Análise Semanal da Conjuntura Brasileira Brasil

A pandemia e a recolonização do Brasil

O número de contágios de Covid-19 já passou dos 1.700.000, e os mortos já chegam nos 70.000. São 70.000 brasileiros, 70.000 trabalhadores cuja morte é fruto do completo descaso da burguesia em relação à vida de nossos compatriotas.

Por Eduardo Pessine, revisão de Flávia Nobre

O fantoche norte-americano que ocupa o cargo de presidente do Brasil vergonhosamente participou da comemoração da Independência dos EUA, em uma tosca demonstração de vira-latismo. Será que Donald Trump comemorará o 7 de setembro? Foto por Carolina Antunes.
O fantoche norte-americano que ocupa o cargo de presidente do Brasil vergonhosamente participou da comemoração da Independência dos EUA, em uma tosca demonstração de vira-latismo. Será que Donald Trump comemorará o 7 de setembro? Foto por Carolina Antunes.

Há um mês atrás, publicamos nossa análise semanal da conjuntura brasileira onde afirmamos que a burguesia “brasileira” havia feito uma escolha, e a imposto ao povo brasileiro: em meio à pandemia de coronavírus, seus lucros seriam salvos, mesmo que ao custo de milhares de vidas brasileiras. Passados mais de 30 dias, as consequências desta decisão ficam cada vez mais evidentes e essa afirmação prova-se cada vez mais acertada.

Naquela semana, o Brasil apresentava cerca de 800.000 casos confirmados de Covid-19 e 40.000 mortes decorrentes da doença – uma situação já calamitosa, e à semelhança de nossa metrópole, os Estados Unidos. Obviamente que, àquela altura, já experimentávamos o início da emergência sanitária, fruto da decisão sanguinária e antinacional da burguesia “brasileira”, mas um mês depois, a situação é ainda mais escandalosa. O número de contágios já passou dos 1.700.000, e os mortos já chegam nos 70.000. São 70.000 brasileiros, 70.000 trabalhadores cuja morte é fruto do completo descaso da burguesia em relação à vida de nossos compatriotas.

Os mesmos que se horrorizaram com as dezenas de milhares de mortes na Europa, atuam em função do genocídio do povo trabalhador brasileiro. Isso não é coincidência: a burguesia “nacional” é, na verdade, um grupo de estrangeiros exploradores, que odeiam nosso povo e tudo relacionado a nós. Empurram o povo à morte, pois nem mesmo vivem em terras brasileiras – dormem confortavelmente em suas mansões na Flórida decadente.

Enquanto isso, a catástrofe econômica segue seu rumo: já são mais de 38 milhões de desempregados no país que estão praticamente impossibilitados de procurar emprego, tanto pela pandemia em si, quando por seus efeitos econômicos. Uma grande parte dessa massa de desempregados aderiu aos aplicativos de entregas, uma das mais brutais e exploradoras formas de trabalho do mundo contemporâneo. As péssimas condições desse trabalho, ao que tudo indica, não passarão batidas pela vontade de luta do povo brasileiro: tivemos no dia 1º de julho a maior greve da história da categoria e manifestações em diversas cidades. Mesmo com a completa inércia dos partidos hegemônicos – que também se recusa a denunciar os recentes vazamentos do escândalo do Banestado, que expõem as vísceras da República Rentista – o povo trabalhador brasileiro mostra que não aceita a ofensiva burguesa e antinacional de braços cruzados.

Mas a situação é gravíssima. No contexto da catastrófica emergência sanitária, sob a liderança de um mero fantoche estadunidense, o Brasil corre sérios riscos e sofre graves humilhações. Ocupamos, ao lado dos Estados Unidos, o pódio do descaso total em relação à sua população em prol dos lucros. Os agentes da recolonização brasileira – como o traidor Jair Bolsonaro, a casta de generais entreguistas e a força-tarefa antinacional da Lava-Jato – perdem cada vez mais o pudor frente a total ausência de oposição à destruição nacional.

Neste grave momento em que vivemos, Jair Bolsonaro participou da comemoração da independência dos Estados Unidos, que encabeça o império que condena o Brasil à condição de colônia financeira, nosso principal inimigo geopolítico, de maneira vergonhosa. É mais uma demonstração vil do completo desprezo de Bolsonaro à nação brasileira, colocando-nos de joelhos ao imperialismo americano.

Enquanto o povo brasileiro morre em consequência de sua desastrosa gestão da pandemia, o traidor antinacional Jair Bolsonaro se veste de astronauta como um verdadeiro bobo-da-corte para os dirigentes do império. Foto por Carolina Antunes.
Enquanto o povo brasileiro morre em consequência de sua desastrosa gestão da pandemia, o traidor antinacional Jair Bolsonaro se veste de astronauta como um verdadeiro bobo-da-corte para os dirigentes do império. Foto por Carolina Antunes.

É necessário retomar os rumos da nação brasileira e traçar um caminho independente e profundamente anti-imperialista à nossa política externa e econômica. Para isso, precisamos de um movimento de libertação nacional, uma grande mobilização do povo brasileiro para a retomada de nossa industrialização e desenvolvimento da tecnologia nacional, juntamente a um amplo projeto de geração de empregos e de reconstrução dos serviços públicos privatizados e roubados pela burguesia “nacional” e estrangeira.

Só desta forma poderemos colocar o estado nacional em direção ao bem-estar do povo brasileiro, e não à manutenção da rapina das riquezas brasileiras por meia-dúzia de banqueiros através do fraudulento sistema da dívida pública, sem nenhum retorno ao Brasil.

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