Brasil

A uberização da classe trabalhadora

Via Gazeta Revolucionária

O ‘breque dos apps’ que ocorreu no dia 1º de julho, na Avenida Paulista, São Paulo. Foto via Folhapress.
O ‘breque dos apps’ que ocorreu no dia 1º de julho, na Avenida Paulista, São Paulo. Foto via Folhapress.

Segundo a última pesquisa do IBGE, mais da metade da classe trabalhadora brasileira já está desempregada. Isto significa que o trabalhador não pode vender aquilo que o capitalismo transformou em mercadoria, sua força de trabalho.

Apenas 49,5% das pessoas com idade de trabalhar estavam ocupadas no trimestre encerrado em maio. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada na manhã desta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A precarização do trabalho vem de décadas, mas no momento da maior crise do capitalismo tomou proporções absurdas. O trabalhador se transformou em um PJ (Pessoa Jurídica) ou em um simples cadastrado a um aplicativo. Ele geralmente não é o proprietário dos meios de produção e distribuição, embora assuma a responsabilidade por estes e pela distribuição.

Ele trabalha para várias empresas ao mesmo tempo, para o restaurante, para a farmácia, para sindicato, para qualquer empresa, mas ninguém lhe dá garantias de nada, nem o Estado. A este processo chamamos de uberização, porque é exatamente a relação de trabalho que existe da Uber com seus explorados.

Esse trabalhador chegou a tão alto grau de precarização que se assemelha ao do século 18 e 19, onde as jornadas de trabalhos só não ultrapassavam as 24h devido ao limite de tempo por dia, mas por incrível que pareça tem trabalhadores nestes aplicativos que são obrigados a virar as 24 horas.

Nunca na história seres humanos foram colocados em situação parecida. Até na escravidão que foi um dos sistemas mais deploráveis que já existiu o escravo tinha alimentação e tempo para descanso, se ficava doente era tratado para não morrer porque isso seria prejuízo para seu dono. Hoje se um motoqueiro que está fazendo entrega sofre um acidente fica a deus dará, não tem direito nenhum.

Os operadores do grande capital internacional no Brasil, deram um jeito de destruir boa parte da legislação trabalhista e previdenciária, isso beneficiou em grande medida que estas empresas que operam por aplicativos levassem os trabalhadores a um servilismo nunca antes visto.

Assista ao vídeo “Greve dos entregadores de APPs mostra o caminho da luta!

E ainda pretendem piorar, diversas leis estão em tramitação no Congresso Nacional e no Senado para retirar mais direitos e outras tantas estão sendo aprovadas para reprimir qualquer tipo de manifestação social e trabalhista.

Apesar de toda fragmentação que o capital tem conseguido semear entre a classe trabalhadora, onde cada um, de início, começou a entender-se como empreendedor, um eufemismo para esconder a superexploração, tudo tem um limite. E quando milhões começam a perceber que a situação é insustentável criam uma identidade que os move para determinados propósitos.

Foi o que aconteceu no dia 01 de julho deste ano quando milhares de trabalhadores de APPS paralisaram suas atividades e fizeram manifestações por diversas cidades.

Então temos uma nova situação surgindo, enquanto aquele trabalhador de carteira assinada, horário fixo de trabalho e alguns direitos assiste a uma grande retirada de direitos, com seus sindicatos completamente apelegados e paralisados, os que estão na ponta da precarização, sem mais nada a perder são levados à luta e a um movimento muito superior. Às simples e esvaziadas assembleias das campanhas salariais convocadas ao som de libélulas dos grandes aparatos sindicais.

Enfim está chegando a hora da impossibilidade dos traidores da classe construírem suas vidas sob a conciliação entre as classes. A radicalização do capital em crise leva à radicalização do movimento de massas. E uma radicalização que pode levar à revoluções porque não vai restar outra coisa aos trabalhadores, eles não terão nada a perder a não ser seus grilhões.

O período da contrarrevolução capitalista pode estar com os dias contados, com os polos opostos se afastando.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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