América Latina

Os precedentes em Cuba da operação Gedeón

A DEA, que emprega mais de dez mil pessoas para combater o tráfico de drogas, serve também com frequência para o encobrimento de propósitos imperialistas do governo dos Estados Unidos na América Latina e em outras partes do mundo.

Por Manuel E. Yepe, via Rebelión, tradução de Eduardo Pessine

Membros do Partido Comunista da Índia marchando em direção à embaixada estadunidense em manifestação contra a intervenção em Cuba, durante a invasão da Baía dos Porcos, em 21 de abril de 1961. Foto por Central Press.
Membros do Partido Comunista da Índia marchando em direção à embaixada estadunidense em manifestação contra a intervenção em Cuba, durante a invasão da Baía dos Porcos, em 21 de abril de 1961. Foto por Central Press.

O parcial ou total fracasso da operação Gedeón contra a Venezuela terminou com um número significativo de mercenários capturados, incluindo um agente confesso da DEA (Agência de Controle de Drogas dos EUA), agência supostamente dedicada à luta contra o contrabando e o consumo excessivo de drogas.

A DEA, que emprega mais de dez mil pessoas para a implementar seus objetivos e combater a lavagem de ativos vinculados ao tráfico de drogas, serve também com frequência para o encobrimento de propósitos imperialistas do governo dos Estados Unidos na América Latina e em outras partes do mundo.

Essa nova vitória das Forças Militares Bolivarianas e do povo venezuelano constituiu um novo fracasso da política neocolonial de Donald Trump, consistente em criar focos de violência em distintos estados venezuelanos e em sua capital, Caracas, tendo como pano de fundo sistemáticas campanhas de mentiras através dos meios hegemônicos de comunicação que visam propagar a desordem para impossibilitar a governabilidade.

A idéia é criar uma matriz de opinião que retrate a Venezuela como um país ingovernável, obrigando seu presidente, Nicolás Maduro, a pedir apoio da OEA (Organização dos Estados Americanos), do TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) e assim aprovar uma intervenção militar humanitária em seu país.

Não é surpresa que o presidente Trump e seus funcionários tenham negado a participação de Washington na fracassada incursão marítima. Eles sabem que seria contraditório e inaceitável que o governo estadunidense apareça vinculado a mercenários e narcotraficantes. Tal cenário não é compatível com a imagem que buscam projetar frente a opinião pública interna e externa, e muito menos admitir agora esse escandaloso fracasso.

Por esse motivo Mike Pompeo disse à imprensa, em sua defesa, que “se estivessemos por trás destas ações o resultado teria sido diferente”, omitindo qualquer comparação da humilhante derrota estadunidense ao ocorrido no Vietnã na década de 1970.

Algo parecido foi feito pelo embaixador dos EUA na ONU, Adlai Stevenson, no dia 15 de abril de 1961, quando negou qualquer vínculo do país com os bombardeios de aviões mercenários contra Cuba. O chanceler cubano à época, Raúl Roa, o desmascarou, quando noticiou mundialmente que os mercenários a serviço de Washington haviam sido rendidos por tropas cubanas quando haviam transcorrido apenas 64 horas do desembarque dos invasores na Baía dos Porcos. Stevenson fez um gesto ético e reconheceu que aquela era a maior humilhação sofrida pelo governo, gesto ético esse que não se pode esperar de Trump nem de Pompeo.

Mas agora que o tiro saiu pela culatra para Trump, que aparentemente não sabia que o narcotraficante e agente da DEA, José Alberto Socorro Hernández, conhecido como “Pepero” havia sido preso em Caracas e confessado as instruções recebidas para realizar diversas ações violentas no estado de Miranda, que foram levadas a cabo por grupos de narcotraficantes e bandidos orientados pela DEA e que, segundo Pepero, tinham o objetivo de desviar a atenção dos serviços de segurança venezuelanos e abrir caminho para o plano de ataque iniciado no dia 3 de maio em Macuto, no estado de Guaira.

Não se deve estranhar que o governo dos Estados Unidos tenham utilizado a DEA para realizar essas ações, tampouco que tenha desempenhado um papel de vanguarda na Operação Gedeón. Caso ela resultasse bem, haveríam aplausos, caso terminasse mal, desqualificariam seu agente. Por isso não utilizaram um estadunidense, mas sim o agente-narcotraficante e contrarrevolucionário venezuelano Pepero, vinculado aos cartéis colombianos que operam em Zulia, na fronteira com a Alta Guajira venezo-colombiana, território que esteve sob domínio do poderoso chefe do Bloco Norte dos narcoparamilitares, Rodrigo Tovar Pupo, extraditado por Álvaro Uribe Vélez em 2008, que afirmou na prisão que foi traído pelo ex-presidente colombiano.

A instalação de 10 bases militares estadunidenses na Colômbia em acordo oficial com o governo de Barack Obama é uma humiliação ao seu povo e uma ameaça regional. Levará anos para que os colombianos eliminem essa ocupação militar ianque. Guantánamo é um exemplo, ilegalmente ocupada e denunciada em todos os fóruns internacionais cujos acordos são desrespeitados e violados descaradamente.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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