EUA

Os Estados Unidos repreendem o mundo, enquanto sua polícia mata negros impunemente

Os protestos nos Estados Unidos estão sendo reprimidos brutalmente, enquanto a política externa estadunidense supostamente se orienta à defesa dos Direitos Humanos, os mesmos que não são respeitados dentro de seu próprio território.

Por Finian Cunningham, via Strategic Culture Foundation, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

Os protestos contra a violência policial nos Estados Unidos estão sendo reprimidos brutalmente, enquanto a política externa estadunidense supostamente se orienta à exportação dos Direitos Humanos, os mesmos que não são respeitados dentro de seu próprio território. Foto por Nicholas Pfosi.
Os protestos contra a violência policial nos Estados Unidos estão sendo reprimidos brutalmente, enquanto a política externa estadunidense supostamente se orienta à exportação dos Direitos Humanos, os mesmos que não são respeitados dentro de seu próprio território. Foto por Nicholas Pfosi.

“Ser negro nos Estados Unidos não deveria ser um sentença de morte”. Assim disse o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, após o assassinato brutal de George Floyd por um policial nas ruas de Saint Paul.

Floyd, que tinha 46 anos, foi filmado por testemunhas algemado e imobilizado contra o asfalto, enquanto um policial pressionava o joelho contra seu pescoço por oito minutos. Apesar dos apelos desesperados de Floyd de que não conseguia respirar e a indignação dos presentes ao redor, o policial assassinou-o sufocado.

Quatro policiais foram supostamente demitidos após a revolta contra o assassinato de Floyd. Minneapolis e outras cidades presenciaram rebeliões por algumas noite após o incidente no dia 25 de maio. Filmagens mostraram que a vítima não estava resistindo à prisão como os policiais alegavam anteriormente. Ele foi detido sob suspeita de usar uma nota falsificada de 20 dólares em um restaurante. Tal excesso de uso da força pela polícia – mesmo se as acusações de falsificação fossem verdadeiras – é escandalosamente desproporcional.

Evidentemente, George Floyd foi assassinado por um policial branco, na rua, em plena luz do dia. O verdadeiro “crime” da vítima foi ser negro.

Estudos sobre dados oficiais mostram consistentemente que homens negros estadunidenses, proporcionalmente à população, são muito mais propensos a morrerem em abordagens policiais em comparação com seus pares brancos.

O caso de George Floyd é cruelmente semelhante ao de Eric Garner, que foi morto sufocado por um policial na cidade de Nova Iorque em 2014. Garner foi detido sob a suspeita de venda de cigarros contrabandeados na rua. Ele também implorou por misericórdia durante o estrangulamento, dizendo aos policiais que não conseguia respirar, antes de ser sufocado até a morte.

A maioria das mortes, no entanto, pelas mãos de agentes de segurança, são causadas por armas de fogo. Invariavelmente, a desculpa repetida é de que o agente “sentiu que sua vida estava sendo ameaçada” pela vítima. Philando Castile foi morto a tiros ao lado de seu carro parado em julho de 2016, com alegação do policial de que Castile moveu sua mão de forma suspeita. Isso foi após a vítima dizer calmamente ao policial de que carregava uma arma de fogo no carro, como forma de alertá-lo contra qualquer erro fatal.

A grande maioria dos policiais acusados desses tipos de assassinatos racistas nunca são processados, ou nem mesmo exonerados.

Michael Brown, um adolescente, foi morto a tiros em Ferguson, no estado de Missouri em 2014, ainda que testemunhas tenham dito que eles estava com suas mãos para cima quando confrontado pelo policial. O assassino não foi nem mesmo processado, após o júri aceitar sua alegação de legítima defesa.

Tamir Rice, um jovem de 12 anos, foi morto a tiros por dois policiais em Cleveland, no estado de Ohio em 2014, sob a suspeita de segurar uma arma de fogo enquanto brincava em um parquinho infantil. Revelou-se que o garoto carregava uma arma de brinquedo. Os assassinos não sofreram nenhum processo.

Essa impunidade institucionalizada para os policiais inevitavelmente se espalha amplamente para a sociedade. A suspeita racista de negros envolvidos em crimes é invocada repetidamente por justiceiros auto-proclamados e armados.

No começo deste ano, em fevereiro, Ahmaud Arbery foi assassinado a tiros enquanto se exercitava em Brunswick, Georgia. Seus agressores, pai e filho brancos, suspeitaram que ele estava envolvido em uma invasão domiciliar na região. Filmagens mostram claramente que a vítima estava desarmada e com roupas de corrida. Entretanto, ele foi morto a tiros por pai e filho, um dos quais é ex-policial.

Outro caso notório é o de Trayvon Martin, um adolescente que foi perseguido e morto a tiros em 2012 por um justiceiro de um bairro na Flórida, novamente sob a suspeita de ter cometido um assalto.

A verdade cruel é que o assassinato de negros estadunidenses é tão comum hoje quanto foi durante o período do apartheid nos estados do Sul e das leis segregacionistas Jim Crow que existiram há pouco tempo atrás. O Ku Klux Klan pode não estar mais queimando cruzes abertamente ou arrastando corpos de vítimas com caminhonetes pelas ruas até dilacerá-los, já que leis de igualdade racial desde os anos 1960 trouxeram uma aparência de equidade em termos de direitos e proteção jurídica.

Mas no mundo real da sociedade dos Estados Unidos, os negros ainda são sistematicamente mais pobres, mais desempregados, mais enfermos, discriminados e desprovidos. A pandemia de coronavírus que devastou o país – mais de 100.000 mortos em quatro meses – está afetando desproporcionalmente os negros devido às suas condições de vida deterioradas.

Ser alvejado e estrangulado por policiais ou justiceiros, que saem impunes, é parte do racismo sistemático que relega os negros e outras minorias ao mais baixo degrau dos trabalhadores pobres.

Uma manifestação sinistra deste fato foi o incidente na última semana no Central Park em Nova Iorque, quando uma mulher branca ligou histericamente à polícia, alegando que sua vida estava sendo ameaçada por um homem negro. O homem havia simplesmente pedido à mulher para encoleirar seu cachorro, de acordo com as regras do parque. Filmagens de uma testemunha mostraram que ela não foi desrespeitada de forma alguma durante a discussão. Evidentemente, ela acusou falsamente o homem de más intenções e, além disso, sentiu arrogantemente que sua voz seria apoiada pela polícia contra um homem negro.

Caso os policiais tivessem chegado rapidamente à cena, possivelmente o homem teria sido morto a tiros por resistir à prisão ou sob suspeita de ameaçar suas vidas com o binóculo que carregava. Porque, a realidade é que ser negro nos Estados Unidos é uma sentença de morte.

E mesmo assim, os políticos e a mídia estadunidense ousam repreender e sancionar a China, Rússia, Cuba, Irã, Venezuela, e outros países em relação aos direitos humanos.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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