Oriente Próximo

A aliança árabe-israelita alimenta os conflitos no Oriente-Médio

Por Steven Sahiounie, via Global Research, tradução de Eduardo Pessine

O presidente estadunidense Donald Trump e o conselheiro sênior Jared Kushner (direita), com Mohammed bin Salman. Foto por Jonathan Ernst/Reuters.
O presidente estadunidense Donald Trump e o conselheiro sênior Jared Kushner (direita), com Mohammed bin Salman. Foto por Jonathan Ernst/Reuters.

Existem dois campos no Oriente-Médio: os países que trabalham com Israel, e aqueles que não. Os países que estabeleceram relações com Israel são a Turquia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Qatar, Barém, Omã, Jordânia e Egito. Esse grupo de países é apoiado pelos Estados Unidos e União Européia.

Os países que não têm relações com Israel são a Síria, Líbano, Iraque, Irã, Palestina, Iêmen e Algéria. Esse grupo de países estabeleceu uma ótima relação com a Rússia e China.

O mundo está divido em duas esferas de influência, com os EUA e a UE em um lado, e a Rússia e China no outro. Essa situação é muito similar aos anos da Guerra Fria, quando o mundo era dividido entre a União Soviética e os Estados Unidos.

O papel do Golfo Árabe nos conflitos do Oriente Médio

Na Síria, desde 2011, os países do Golfo Árabe, aliados à Turquia e Israel, têm enviado e treinado terroristas que seguem a ideologia política do Islã radical, que não é uma religião ou seita. Esses países se curvaram às pressões das sanções estadunidenses contra a Síria, e se recusaram a negociar com o país, mesmo para a venda de itens humanitários. Eles também fomentaram uma guerra política contra a Síria, ao aceitarem a remoção do país da Liga Árabe, o que foi proposto pelo Qatar no início do conflito.

Na Líbia, os países do Golfo Árabe financiaram ambos os lados da guerra civil, enquanto roubavam seu petróleo. Enquanto a Turquia e o Qatar financiavam e apoiavam as forcas do primeiro-ministro Sarraj, os Emirados Árabes, Egito e Arábia Saudita financiavam e apoiavam as forças opositoras do Marechal Haftar. Recentemente, foi revelado que os Emirados Árabes compraram armas de Israel e enviaram à Haftar. Começando em 2011, esses países participaram do projeto de “mudança de regime” que derrubou e assassinou Qaddafi.

O caos que existe hoje no Iraque começou com a intervenção militar dos Estados Unidos no país, o que inclui duas guerras. Os países do Golfo Árabe, com seu aliado, Israel, financiaram a apoiaram os separatistas curdos, que conseguiram dividir o Iraque. Foram os países do Golfo Árabe que nutriram e deram origem à ideologia política que conhecemos como Islã radical. Os diversos grupos terroristas, como o ISIS, Jibhat al Nusra, Al Qaeda e outros foram todos criações dos países do Golfo Árabe. A invasão estadunidense no Iraque em 2003 resultou no roubo de recursos naturais como o petróleo, barras de ouro do Banco Central e antiguidades do Museu Nacional de Bagdá. A pilhagem dos recursos iraquianos continua. Os países do Golfo Árabe têm apoiado seitas muçulmanas rivais para garantir que diversos grupos continuarão lutando, mantendo o Iraque fraco e dividido.

O Líbano pode ser um país pequeno, no entanto, têm um grande papel para desempenhar na região. Os países do Golfo Árabe apoiaram os Estados Unidos e Israel durante a guerra em 2006 contra o movimento de resistência libanês, e lançaram uma guerra de propaganda através de sua mídia. No campo político, investiram em políticos libaneses que trabalham como seus agentes. Também têm deportado trabalhadores libaneses que pertencem a certas seitas religiosas, alimentando conflitos sectários na região. Esses países também têm fomentado uma guerra econômica contra o Líbano, congelando suas contas bancárias sob o pretexto de “luta antiterrorista”, mas na realidade, lutam contra o movimento de resistência.

A Arábia Saudita, um dos países mais ricos da terra, têm fomentado uma guerra contra um dos países mais pobres do mundo, o Iêmen. Após muitos anos e crimes de guerra, fracassaram em ocupar o Iêmen. O objetivo estratégico da Arábia Saudita é ocupar e anexar o porto de Aden, o principal do país, e que se encontra na entrada do Mar Vermelho. Os Emirados Árabes são parceiros na guerra contra o Iêmen.

Excluídos da festa, a Turquia e o Qatar foram deixados de lado da aliança do Golfo Árabe. A cisão foi criada por divergências político-ideológicas: a Turquia e o Qatar seguem a Irmandade Muçulmana, enquanto o restante do golfo adere às vertentes Salafi e Wahabi do Islã radical.

A responsabilidade dos EUA-UE-OTAN sobre a atual zona de conflito no Oriente Médio

A ‘primavera árabe’ não foi um movimento endógeno, mas um projeto desenhado por Washington e Bruxelas. Em 2011, houveram planos de “mudança de regime” colocados em ação na Líbia, Egito, Tunísia, Síria, Iêmen e Iraque, que também sofreu com um projeto desse tipo em 2003, por parte dos Estados Unidos. Os países do Golfo Árabe participaram da ‘primavera árabe’ apoiando o projeto estadunidense-europeu-OTAN, sob o mando dos “países ocidentais civilizados”, que usaram os árabes como fonte de financiamento. Os árabes também foram usados para fins de propaganda, através da “Al Jazeera” do Qatar e as “Al Hadath” e “Al Arabia” da Arábia Saudita.

Os Estados Unidos continuam roubando recursos da Síria e Iraque, como poços de petróleo e gás ocupados ilegamente, através de manobras com as leis internacionais. Os EUA realizaram inúmeros ataques militares unilaterais na Síria, e impõem sanções econômicas severas que impedem a reconstrução do país e a compra até mesmo de itens humanitários, como suprimentos para o combate do Covid-19.

A relação Turquia-Israel

A Turquia tem comprado petróleo sírio roubado, inicialmente do ISIS, e em seguida dos curdos separatistas sírios. A Turquia então vende esse petróleo para Israel através de empresários privados israelitas. Turquia e Israel trabalham em conjunto, e ambos têm desempenhado papel central no conflito que já completou 9 anos na Síria. Eles compartilham informações para coordenarem ataques contra a Síria. A Turquia ocupa partes da Síria e Israel ocupa as Colinas de Golan desde 1967. Ambos países têm planos de anexação de territórios sírios. Os turcos também ocupam a região síria de Iskenderun desde o final da Primeira Guerra Mundial.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

2 respostas »

  1. Realmente, a Líbia deu um salto em direção à civilização, após a morte do feroz ditador Muammar Kadafi! Nada menos do que navios negreiros começaram a sair da costa líbia, após a “revolução” defendida por boa parte da “esquerda”. Isto não é figura de linguagem: embarcações carregadas de escravos africanos saíram da costa Líbia após o assassinato de Kadafi. Durante um período a Líbia “livre” voltou ao século XVI!

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  2. E, como sempre, aqui temos a dicotomia entre “ditadura” e “democracia”. É preciso afogar a Síria em sangue porque Assad é um ditador, assim como Saddam Hussein e Kadafi, ainda que as semelhas ou a proximidade entre esses três fossem bem pequenas, a união entre os árabes é difícil. Quanto ao ISIS, esse sim muito semelhante ao nazifascismo, também teve de ser abandonado pelos seus criadores em nome da democracia, após grandes e eficientes serviços prestados.

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