Ásia

Socialismo e democracia na Coreia Popular

Via Write to Rebel, tradução de Eduardo Pessine

Eleitores fazem fila para votar na ‘Fábrica de Cabos 3.26 de Pyongyang’ durante as eleições para a Assembléia Popular Suprema, no dia 10 de março de 2019. Foto via AFP.
Eleitores fazem fila para votar na ‘Fábrica de Cabos 3.26 de Pyongyang’ durante as eleições para a Assembléia Popular Suprema, no dia 10 de março de 2019. Foto via AFP.

A República Popular Democrática da Coréia (RPDC) é continuamente taxada como vilã na política internacional. O “reino ermitão” é pintado como tirânico, repressivo e dinástico. Neste ensaio, busco argumentar o contrário: a Coreia do Norte é um país profundamente democrático, e isso é um reflexo de seus valores socialistas.

Ao contrário do senso comum, eleições de fato acontecem na RPDC. A mídia burguesa, como a AJ English, admite isso. No entanto, eles retratam as eleições de uma forma incrivelmente desonesta. Uma reportagem alegou que as eleições consistem apenas de um voto de “sim ou não” em um único candidato selecionado pelo partido, feito publicamente, e com o voto “não” requerindo uma explicação por escrito1. Isso é no mínimo uma meia-verdade e no máximo completamente falso. Aqui, irei argumentar de que a RPDC é democrática, e suas eleições são uma das razões para isso.

Antes de começarmos, no entanto, precisamos definir o que é, de fato, democracia. Para tal, acho que devemos retornar à palavra em si. Demos significa povo, enquanto -krata significa governo. Democracia deve então, significar governo do povo. É assim que o portal dictionary.com define o termo. Nele se escreve que democracia é “o governança pelo povo; uma forma de governo na qual o poder supremo é constituído no povo e exercitado diretamente por ele ou por seus agentes eleitos sob um sistema eleitoral livre”2. A democracia é uma sociedade na qual a maioria das pessoas têm a habilidade de tomar decisões sobre suas vidas política e social. Mas meu uso do dicionário aqui não é feito no sentido de sugerir que os dicionários são as autoridades supremas para definições. Eu faço seu uso simplesmente para evitar acusações de que minha definição de democracia é ideológica. Eu não inventei a definição de democracia que inclui a RPDC porque quero forçá-lo a considerá-la democrática. Utilizei uma fonte mainstream cuja agenda política é diametralmente oposta a minha.

A RPDC realiza eleições regionais, municipais e provinciais para as assembléias populares locais, assim como eleições nacionais para a Assembléia Popular Suprema (APS), seu legislativo. Estas são celebradas a cada cinco anos.

Os candidatos são escolhidos em grandes reuniões realizadas sob a Frente Democrática pela Reunificação da Pátria, que também organiza os partidos políticos na RPDC. Os cidadãos concorrem por esses partidos ou podem concorrer como independentes. Eles são escolhidos pelo povo, não pelo “partido” (na verdade, o atual parlamento da RPDC consiste em três partidos diferentes, o Partido dos Trabalhadores da Coreia, o Partido Social-Democrata Coreano e o Partido Chondoista Chongu)3.

O fato de que existe apenas um candidato na cédula de votação é justificado pelo povo já ter chegado a um consenso sobre quem deve ser nomeado para tal posição através das grandes reuniões. Esse é um modelo verdadeiramente democrático, já que coloca o poder diretamente nas mãos do povo ao contrário de colocá-lo nas mãos de “representantes” endinheirados que não fazem a menor idéia da realidade da maioria da população. De acordo com uma reportagem, a renda média de um membro do congresso estadunidense é 14 vezes maior do que de um cidadão comum4. Para eles, é simplesmente impossível compreender as dificuldades das massas. Na RPDC, em contraste, as massas advogam diretamente a si próprias. Eles compreendem seus próprios interesses e são capazes de avançá-los abertamente. É isso que uma democracia real pressupõe.

A RPDC também permite a participação de observadores estrangeiros em suas eleições. As pessoas votam em salas separadas, o que garante sua privacidade. As grandes reuniões requerem a participação das massas populares, então não são secretas, nem devem ser, já que isso impediria o processo democrático e dificultaria aos deputados abordarem diretamente as necessidades e demandas populares. Elas são mais do que meros votos, são reuniões onde é dada a voz e o poder ao povo para impactar seu sistema político de uma forma significativa.

O Comitê Central Eleitoral é composto por membros da APS, do Partido dos Trabalhadores da Coreia e do presidium. Ele é formado pelo voto do presidium. A RPDC demonstra uma extensa estabilidade política e eu desconheço ocasiões em que os candidatos escolhidos pelo povo foram vetados por qualquer parte do processo democrático. As eleições são efetivamente uma forma de impedir qualquer corrupção do processo democrático que possa ocorrer durante as grandes reuniões. É esperado então, que os resultados demonstrem amplo apoio já que um voto “não” indica que as reuniões fracassaram em alcançar um consenso com apoio popular5.

