importante diz respeito às demissões de funcionários: apesar da margem relativamente próxima, as médias e grandes empresas foram a que mais demitiram (45,4% e 37,2%, respectivamente), ainda que sejam comparativamente as que menos foram afetadas pela crise. É outra demonstração clara de que o lucro dos grandes empresários segue sendo mantido às custas da vida dos brasileiros. E claro, evidencia a catástrofe econômica atual, com demissões em quase metade das empresas do país – um aumento brutal das taxas de desemprego.

Em meio a esse cenário, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda publicou um estudo que traça a profunda crise econômica atual, indicando algumas medidas a serem tomadas, como a ampliação do crédito (que na prática de Guedes, significará mais dinheiro “empoçado” nos bancos e no saco sem fundo da dívida “pública”), desonerações (como mostra o estudo do IBGE, direcionado apenas aos mega-empresários e banqueiros), modernização da lei de falências e “medidas que melhorem a mobilidade no mercado de trabalho” – em outras palavras, o chicote no lombo do povo, aumento brutal da superexploração do trabalho e arrocho salarial.

Toda essa agenda, como sabemos, não sofrerá nenhuma resistência no Congresso Nacional, o covil de ladrões e traidores da pátria, e veremos, nos próximos meses, uma queda generalizada da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Só poderemos combater essa realidade através de uma nova radicalidade política que exponha a podridão do rentismo e supere as ilusões do liberalismo de esquerda.

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