EUA

Qual país é o mais totalitário?

Por Eric Zuesse, via Strategic Culture Foudation, tradução por Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

Policiais bloqueiam a Manhattan Bridge durante os protestos contra a violência policial em Nova Iorque, após o toque de recolher entrar em vigor na cidade, em 2 de junho de 2020. Foto por Scott Heins.
Policiais bloqueiam a Manhattan Bridge durante os protestos contra a violência policial em Nova Iorque, após o toque de recolher entrar em vigor na cidade, em 2 de junho de 2020. Foto por Scott Heins.

Seria o país com a maior porcentagem de seus cidadãos presos do que em qualquer outro? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país que processa um ente por assassinar 196 de seus cidadãos mas o proíbe de fornecer evidências de sua inocência? Essa é a Holanda.

Seria o país que rouba um bilhão de dólares em barras de ouro do governo da Venezuela? Esse é o Reino Unido.

Seria o país que processa um ente por tentativa de assassinato de um de seus cidadãos, mas recusa que este ente forneça evidências de sua inocência e aprisiona a suposta vítima, bloqueando-a de se comunicar e receber informações públicas, talvez tendo até mesmo secretamente a assassinado e ocultado seu cadáver, tudo isso para impedir tal comunicação? Esse é o Reino Unido.

Seria o país que aprisionou um cidadão australiano desde dezembro de 2010 e o manteve em solitária e sem o devido cuidado médico desde 8 de abril de 2020 (“preso originalmente por 50 semanas em maio de 2019 por romper as condições da fiança” mas não foi libertado, e sim transferido para solitária), sendo que este cidadão nunca foi condenado a nada além de violação da fiança, que nem mesmo havia ocorrido até ele já estar aprisionado por mais de 9 anos neste país estrangeiro – sem nenhum tipo de julgamento? Esse é o Reino Unido.

Seria o país que retaliou um grande jornalista investigativo escocês que relatou honestamente o caso de perseguição judicial contra um australiano, anteriormente mencionada, assim como outro horror judicial (contra um líder o movimento separatista escocês), acusando-o de “desacato ao tribunal” por suas investigações terem supostamente causado o fracasso das acusações criminais contra este separatista escocês? O jornalista afirmou, “o estado acredita que finalmente encontrou uma forma de me colocar na prisão sem o inconveniente empecilho de um júri de meus pares. O desacato é decidido apenas por um juíz. É extraordinário que você pode ser preso por dois anos sem nenhuma proteção do júri e nenhuma prova indubitável; e por capricho de um juiz que defende o que considera a dignidade de seu próprio cargo. Esse é um belo exemplo de má legislação. Usá-la contra a liberdade de expressão é repugnante”. As leis do país existem apenas para manter a espoliação da população pelos aristocratas. Esse é o Reino Unido.

Seria o país que exigiu ao Reino Unido que mantivesse aquele cidadão australiano preso, até que ele morra por lá ou seja enviado para morrer em uma prisão estadunidense? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país consistentemente com o pior histórico de perseguição a vazadores internacionais – vazadores (como aquele australiano) de grandes violações do direito internacional? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país que ordena aos advogados de uma vítima de pedofilia do mais famoso “cafetão” e estuprador de menores de idade do mundo, ligado a figuras proeminentes do país, que “destruam” certas evidências contra o próprio estuprador de sua cliente? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país que pesquisas internacionais apontam ser considerado a maior ameaça à paz mundial do que qualquer outro? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país que, após o final da Segunda Guerra Mundial, assassinou ou apoiou o assassinato, entre 1945 e 2007 (sem contar os episódios mais recentes, como na Síria e Iêmen), de “entre 20 e 30 milhões de pessoas em guerras e conflitos espalhados pelo mundo”? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país com o gasto militar equivalente a todas as outras nações do mundo combinadas? Esses são os Estados Unidos.

Seria o país cuja Suprema Corte decidiu no dia 15 de junho que nenhum promotor no país poderá ganhar um caso contra um policial, ao menos que o advogado do acusado esteja disposto a condená-lo – nem mesmo caso o policial tenha incontestavelmente baleado um pedestre, ou até mesmo caso tenha assassinado uma pessoa completamente inocente? Esses são os Estados Unidos e sua Suprema Corte.

Seria o único país que foi examinado cientificamente para determinar se é uma democracia ou uma ditadura – e concluiu-se que é um país no qual “as preferências do cidadão comum parecem ter um impacto minúsculo, quase-zero, estatisticamente insignificante sobre as políticas públicas” (uma frase que define cientificamente muito bem uma “ditadura”), e apenas as preferências dos mais ricos e bem-conectados têm qualquer impacto significativo e aferível na definição das políticas e leis do governo (o que define muito bem qual grupo constitui os ditadores deste país)? Esses são os Estados Unidos.

Quantos outros indicadores são necessários, então, para defender consistentemente que os Estados Unidos da América de hoje podem ser legitimamente considerados o país mais totalitário do mundo?

Mesmo que apenas um país tenha sido analisado cientificamente para determinar se é uma democracia ou ditadura, as taxas de encarceramento têm sido publicadas por 223 países; e todo ano, os Estados Unidos aparecem com as maiores porcentagens de sua população em prisões. Há algum dado mais fidedigno para definir se um país é uma ditadura do que este?

A pena de morte é algo incomum atualmente em todos os países, de forma que as penas legais são em grande parte de prisões, e não execuções. Além disso, países em guerra civil, como o Sudão, possuem taxas consideravelmente baixas de encarceramento, pois praticamente toda violência por lá ocorre em campos de batalha. Estes países estão em guerra, mas não são necessariamente mais ditatoriais que os Estados Unidos. Eles podem ser, talvez, mais violentos, mas não necessariamente totalitários.

Por outro lado, os Estados Unidos possuem altas taxas de crimes violentos e também as maiores taxas de encarceramento do mundo; e, ainda que os estudos científicos não tivessem mostrado que o país seja uma ditadura, existem sim argumentos razoáveis para definir os Estados Unidos como totalitários, ainda que não necessariamente o país mais totalitário do mundo (o qual poderiam ser diversos outros, como o Reino Unido ou a Holanda). E mesmo assim, apesar desta realidade, os Estados Unidos têm a arrogância e a audácia de pontificar todo o rentante do mundo sobre “democracia” e “direitos humanos”, e recusa-se a permitir que a Corte Penal Internacional investigue seus supostos crimes de guerra e flagrantes violações de direitos humanos básicos, além de suas diversas invasões em países estrangeiros baseadas em mentiras, que podem ser consideradas também crimes de guerra internacionais. Mas não seriam exatamente essas mentiras e hipocrisia que poderíamos esperar por parte dos Estados Unidos, caso sejam o país mais totalitário do mundo? Não é esse claramente o caso? A conclusão, portanto, parece inevitável: o país mais totalitário do mundo são os Estados Unidos da América.

Além disso, existem outras evidências estatísticas consideráveis que parecem inconsistentes com a afirmação de que os Estados Unidos são uma “democracia”; e, também, na última pesquisa internacional com residentes de 53 países em relação à porcentagem que afirma que seu país é democrático, os Estados Unidos ficaram no 38º lugar, com apenas 29%; enquanto os cinco primeiros da lista foram: Taiwan, Dinamarca, Suíça, Coréia do Sul e China. De alguma forma, esses países ficaram no topo, ainda que nenhum deles pontifique o restante do mundo sobre “democracia” e “direitos humano”. Seria a humildade algo estranho ao regime estadunidense?

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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