Aqui, vemos a profunda diferença entre as eleições na RPDC e nos Estados Unidos. As eleições estadunidenses são projetadas para dar a mera ilusão de participação popular no governo. É dada aos cidadãos, efetivamente, a escolha entre dois candidatos onde ambos representam os interesses dos grandes empresários. É virtualmente impossível romper com o sistema bipartidário, a não ser que alguém seja individualmente rico. Ross Perot, por exemplo, apenas foi capaz de concorrer em 1992 contra bilionários devido ao seu próprio status de bilionário6. Ele só conseguiu romper com o sistema bipartidário imposto pelo capitalismo corporativo porque ele mesmo personificava o capitalismo corporativo. Ano após ano, vemos que é o candidato mais rico que vence as eleições dos Estados Unidos7. Na formulação das políticas, são os grupos de interesse endinheirados que conseguem aquilo que querem, e não as pessoas comuns da classe trabalhadora8. Apesar do verniz democrático adotado pelos Estados Unidos, o país é na realidade uma ditadura da classe capitalista. Não há alternativa genuína aos interesses do capital (que é na realidade o interesse de uma minoria de grandes proprietários), e consequentemente não há democracia real.

Na RPDC, entretanto, a democracia prospera. Como vimos, ela é projetada com o objetivo explícito de dar poder às massas populares. O veto popular é um resultado direto disto. Ele não é uma evidência da monopolização de poder nas mãos do partido, mas sim uma evidência do poder popular. O poder de veto atua quando as discussões das massas se tornam muito conflituosas. Em certo sentido, as massas às vezes têm poder demais. As eleições existem como mediação para isso e para formar conclusões verdadeiramente democráticas, onde a vontade da maioria é promulgada. Elas não são uma barreira para a democracia, mas sim uma expressão dela.

Os cidadãos nos países capitalistas são tipicamente informados de apenas um aspecto do processo eleitoral na RPDC. São levado a acreditar que sempre existe apenas um candidato na cédula, e isso é usado para pintar a Coreia Popular como ditatorial. O mesmo método de informação seletiva pode ser usado para deturpar os sistemas “democráticos” ocidentais. Caso a mídia cobrisse apenas o cólegio eleitoral durante uma eleição estadunidense, por exemplo, eles poderiam facilmente afirmar que apenas 538 americanos têm permissão para votar para presidente. Isso revela a importância da pesquisa rigorosa em relação à RPDC. Enquanto podem existir elementos verdadeiros em relação à retratação ocidental da Coreia Popular, ela nunca revela a história completa. É vital que pesquisemos por nós mesmos e nos recusemos a acreditar na mídia burguesa estadunidense.

Eleições, entretanto, não são o único marco pelo qual se determina a democracia. Os Estados Unidos possuem eleições, mas acabei de argumentar que é um país antidemocrático. Isso significa que outras instâncias para além do parlamento (ou corpos similares) também cumprem um papel em determinar se um país é ou não democrático. Na minha visão, uma área importante a se considerar ao falar em democracia é a economia. É a economia que determina se sobrevivemos ou não, além das próprias formas políticas que adotamos. Seria virtualmente impossível passar um dia teorizando sobre política com a preocuparação se irei comer ou não naquela noite. Dessa forma, a questão sobre quem controla a economia é importante. Se uma minoria de indivíduos controla a economia, consequentemente esse mesmo grupo terá a palavra final na política, arte e cultura dessa sociedade. Isso é claro nos Estados Unidos. A minoria da população é constituída de ricos proprietários, que exercitam imenso controle sobre a política. Eles possuem esse poder político porque possuem dinheiro. Portanto, é evidente que o principal centro de poder na sociedade é a economia. A sociedade só pode ser considerada democrática se as massas populares administram a economia assim como a esfera política.

Isso obviamente não é o caso sob o capitalismo, mas é o caso na RPDC? Eu defendo que sim. Os locais de trabalho na Coreia Popular são administrados de acordo com o Sistema de Trabalho Taean, que é descrito dessa forma pelo Country Data:

“A mais alta autoridade administrativa sob o sistema Taean é o comitê do partido. Cada comitê consiste de aproximadamente 25 a 35 membros eleitos dos escalões de gerentes, trabalhadores, engenheiros, e lideranças das organizações dos trabalhadores na fábrica. Um ‘comitê executivo’ menor, com cerca de um quarto do tamanho do comitê regular, tem responsabilidade prática sobre as operações diárias e grandes decisões fabris. Os membros mais importantes da equipe, incluindo o secretário do comitê do partido, o gerente da fábrica, e o engenheiro-chefe, formam esse grupo. O sistema se foca na cooperação entre os trabalhadores, técnicos e funcionários do partido no nível da fábrica.”9

