América Latina

Por que o ocidente odeia a Nicarágua sandinista

No caso da Nicarágua, a mídia e as ONGs ocidentais têm repetidamente distorcido e mentido sobre o sucesso extraordinário do país em conter a pandemia da Covid-19.

Por Stephen Sefton, via Telesur, tradução de Eduardo Pessine, revisão por Flávia Nobre

A famosa foto chamada de “molotov man”, de Susan Meiselas, 1979. Retrata o guerrilheiro nicaraguense Pablo de Jesus “Bareta” Araúz, lançando um molotov em direção a um dos últimos quartéis da guarda nacional de Somoza.
A famosa foto chamada de “molotov man”, de Susan Meiselas, 1979. Retrata o guerrilheiro nicaraguense Pablo de Jesus “Bareta” Araúz, lançando um molotov em direção a um dos últimos quartéis da guarda nacional de Somoza.

No caso da Nicarágua, a mídia e as ONGs ocidentais têm repetidamente distorcido e mentido sobre o sucesso extraordinário do país em conter a pandemia da Covid-19.

O sucesso da Nicarágua em conter o vírus da Covid-19 torna o fracasso dos Estados Unidos e de seus aliados ainda mais patético. Os baixos números do país – apenas nove casos confirmados e duas mortes, até agora (20/04) – legitimam categoricamente as políticas do governo sandinista liderado pelo presidente Daniel Ortega e o vice-presidente Rosario Murillo.

O mesmo é verdadeiro em relação a outros governos revolucionários e socialistas ao redor do mundo. Cuba tem dado um ótimo exemplo de liderança e solidariedade global. Notavelmente também a Venezuela, Vietnã, e o estado de Kerala na Índia têm implementado diversas políticas bem-sucedidas para conter a pandemia.

No entanto, na América do Norte e na Europa, o sucesso no enfrentamento da Covid-19 nesses países desfavorecidos e socialistas, e ainda sob ataque dos Estados Unidos e da União Européia, no caso de Cuba, Nicarágua e Venezuela, têm sido ocultados.

Em relação à Nicarágua, a mídia e as ONGs ocidentais têm repetidamente distorcido e mentido sobre a conquista extraordinária do governo sandinista em comparação com outros países da região, sobretudo o constrangedor contraste com a situação catastrófica na América do Norte e Europa Ocidental. Muitas razões contribuem para isso, tanto contemporâneas quanto históricas.

Porém, uma razão é fundamental. Os liberais e progressistas do ocidente, que geralmente controlam a informação e comunicação na América do Norte e Europa, não podem reconhecer o sucesso do governo sandinista da Nicarágua sem abandonar seu próprio cinismo e hipocrisia. De forma geral, desde a dissolução da União Soviética, efetivamente formaram um conluio com o capitalismo corporativo e os disseminadores das políticas neoliberais. No máximo, suplicaram por ajustes mínimos aos piores excessos capitalistas em seus próprios países para mitigar a injustiça e o sofrimento dentro de casa.

Mas no exterior foram cúmplices de golpes, guerras e sanções genocidas visando povos com governos independentes. Têm efetivamente abandonado as vítimas de seus aliados, como os palestinos e as populações vulneráveis no Congo.

Os liberais e progressistas ocidentais da mídia e ONGs dificilmente poderiam estar mais confortáveis com a fascista união corporativa e o poder de estado que atualmente controlam os Estados Unidos, Canadá e União Européia, e assim, tem sido perfeitamente natural para esses liberais e progressistas apoiarem efetivamente, por exemplo, neonazistas na Ucrânia, terroristas pseudo-religiosos fanáticos na Líbia e Síria e forças de extrema-direita e seus aliados na Venezuela e Nicarágua.

Uma das consequências desse apoio é que não há como voltar atrás. O sucesso da Nicarágua no combate à pandemia da Covid-19 é irrefutável. Mas o liberais do ocidente não podem admitir, pois seria contraditório com as mentiras e fabricações da direita e as forças aliadas que apoiam.

Admitir finalmente que seus aliados da direita são mentirosos fraudulentos significaria um questionamento radical de sua versão da violenta e fracassada tentativa de golpe em 2018, ou a denúncia absurda desde a ascensão do presidente Ortega em 2007 de que a Nicarágua é uma ditadura. Esse é apenas um exemplo de como os liberais e progressistas do ocidente estão mergulhados em um mar de preconceito infundado, covardia moral e hipocrisia, o que torna uma análise honesta de suas próprias contradições morais e políticas impossível.

Isso é, em grande parte, a razão pela qual o próximo presidente dos Estados Unidos será, novamente, outra demente ferramenta belicosa da plutocracia estadunidense e por que a União Européia será cada vez mais claramente uma ferramenta disfuncional dos oligarcas americanos e europeus. A esperança de que a atual crise nos levará a um mundo mais seguro, mais humano e multipolar é quase certamente equivocada.

O chamado de Daniel Ortega por melhor atendimento de saúde ao invés de maior gastos militares, por um foco na solidariedade humana ao invés da ganância capitalista, é incontestável. O exemplo paciente, prático, prudente e brilhante de seu governo ao longo dessa crise é irrefutável. E é por isso que os governantes, as elites, os políticos, a mídia, e as ONGs ocidentais têm respondido com mais mentiras, falsificações e ameaças. Todos eles odeiam a Nicarágua sandinista pois não podem aguentar sua luz e sua verdade.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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