Oriente Próximo

Israel libera a construção de 1800 casas na Cisjordânia à beira das eleições

Via PressTV, tradução por Eduardo Pessine

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (esquerda) e embaixador estadunidense em Israel David Friedman (centro), e o Ministro do Turismo israelense Yariv Levin (direita) durante reunião sobre o mapeamento da soberania de Israel sobre áreas da Cisjordânia, no assentamento Ariel, 24 de fevereiro de 2020. Foto por David Azagury/US Embassy Jerusalem.
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (esquerda) e embaixador estadunidense em Israel David Friedman (centro), e o Ministro do Turismo israelense Yariv Levin (direita) durante reunião sobre o mapeamento da soberania de Israel sobre áreas da Cisjordânia, no assentamento Ariel, 24 de fevereiro de 2020. Foto por David Azagury/US Embassy Jerusalem.

Israel libera a construção de cerca de 1800 casas nas regiões ilegalmente ocupadas na Cisjordânia, uma medida claramente voltada para garantir votos para o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, envolvido em escândalos de corrupção.

O Conselho Superior de Planejamento da – suposta – Administração Civil de Israel divulgou a aprovação nessa quinta-feira (27/02/2020), autoria do Ministro da Defesa, Naftali Bennett, segundo o The Jerusalem Post.

Ele prometeu que “não dará um centímetro de terra” aos palestinos, dizendo que “nós já aprovamos diversas construções nos assentamentos e continuaremos a aprovar no futuro”.

A sessão dessa quinta-feira ocorreu há menos de dois meses da última reunião, “marcando um aumento na frequência dos encontros do conselho”, publicou o Times of Israel. Citando Shabtay Bendet, do observatório Peace Now, afirmam que Netanyahu parece tentar angariar votos às vésperas das eleições parlamentares previstas para segunda-feira (02/03/2020). As eleições – a terceira em menos de um ano – irão decidir se o primeiro-ministro, envolvido em escândalos de corrupção, irá seguir para um quinto mandato.

Cerca de 620 casas serão construídas na região central da Cisjordânia, no assentamento Eli, no qual a Suprema Corte de Israel negou diversas petições por parte dos palestinos. A corte, dessa vez, tomou oficialmente o lado dos israelenses.

Na terça-feira (25/02/2020), Netanyahu também anunciou o plano de construir 3500 casas na área de contenção E1 localizada entre Jerusalém oriental, na Cisjordânia, e o assentamento Ma’ale Adumim que efetivamente reparte ao meio o território palestino ocupado. Tel Aviv havia parado de avançar as construções na região em meio ao forte repúdio internacional.

Netanyahu anunciou na última semana que removeu as restrições para construções na polêmica região de Givat Hamatos em Jerusalém oriental, reinvindicada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado. O primeiro-ministro afirmou que 3000 casas serão construídas na região.

As decisões sobre as atividades em E1 e Givat Hamatos gerou críticas até mesmo dentre os aliados de Israel na Europa, com embaixadores da Alemanha, França, Espanha, Itália, Suécia, Irlanda, Holanda e Reino Unido comunicando suas desaprovações.

A embaixadora alemã Susanne Wasum-Rainer escreveu em um tweet que ela e outros do corpo diplomático demonstram “grande preocupação em relação às declarações das autoridades de Israel sobre as construções na Cisjordânia e Jerusalém oriental”.

Israel intensificou suas violações dos direitos dos palestinos a partir de 2016, com a eleição de Donald Trump, que como nunca, aumentou o apoio de Washington ao regime.

Trump reconheceu Jerusalém oriental como a “capital” de Israel, movendo a embaixada estadunidense de Tel Aviv para a cidade ocupada,  além de anunciar um plano que permite ao regime anexar as terras construídas nos assentamentos ilegais.

Mais de 600 mil israelitas vivem em cerca de 230 assentamentos construídos desde a ocupação da Cisjordânia por Israel em 1967. Todos eles são considerados ilegais pelo direito internacional.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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