Esse sistema tem persistido há muito tempo na RPDC. Em seu discurso do Ano Novo no aniversário de 30 anos do Sistema de Trabalho Taean, Kim Il-Sung disse:

“O sistema de trabalho Taean é o melhor sistema de administração econômica. Ele permite às massas produtivas que cumpram sua responsabilidade e papel de mestres e gerenciem a economia de uma forma científica e racional ao incluí-las na administração econômica, e ao combinar a liderança partidária organicamente com a orientação administrativa, econômica e técnica.”10

A economia da Coreia Popular é uma economia estatal/cooperativa, com os trabalhadores no segundo tipo constitucionalmente denominados como proprietários de seus espaços de trabalho. De acordo com a constituição da RPDC:

“Artigo 22 – A propriedade das organizações cooperativas sociais pertence à propriedade coletiva dos trabalhadores dentro das referidas organizações.

Organizações cooperativas sociais podem possuir propriedades como terras, maquinários agrícolas, barcos, e médias e pequenas fábricas e empresas.

O Estado deve proteger a propriedade das organizações cooperativas sociais.”11

A Revolução Coreana deu aos trabalhadores e camponeses sem-terra oportunidades inimagináveis sob as opressivas condições anteriores. O especialista em Coreia, Bruce Cumings, escreve, “em qualquer momento anterior a 1945, era virtualmente inconcebível para os analfabetos e pobres camponeses se tornarem autoridades a nível federal ou oficiais do exército. Mas na Coreia do Norte, tais carreiras se tornaram comuns”12. Ele também destaca que casamentos entre classes se tornaram normais, comuns e generalizados com a fundação da Coreia Popular, e foi dado acesso à educação para todos os setores da sociedade.

Seguramente, a parte mais importante da economia é a propriedade da terra. Antes da revolução, a terra estava concentrada nas mãos de uma minúscula elite japonesa. O Partido dos Trabalhadores liderou um processo gradual e constante de conversão da propriedade privada da terra em organizações cooperativas. Começando com o processo de reconstrução pós-guerra em 1953, apenas 1,2% das propriedades camponesas estavam organizadas em cooperativas, o que representava meros 0,6% do total de terras13. Em agosto de 1958, 100% das propriedades camponesas estavam organizadas em cooperativas, representando 100% das terras14. Ellen Brun, economista cujo estudo de 1976, Socialist Korea continua sendo até hoje o mais economicamente completo, escreve que “apesar da falta de meios de produção modernos, as cooperativas – com assistência eficiente do estado – mostraram muito cedo sua superioridade em relação à agricultura individual, eventualmente convencendo camponeses relutantes em participar do movimento”15. A coletivização não foi forçada de cima, mas uma expressão da vontade popular. Ela foi – e continua sendo – uma ação democrática.

Os comitês populares locais, dos quais qualquer trabalhador coreano podia participar, elegiam as lideranças para guiar a produção agrícola e colaboravam com autoridades nacionais para coordenar a eficiência em todo o país16. Esses comitês populares são a forma primária pela qual “o partido se mantém em contato com as massas nas diversas fazendas coletivas, permitindo-o avaliar a opinião pública sobre os problemas das políticas do comitê popular nacional”17. Em 1966, o Partido dos Trabalhadores introduziu o “sistema de administração em grupo”, que “organizou grupos de 10 a 25 camponeses em unidades de produção, cada qual foi permamentemente colocada em comando de certas áreas de plantação, certas tarefas, ou certos instrumentos de produção”18. Isso representa outro instrumento de democracia popular implementado na produção socialista coreana.

Não se desenvolveram graves antagonismos entre o campo e centros industriais no processo socialista de construção da Coreia Popular. Brun nota que “dezenas de milhares de homens desmobilizados e muitos estudantes formados e em formação foram ao campo nos períodos de maior trabalho prestar assistência, o que resultou em milhões de dias de trabalho”, de forma voluntária e sem coerção do estado19.

Mais importante, a construção socialista coreana reorganizou a produção industrial pelo e ao interesse do ex-despossuído proletariado coreano. Baseando-se na linha de massas – o método organizativo marxista-leninista que é “tanto a causa quanto efeito da politização e involvimento das massas no processo de desenvolvimento econômico e construção socialista” – o Partido dos Trabalhadores implementou o sistema de trabalho Taean, descrito acima, em dezembro de 196120. Ao contrário do sistema anterior, no qual os gerentes eram nomeados para supervisionar o local de trabalho unilateralmente por um único membro do partido, “o comitê fabril do partido asssumiu a mais alta autoridade no nível da empresa” no sistema Taean21. Brun descreve mais a fundo o sistema, como cito longamente abaixo:

“Formas de resolver questões acerca da produção e das atividades de trabalho, assim como métodos de tomada de decisões, são encontradas através de discussões coletivas no comitê fabril, cujos membros são eleitos pelos membros do partido na fábrica. Para ser eficiente, esse comitê deve ser relativamente pequeno, com seu tamanho variando com o tamanho da empresa. Na Usina Elétrica Daean, com uma mão-de-obra de 5.000 trabalhadores, o comitê fabril do partido é constituído de 35 membros que se reúnem uma ou duas vezes ao mês, enquanto os 9 membros da diretoria executiva mantém contato contínuo. Dentre seus membros, 60% são trabalhadores da produção, com o restante representando uma junção de todas as atividades da fábrica, incluindo funcionários, gerentes, engenheiros, técnicos, representantes da liga feminina, da liga da juventude, dos sindicatos, e da administração. Sua composição lhe dá acesso a todos os aspectos socieconômicos da empresa e da vida de seus trabalhadores.

