África

Moçambique em luto: a morte do líder revolucionário Marcelino dos Santos

Marcelino, que faleceu com 90 anos, foi uma grande figura política de Moçambique e um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique, que ainda governa o país. O militante dedicou sua vida pela libertação dos países colonizados.

Via teleSUR, tradução por Eduardo Pessine

Marcelino dos Santos, vice-presidente da FRELIMO, no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, Holanda, no dia 29 de abril de 1975. Via Arquivo Nacional Holandês.
Marcelino dos Santos, vice-presidente da FRELIMO, no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, Holanda, no dia 29 de abril de 1975. Via Arquivo Nacional Holandês.

Marcelino dos Santos dedicou sua vida na luta pela libertação dos países colonizados.

O sétimo dia de luto pela morte de Marcelino dos Santos, no dia 11 de fevereiro (2020), o líder nacional da luta anti-colonial, acabou ontem (terça-feira, 18/02/2020).

Marcelino, que faleceu com 90 anos, foi uma grande figura política de Moçambique e um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), que ainda governa o país. O militante dedicou sua vida pela libertação dos países colonizados.

“Perdemos nosso camarada Marcelino dos Santos”, declarou o presidente Filipe Nyusi, ao confirmar a morte do revolucionário.

Nascido em 1929 na província de Nampula, ao norte do país, Marcelino se envolveu desde muito jovem na política. Estudou em Lisboa de 1948 a 1951, mas, monitorado pela polícia política de Salazar, fugiu para a França onde se reuniu com diversos outros nacionalistas africanos exilados.

Juntamente com o angolano Mário Pinto de Andrade e Amílcar Cabral, líder da luta por libertação em Guiné-Bissau, criou a Conferência de Organizações Nacionalistas das Colônias Portuguesas (CONCP) em 1961, onde serviu como Secretário-Geral.

Quando os primeiros movimentos nacionalistas de Moçambique se formavam, Marcelino dos Santos se tornou líder do departamento de relações internacionais da União Nacional Democrática de Moçambique (UDENAMO). Em 1962, a UDENAMO se uniu com outros dois movimentos para formar a FRELIMO, sob a liderança de Eduardo Mondlane. Marcelino escreveu os primeiros estatutos da recém-formada coalizão socialista.

Após o assassinato de Mondlane pelo regime português, Samora Machel foi eleito presidente da FRELIMO em 1971, juntamente com Marcelino dos Santos como vice.

Após a independência de Moçambique em 1975, Marcelino se torna Ministro de Planejamento e Desenvolvimento no primeiro governo de de Samora Machel. Ocupou também outro cargos de estado e do partido, mas o seu papel mais importante foi de presidente da Assembléia Popular de 1986 a 1994.

Liderou o parlamento mais progressista da história do país, eliminando o sistema de partido-único, aprovando uma constituição que incluiu garantias e liberdades de associação, expressão e de imprensa, além de outras mudanças.

Além disso, o líder revolucionário também era poeta. Escreveu sob os pseudônimos Kulangano e Lilinho Micaia. Suas poesias eram publicadas no jornal moçambicano “O Brado Africano”, mas posteriormente foram reunidas em duas coletâneas editadas pela Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa. Seus escritos também foram publicados na União Soviética.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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