EUA

Depois da Super-terça: o duelo entre o “outsider” Sanders e o “moderado demais” Biden

Por Lilia Dergacheva, via Sputnik, tradução por Eduardo Pessine

Joe Biden e Bernie Sanders durante o debate entre os candidatos democratas transmitido pela NBC, dia 27 de junho de 2019. Via USA TODAY.
Joe Biden e Bernie Sanders durante o debate entre os candidatos democratas transmitido pela NBC, dia 27 de junho de 2019. Via USA TODAY.

O ex-presidente Joe Biden aponta para a vitória em 9 estados da Super-terça, enquanto o atual senador Bernie Sanders aponta para 3, incluindo a Califórnia, o estado com o maior número de delegados em jogo.

Após a vitória nas primárias Democratas na Carolina do Norte, o vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden é considerado agora o líder da disputa pela nomeação na maioria dos estados que já votaram. Timothy Hagle, professor de Ciência Política na Universidade de Iowa comentou após as votações.

“De certa forma isso não é uma surpresa se tratando dos estados do sul (Virgínia, Carolina do Norte, Alabama, Tennessee e Arkansas). As vitórias mais surpreendentes são em estados como Minnesota e Massachusetts”, afirmou o professor, sugerindo que os resultados de Biden nesses estados foram impulsionados pelos apoios de Amy Klobuchar e Pete Buttigieg, que abandonaram a disputa antes da Super-terça.

De acordo com Hagle, a disputa Democrata evoluiu para um “duelo”, em vista dos ganhos de Biden na Super-terça enquanto Bloomberg, que entrou em campanha de última hora e dependia de uma fracasso de Biden, é agora “basicamente irrelevante”.

Da mesma forma, Elizabeth Warren, de Massachusetts, “está efetivamente fora da disputa também”, com as projeções de ficar em terceiro lugar em seu próprio estado.

O professor ressaltou que é a California, junto com o Texas, os estados com maior número de delegados, que irão definir o embate da Super-terça.

Devido a natureza proporcional da alocação dos delegados “o apoio à Sanders e Biden, e talvez outros, pode se concentrar em algumas regiões que irão garanti-los alguns delegados”, destacou Hagle.

Enquanto os resultados de Texas estão saindo, com Joe Biden cantando vitória nos seus últimos tweets, a forma que o “estado dourado” conta seus votos pode fazer com que “talvez levem alguns dias para sabermos com certeza o resultado”, diz Hagle.

Segundo ele, revitalizando sua campanha, Joe Biden está aproveitando o momentum, mas como ainda haverão eleições em outros estados em que Sanders tem força, “é difícil dizer se Biden ou Sanders terão os delegados suficientes para vencerem a nomeação”.

De qualquer forma, os resultados parecem muito mais apertados do que se antecipou nos últimos dias, de acordo com o analista.

Biden vs. Sanders: o que está em jogo?

Antes com mais de duas dúzias de candidatos, incluindo mulheres e pessoas não-brancas, a disputa Democrata agora gira em torno de dois candidatos com projetos muitos diferentes para os EUA.

Enquanto Biden, resgatando sua longa trajetória nos bastidores de Washington, promete trazer de volta a “decência” após o mandato de Trump, o auto-intitulado socialista democrático Bernie Sanders propõe mudanças marcantes, com uma reforma tributária multi-trilionária para cobrir diversas áreas – de saúde à educação.

Os apoiadores de Sanders costumam enfatizar que as posições dos outros candidatos são moderadas demais para oferecer grandes mudanças. Por mais que seja senador por Vermont, que votou quase que unanimemente nele, Sanders irá aproveitar o apelo de um candidato “outsider”, diz Chris Cooper, professor e chefe do Departamente de Ciências Políticas e Relações Públicas pela Western Carolina University.

De acordo com Barry Eidlin, professor assistente de Sociologia na McGill University, a grande popularidade de Bernie Sanders entre os liberais resume-se não apenas pela “incapacidade do mainstream do Partido Democrata de responder pelos problemas da classe trabalhadora estadunidense, exemplificada pela campanha de Clinton em 2016”, mas também pela forma que ele vê a justiça social:

“Diferentemente dos Democratas mainstream, Sanders demonstra uma visão convincente de justiça social e econômica, sustentada por décadas de compromisso pela causa”, comentou Eidlin, dizendo que ele não apenas faz o diagnóstico dos problemas, como “o poder concentrado nas mãos de um pequeno grupo de bilionários” e um “sistema injusto”, mas também aponta para formas positivas de resolvê-los- “um movimento amplo da classe trabalhadora multi-étnica se organizando para lutar”.

A posição inspiradora e sincera trás multidões de voluntários leais, segundo o acadêmico:

“Seus apoiadores estão totalmente comprometidos e com energia, o que reflete em seu exército de voluntários e uma arrecadação de fundos nunca antes vista”.

“Esses eleitores entendem que com Sanders, o que você vê é o que você terá”, apontou Eidlin ponderando o motivo de Sanders ter emergido como um dos inegáveis favoritos na batalha Democrata para disputar com Donald Trump em novembro.

Até agora Joe Biden ganhou 9 dos 14 estados que realizaram votações na terça (03/03/2020), tomando o grande estado do Texas de seu principal oponente, Bernie Sanders. No entanto, o maior em termos de delegados, a Califórnia, apurou cerca de 70% dos votos, que são basicamente todos em favor de Bernie.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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