Este comitê se tornou o que é chamado de “volante” da unidade industrial, conduzindo a formação ideológica e mobilizando os trabalhadores para implementarem decisões coletivas e cumprirem os objetivos de produção. Através de sua conexão com o partido, ele tem uma visão clara de políticas gerais e objetivos assim como a função exata de uma empresa individual no contexto nacional. Em outras palavras, essa organização garante a prioridade das políticas”22.

Os trabalhadores possuem inserção e supremacia na produção e interagem dialeticamente com o estado para planejar e realizar a produção coletiva em benefício de toda a população coreana. O fato de que a economia é gerenciada, muitas vezes diretamente, por toda a população é uma evidência de que o país é democrático. Trabalhadores não são presos a locais de trabalho onde são apenas chefiados, como acontece nos Estados Unidos, mas possuem voz sobre o que é produzido e como será feito. O povo tem voz sobre a economia, e dessa forma tem voz sobre todos os outros aspectos da vida. Isso, conforme argumentei, significa que o país é largamente mais democrático que todos os países capitalistas, mesmo os mais avançados.

Muitos alegam que o firme estabelecimento da política Songun – a política que o Partido dos Trabalhadores da Coréia descreve como “dar prioridade aos armamentos e às forças armadas”23 – anula as conquistas democráticas mencionadas anteriormente. Eu gostaria de expressar que esse não é o caso. Apesar da insistência em relação à ‘novidade’ da política Songun, a história oficial da RPDC aponta para o desenvolvimento da Songun décadas antes da formação da República Popular. Isso é importante destacar porque evidencia como uma luta anti-imperialista e essencialmente de libertação nacional têm enrijecido as políticas da Coreia socialista desde seu início24. De qualquer maneira, a derrubada da União Soviética causou mudanças qualitativas à estrutura política da RPDC. Notavelmente, a Comissão de Defesa Nacional se tornou o “orgão fundamental na estrutura administrativa do estado”. Isso pode ser atribuído largamente à posição única que a RPDC assumiu após seu isolamento internacional de facto na metade dos anos 1990. O fim da União Soviética significou uma profunda austeridade econômica, e além disso, significou um fortalecimento dos Estados Unidos e do sul comprador. Dessa forma, a RPDC foi forçada a buscar uma rota profundamente militarizada de desenvolvimento (consequentemente, a superioridade da Comissão Nacional de Defesa e a ampla disseminação da política Songun)25. Em última instância, o que emerge dessa transformação dos anos 1990 é um estado proletário único, condicionado pela intensas contradições entre sua construção socialista e a iminente ameaça de intervenção imperialista. Único não somente em suas condições históricas precárias, mas também no desenvolvimento de suas contradições internas que sem dúvidas assumem uma intensa relação dialética com contradições externas paralelas.

À luz dessas contradições, nós devemos examinar os orgãos de poder de classe na RPDC; mais própriamente os orgãos de estado e sua relação com o povo coreano mais amplo. Claramente, os orgãos de estado da RPDC exercitam autoridade suprema sobre a vida econômica e social. O estado, constitucionalmente, representa os interesses da população trabalhadora e deste modo excluiu legalmente exploradores e opressores de representação formal:

“O sistema social da RPDC é um sistema centrado no povo sob o qual os trabalhadores são mestres de tudo, e tudo na sociedade serve aos trabalhadores. O Estado deve defender e proteger os interesses dos trabalhadores, camponeses e intelectuais de trabalho que foram libertos da exploração e opressão e tornaram-se mestres do Estado e da sociedade.”26

Dessa forma, os orgãos políticos de poder de classe se tornaram órgãos explicitamente de poder da classe proletária; ao menos no sentido que é fornecido constitucionalmente ao povo coreano. A força política dirigente na RPDC continua sendo o Partido dos Trabalhadores da Coréia, que detém 601 dos 687 mandatos na Assembléia Popular Suprema e o partido de facto líder da coalizão governista da Frente Democrática pela Reunificação da Pátria27. Todos os coreanos acima de 17 anos, idependente de raça, religião, sexo, crença, etc. são permitidos e encorajados a participarem dos orgãos de poder de estado. Eleições são celebradas para os orgãos de poder locais e centrais regularmente, sendo geralmente as Assembléias Populares o núcleo de poder de estado na RPDC, das quais se erguem os orgãos ‘vigentes’ de poder de classe sendo eles institucionalmente a Comissão Nacional de Defesa e o Exército Popular da Coreia28.

Como mencionado anteriormente, a rota Songun têm significado desenvolvimentos materiais na realidade social que comprometem as considerações ocidentais em relação à Coreia do Norte. A grande ênfase no progresso e poder militar contribuiu aos detratores imperialistas na sua descrição da RPDC como uma “ditadura militar”. Isso é no mínimo uma análise superficial. É considerado a mais alta honra para um coreano servir sua pátria na luta contra o imperialismo ao ingressar no Exército Popular da Coréia. Ao contrário de outras forças armadas, o EPC é definitivamente envolvido na construção social e material do socialismo na Coreia Popular. Essa compreensão nos ajuda a entender como os desenvolvimentos internos únicos da Coreia socialista criaram um expressão de poder de classe igualmente única.

O povo também está proximamente conectado aos líderes da RPDC, os quadros (cadres) do partido. Os quadros do partido são um elemento inescapável do aparato político norte-coreano e são possivelmente a conexão mais próxima que o povo coreano tem com seus orgãos formais de poder. Os quadros, assim como os oficiais e administradores do partido são conhecidos por visitarem os locais de trabalho para motivar e orientar os trabalhadores29. Um agudo contraste com a relação entre os políticos capitalistas e seus cidadãos. Nos países capitalistas, os políticos se distanciam do povo e não fazem idéia de suas dificuldades. Na RPDC, ocorre o contrário.

Como a classe trabalhadora é a vasta maioria da população na RPDC (cerca de 70%30), o gerenciamento do estado pela classe trabalhadora significa que o estado é gerenciado pela maioria do povo. Isso é consistente com a definição de democracia proposta anteriormente.

É comumente dito que nada disso importa, porque os norte-coreanos são forçados a realizarem trabalhos pesados por seus crimes. O estado mantém 200.000 prisioneiros políticos, de acordo com a Anistia Internacional. É o mesmo estado que matou a tiros 3 cidadãos norte-coreanos que tentavam atravessar a fronteira com a China em dezembro de 201731.

Uma análise mais sóbria do sistema prisional norte-coreano ironicamente vem do historiador liberal burguês Bruce Cumings. Em seu livro de 2004, North Korea: Another Country, ele aponta que a maioria das alegações sobre o sistema penal coreano são largamente exagerados. Por exemplo, ele escreve que “criminosos comuns que cometem crimes menores, e jovens com incompreensões de seu lugar no estado familiar que cometem ofensas políticas de baixo nível são enviados a campos de trabalho ou minas para trabalhos pesados e períodos variados de encarceramento”, com o objetivo de serem “reeducados”32. Isso reflete uma compreensão materialista das raízes da criminalidade, decorrente em grande parte das condições materiais e idéias incorretas do indivíduo, que podem mudar através de uma alteração de suas condições. É importante notar que a ampla maioria dos criminosos no sistema penal coreano se encaixam nesta categoria, e então o objetivo é reabilitá-los e reeducá-los, em oposição aos objetivos punitivistas do sistema penal estadunidense.

Cumings relata o constraste entre o sistema de justiça criminal da Coreia Popular e o estadunidense, especialmente em termos do contato de um prisioneiro e o apoio que recebe da família. Ele escreve:

Os Aquários de Pyongyang é uma história interessante e crível, precisamente porque ela, em sua totalidade, não é a história horrível de repressão autoritária que seus editores originais na França queriam que fosse; na verdade, ela sugere que uma década de encarceramento juntamente com sua família foi algo passível de sobrevivência, e não necessariamente um obstáculo para adentrar o status de elite de residência em Pyongyang e para entrada na universidade. Enquanto isso nós temos um antigo, interminável gulag cheio de homens negros em nossas prisões, encarcerando mais de 25% de todos os jovens negros”33.

Também é importante ressaltar que o único norte-coreano que já escapou de uma prisão, Shin Dong-hyuk, desmentiu grande parte de sua história do Escape from Camp 14. De acordo com um artigo do New York Times sobre o assunto,

“O Sr. Shin, que afirma ter 32 anos, diz agora que o fato central que o diferenciava dos outros presos – de que ele e sua família foram encarcerados em uma prisão de onde ninguém deveria sair vivo – era apenas parcialmente verdadeiro, e que ele na verdade passou a maioria de sua prisão no Campo 18, menos brutal. Ele também disse que as torturas que relatou sofrer na adolescência, na verdade aconteceram anos depois e por razões muito distintas.”34

De maneira parecida, a revelação de que armas químicas eram usadas em prisioneiros no Campo 22 já se mostraram espúrias. Essa história foi inicialmente inventada no documentário de 2004 da BBC, Access to Evil. O documentário apresenta algumas entrevistas com Kwon Hyok, um desertor da RPDC e ex-líder de segurança no campo. A evidência para tal afirmação é baseada também em uma “carta de transferência” supostamente autorizando experimentos humanos. Essas alegações, entretando, foram completamente fabricadas. Até mesmo autoridades da inteligência sul-coreana rapidamente julgaram que os documentos eram falsificações. Eles escrevem,

“Primeiro, foi revelado que Kwon não havia sido parte da equipe militar em Pequim, como alegado. Depois, se atentaram à Carta de Transferência… haviam problemas com a nomenclatura, tamanho dos selos, e tipo de papel.

Joseph Koehler… um crítico virulento do Norte… chegou a conclusão que o documento parecia falsificado.”35

Ainda que isso não seja evidência de que todas as alegações de desertores sejam espúrias, isso levanta dúvidas sobre a vericidade da história. Não é nenhuma surpresa que desertores exagerem suas histórias, dado que, “a Coreia do Sul disse no domingo que quadruplicaria a recompensa em dinheiro que fornece para norte-coreanos desertores com informações importantes para 1 bilhão de wons, ou US$ 860.000, em um esforço para incentivar a fuga de membros da elite do Norte”36. Desertores da Coreia Popular não são simplesmente indivíduos perseguidos buscando uma vida melhor. Eles têm um incentivo econômico direto para mentir sobre o país. É importante, como dito acima, verificar cada história individualmente ao contrário de confiar cegamente em todas elas.

O fato que o tempo no sistema penal coreano não resulta em punição social como acontece nos países capitalistas reflete sua forte diferença com os sistemas penais capitalistas. Utilizando a família como uma rede de apoio, o estado incentiva a reeducação política e abre oportunidades para prisioneiros reabilitados reingressarem a sociedade coreana como cidadãos plenos. O sistema prisional da Coreia do Norte é muito mais humano, em princípio, do que o sistema dos Estados Unidos. Ele é baseado em uma filosofia centrada nas pessoas que defende que a criminalidade não é inata à humanidade. Isso é uma forte evidência de que a RPDC é um estado da maioria, e assim, democrático.

A supressão da religião na RPDC – muito disseminado pela direita – também é vastamente superestimada. O artigo de Dae Young Ryu, Fresh Wineskins for New Wine: A New Perspective on North Korean Christianity37, começa apontando para uma nova receptividade ao cristianismo nos anos 1980, com a construção de novas igrejas, uma forte faculdade de teologia protestante em Pyongyang e um aumento de fiéis, agora estimados em cerca de 12.000.

Apesar do próprio governo ter construído igrejas neste período, Ryu afirma que isso não é um fenômeno recente. Na verdade, ele remete aos cristãos dos anos 1950 que adotaram o marxismo-leninismo e apoiaram a liderança de Kim Il-sung. Esse fato é ainda mais impressionante, já que ele ocorreu em um contexto em que o cristianismo era amplamente visto como um fenômeno imperialista e estadunidense. Na verdade, evidências apontam que o governo tolerou cerca de 200 igrejas cristãs pró-comunistas durante os anos 1960. Ele escreve:

“Ao contrário a visão ocidental comum, parece que as lideranças norte-coreanas demonstraram tolarância aos cristãos que apoiaram Kim Il-sung e sua versão de socialismo. O ministro presbiteriano Gang Ryang Uk serviu como vice-presidente da RPDC de 1972 até sua morte em 1982, e Kim Chang Jun, um ordenado ministro metodista, se tornou vice-líder da Assembléia Popular Suprema. Eles foram enterrados no exaltado Cemitério dos Patriotas, e muitos outros líderes da igreja receberam honrarias e medalhas nacionais. Parece que o governo permitia as igrejas locais em reconhecimento à contribuição dos cristãos na construção da nação socialista.”38

Eu gostaria de concluir com uma observação sobre Kim Il-sung e o suposto “culto à personalidade” em seu entorno. A massivo luto ao redor de seu funeral é tomado como evidência de que ele é cultuado como um deus na RPDC. Na realidade, esse luto se origina do imenso apoio popular que ele gozou como liderança, durante e após a revolução.

Kim repudiava a inabilidade da Coreia de resistir à dominação estrangeira. Os japoneses o consideravam como um líder guerrilheiro altamente capacitado e perigoso, chegando ao ponto de estabelecer uma unidade de insurgência especial anti-Kim para caçá-lo39. As guerrilhas eram uma força independente, inspirada pelo desejo de reconquistar a península coreana para os coreanos, e não eram controlados nem pelos soviéticos, nem pelos chineses. Ainda que frequentemente recuavam para além da fronteira soviética para escaparem das forças japonesas, eles receberam pouca ajuda material da União Soviética.

Diferente dos Estados Unidos, que impuseram um governo militar e reprimiram os Comitês Populares, os soviéticos tiveram uma abordagem consideravelmente desregulada em sua zona de ocupação, permitindo uma coalizão de combatentes nacionalistas e comunistas agir de forma autônoma. Em sete meses, o primeiro governo central foi formado, baseado em um Comitê Popular interino liderado por Kil Il-sung.

Diferente da mitologia popular, Kim não foi escolhido a dedo pelos soviéticos. Ele gozava de prestígio e apoio consideráveis como resultado de seus anos como líder guerrilheiro e seu comprometimento com a libertação nacional. Na verdade, os soviéticos nunca confiaram nele completamente40.

Após oito meses de ocupação, o programa de reforma agrária começou, com donos de terras expropriados sem compensações, mas livres para migrarem para o sul ou trabalharem em porções de terras iguais àquelas alocadas aos camponeses. Depois de um ano, o Partido dos Trabalhadores se tornou a força política dominante. Grandes indústrias, majoritariamente controladas pelos japoneses, foram nacionalizadas. Colaboradores japoneses foram removidos das posições de comando.

Os cidadãos da RPDC apoiam Kim Il-sung por seu corajoso enfrentamento à dominação estadunidense, seu comprometimento à reunificação e as conquistas reais do socialismo. Em face daqueles que travam guerras pela exploração e opressão, as decisões de Kim representaram as aspirações dos trabalhadores, camponeses, mulheres e crianças coreanos – a nação coreana unida – por liberdade. O apoio de Kim não derivou de um culto à personalidade ou da força. Ao contrário, ele conquistou o apoio de seu povo na luta.

Na verdade, não haviam mecanismos pelos quais forçar o povo coreano a apoiar Kim Il-sung durante seu governo. Lankov escreve, “os norte-coreanos durante a era Kim Il-sung não eram robôs vítimas de lavagem cerebral cujo passatempo favorito era marchar em fila… nem mesmo eram dissidentes no armário… nem mesmo eram escrávos dóceis que seguiam cegamente qualquer ordem vinda de cima”41. A RPDC de Kim Il-sung não era um estado policial, mas sim um país democrático e socialista travando uma corajosa guerra contra o imperialismo. O povo coreano estava – e continua – unificado na luta e no apoio de seus líderes com base nisso.

Um pesquisa com desertores estima que mais de metade do país aprova o trabalho liderado por Kim Jong Un. O Seoul’s Institute for Peace and Unification Studies, como publicado pela agência de notícias Yonhap, pediu a 133 desertores para que estimassem a aprovação de Kim no país, o que ao menos fortalece a narrativa sobre o culto à personalidade ao redor de sua liderança. Mais de 60% acreditam que a maioria do país o apoia. Em uma pesquisa similar em 2011, apenas 55% acreditavam que o pai e antecessor de Kim, Kim Jong Il, tinha o apoio da maioria do país.

Como escreve a BBC:

“Especialistas atribuem a popularidade de Kim Jong Un aos esforços para melhorar a vida cotidiana dos cidadãos, com a ênfase no crescimento econômico, da indústria e da agricultura em um país onde se acredita que muitos vivem sem acesso à comida, segundo a Yonhap. Não existem pesquisas de opinião no fechado estado comunista, onde – visivelmente ao menos – o líder goza de total apoio. Ainda que não seja diretamente comparável, a aparente aprovação é maior do que de líderes ocidentais. Uma pesquisa recente da McClatchy sugere que apenas 41% dos americanos apoiam a atuação do presidente Barack Obama, enquando o primeiro-ministro britânico David Cameron marcou 38% em uma pesquisa recente da YouGov.”42

O Wall Street Journal, citando a pesquisa, diz que mais de 81% dos desertores dizem que as pessoas fazem três refeições por dia, acima dos 75% da pesquisa anterior.

“Ela aponta para uma bem sucedida consolidação de poder pelo jovem líder, que assumiu após a morte de seu pai, Kim Jong Il, em dezembro de 2011. Isso parecia incerto há um ano atrás, ao menos baseado no relatório anterior do instituto com entrevistas de desertores. Conversando com 122 pesssoas que fugiram da Coreia do Norte entre janeiro de 2011 e maio de 2012, concluíram que 58% estavam descontentes com a escolha do jovem Sr. Kim como sucessor. [Claro, pessoas que fogem do país tendem a estarem mais insatisfeitas do que aqueles que permanecem]

O novo líder parece estar reforçando seu domínio, com 45% dizendo que a sociedade está firmemente sob controle, subindo dos anteriores 36%. Panfletos e pixações anti-regime são menos comuns [talvez devido à alta taxa de aprovação?] : 66% do grupo mais recente disse ter visto coisas do tipo, caindo dos 73% da pesquisa de 2012 e 70% em 2011. O deslocamento para outras partes do país se tornou mais difícil. A porcentagem que relatou que o feito caiu para 64%, após crescer por 5 anos consecutivos até 70% em 2012.”43

A mídia burguesa continua retratando a RPDC como um pesadelo totalitário, habitado exclusivamente por uma população amedrontada e pacificada. Como demonstrei, isso está longe de ser a verdade. O povo norte-coreano têm uma voz muito maior sobre como suas vidas são estruturadas do que cidadãos dos mais “democráticos” países capitalistas. Eles não são forçados a aderir a uma “linha do partido” imposta de cima, mas são encorajados a participar na organização da sociedade. A RPDC é um excelente exemplo de socialismo, que é focado no desenvolvimento da classe trabalhadora – e da humanidade – para seu potencial máximo. É só através do socialismo que nós poderemos realizar nosso sonho de uma sociedade livre e próspera. A RPDC marcha em direção a esse sonho, até mesmo em face da ímpar agressão imperialista. É por essa razão que devemos prestar solidariedade ao país. E para reforçar o ponto que levantei em meu último ensaio, a RPDC deve ser apoiada independentemente seja ou não socialista. Ela está enfrentando o imperialismo, que é o maior inimigo do socialismo. Direta ou indiretamente, a RPDC trabalha nos interesses do socialismo.

Tirem as mãos da Coreia Popular!

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.


1  http://www.aljazeera.com/news/2015/07/local-elections-north-korea-bring-change-150718180133222.html

2  https://www.merriam-webster.com/dictionary/democracy

3  http://wayback.archive.org/web/20120303054935/http://www.asgp.info/Resources/Data/Documents/CJOZSZTEPVVOCWJVUPPZVWPAPUOFGF.pdf

4  https://www.usnews.com/news/blogs/data-mine/2014/01/09/let-them-eat-cake-members-of-congress-14-times-more-wealthy-than-average-american

5  https://www.youtube.com/watch?v=-4P0dMEH4RQ

6  http://mashable.com/2015/08/06/trump-richest-candidates/

7  https://www.opensecrets.org/news/2008/11/money-wins-white-house-and/

8  http://www.washingtontimes.com/news/2014/apr/21/americas-oligarchy-not-democracy-or-republic-unive/

9  http://www.country-data.com/cgi-bin/query/r-9558.html

10  Ibid.

11  https://en.wikisource.org/wiki/Constitution_of_North_Korea_(1972,_rev._1998)

12  Bruce Cumings, North Korea: Another Country, The New Press, New York, 2004.

13  Ibid.

14  Ibid.

15  Ellen Brun, Jacques Hersh, Socialist Korea: A Case Study in the Strategy of Economic Development, 1976, Monthly Review Press, New York and London

16  Ibid.

17  Ibid.

18  Ibid.

19  Ibid.

20  Ibid.

21  Ibid.

22  Suh, Jae-Jean. 2004. The Transformation of Class Structure and Class Conflict in North Korea. International Journal of Korean Reunification Studies. p. 55 http://www.nkeconwatch.com/wp content/uploads/2007/07/transformation%20of%20class%20structure.pdf

23  Ibid. p. 56

24  Ibid. p. 57

25  Ibid.

26  10th Supreme People’s Assembly. Constitution of the Democratic People’s Republic of Korea. Article 8. http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm

27  http://www.rodong.rep.kp/en/

28  Korea-DPR. 2013.

29  Journal of Asian and African Studies. 2013. Elite Volatility and Change in North Korean Politics: 1970-2010

30  https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/kn.html

31  https://www.amnesty.org/en/latest/news/2016/11/north-korea-prison-camps-very-much-in-working-order/

32  Bruce Cumings, North Korea: Another Country, The New Press, New York, 2004. Op. Cit.

33  Ibid.

34  https://www.nytimes.com/2015/01/19/world/asia/prominent-north-korean-defector-shin-dong-hyuk-recants-parts-of-his-story.html

35  http://ipcprayer.org/ipc-connections/item/4946-a-srebrenica-esque-massacre-has-recently-taken-place-in-north-korea-s-killing-fields

36  https://www.nytimes.com/2017/03/05/world/asia/hoping-to-lure-high-level-defectors-south-korea-increases-rewards.html

37  Journal of Church and State 48 (2006), pp. 659-75.

38  Ibid, 673.

39  Journal of Church and State 48 (2006), pp. 659-75.

40  Bruce Cumings, “Korea’s Place in the Sun: A Modern History (Updated Edition),” W.W. Norton & Company, 2005; p. 404

41  Ibid.

42  http://www.npr.org/sections/thetwo-way/2013/08/30/217186480/defectors-think-most-north-koreans-approve-of-kim-jong-un

43  http://blogs.wsj.com/korearealtime/2013/08/30/kim-jong-un-tipped-to-win-in-latest-north-korea-poll/

2 respostas »

    • É verdade, Bruno. Um país como a Coreia Popular, hoje, precisa ser demonizado e caluniado de todas as maneiras. Felizmente temos abundância de dados para demonstrar que é um país pacífico, que vive a sua independência nacional sem causar dano a uma mosca. Para nós, que defendemos a amizade entre os povos e a independência entre as nações, a Coreia Popular precisa ser conhecida em termos políticos e de geopolítica, e defendida.

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