Internacional

Os 5 principais países se afastando do dólar e as razões para a mudança

Via RT, tradução por Eduardo Pessine

Dólar estunidense e o yuan chinês, as moedas que atualmente disputam a hegemonia mundial. Via ft.com
Dólar estunidense e o yuan chinês, as moedas que atualmente disputam a hegemonia mundial. Via ft.com

O último ano foi marcado por eventos que levaram a uma divisão na geopolítica global: aqueles países que ainda apoiam o uso do dólar como principal moeda universal, e os que estão virando as costas para o dinheiro estadunidense.

Tensões globais causadas pelas sanções econômicas e conflitos comerciais encabeçados por Washington forçaram os países alvo a criarem novas alternativas aos sistemas de pagamento atualmente dominados pelos EUA e o dólar.

A RT teceu um olhar aprofundado sobre os recentes fenômenos de “desdolarização”, sumarizando quais países tomaram medidas em direção do fim da dependência em relação à moeda norte-americana e suas razões para tal.

China

A guerra comercial entre EUA e China somada às sanções aplicadas contra os principais parceiros comerciais de Pequim forçaram a China a tomar medidas para reduzir a dependência em relação ao dólar.

Seguindo a tradição da diplomacia chinesa, o governo não fez grandes declarações sobre o assunto. No entanto, o Banco Popular da China vem diminuindo sua participação na dívida externa estadunidense, mesmo ainda sendo o maior proprietário de títulos. No entanto, a China já diminuiu sua cota para os menores níveis desde maio de 2017.

Ademais, ao invés de atacar o dólar diretamente, a China vem buscando internacionalizar sua própria moeda, o yuan, que foi incluída na cesta do FMI juntamente com o dólar, o yen japonês, o euro e a libra inglesa. Pequim tomou providências em direção ao fortalecimento do yuan, incluindo o acúmulo de reservas de ouro, mercado futuro de petróleo em yuan, e o uso da moeda para transações internacionais.

Como parte da ambiciosa iniciativa Belt and Road (ou “Nova Roda da Seda”), a China planeja introduzir facilidades de câmbio para os países participantes, para promover o yuan. Além disso, o país vem insistindo em um acordo de livre-comércio chamado de Parceria Econômica Regional Compreensiva (RCEP, em inglês), que irá incluir os países do Sudeste Asiático. O acordo pode facilmente substituir o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, em inglês), que foi desmontado por Donald Trump no início de seu mandato. O RCEP inclui 16 países signatários e tem o potencial de atingir um mercado consumidor de 3.4 bilhões de pessoas, com uma economia combinada de $49.5 trilhões, cerca de 40% do PIB mundial.

Índia

Classificada como a sexta maior economia do mundo, a Índia é um dos maiores importadores de mercadorias. Não é surpreendente que o país está sendo diretamente afetado pela maioria dos conflitos geopolíticos globais e pelas sanções aplicadas contra seus parceiros comerciais por Washington.

No início do ano (2020), Nova Déli aderiu a pagamentos em rublos (moeda russa) no abastecimento do sistema antiaéreo russo S-400, devido às sanções econômicas impostas à Moscou pelos EUA. O país também fez a transição para o pagamento em rupias no comércio de petróleo com o Irã, após o retorno das sanções estadunidenses contra o país. Em dezembro, a Índia e os Emirados Árabes selaram um acordo cambial para aumentar o comércio e o investimento entre os países sem a necessidade de uma terceira moeda.

Levando em conta que a Índia é a terceira maior economia em relação à paridade do poder de compra, medidas como essas podem diminuir consideravelmente o papel do dólar no comércio mundial.

Turquia

No início do ano o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou planos de acabar com o monopólio do dólar via uma nova política que busca trocas não-dolarizadas com os parceiros comerciais do país. Em seguida, o líder turco anunciou que Ancara está se preparando para conduzir o comércio através de moedas nacionais com a China, Rússia e Ucrânia. A Turquia também discute a possibilidade de substituir o dólar por moedas nacionais no comércio com o Irã.

As medidas foram tomadas por razões políticas e econômicas. A relação entre Ancara e Washington se deteriorou muito desde o golpe fracassado no país que tentou derrubar Erdogan em 2016. O presidente turco acusa o involvimento dos EUA na conspiração e de proteger Fethullah Gulen, suposto líder do movimento golpista.

A economia turca quebrou após Washington impor sanções ao país devido à prisão do pastor evangélico Andrew Brunson sob acusações de terrorismo relacionadas à tentativa de golpe.

Erdogan tem denunciado Washington por liderar uma guerra econômica global, sancionando a Turquia e tentando isolar o Irã. A decisão de comprar o sistema de mísseis russo S-400 agravou a situação, já que a Turquia é um país membro da OTAN.

Ademais, a Turquia vêm tentando abandonar o dólar para fortalecer sua moeda nacional. A lira perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar no ano passado. A queda do valor da moeda piorou devido à inflação galopante e o aumento de preços de bens e serviços.

Irã

O retorno triunfante do Irã para o comércio global durou pouco. Logo após vencer as eleições presidenciais, Donald Trump optou por sair do acordo nuclear de 2015 assinado entre Teerã e diversas nações incluindo o Reino Unido, EUA, França, Alemanha, Rússia, China e a União Européia.

O país petroleiro voltou a ser alvo de sanções severas por parte de Washington, que também ameaçou aplicar penas contra os países que violassem o embargo. As medidas punitivas baniram diversos investimentos do Irã e abalou a indústria petroleira do país.

As sanções forçaram Teerã a buscar por alternativas ao dólar para o pagamento de suas exportações de petróleo. O Irã fechou um acordo para o comércio de petróleo com a Índia utilizando a rupia. Também negocia acordos com o vizinho Iraque, planejando o uso do dinar iraquiano para transações mútuas para reduzir a dependência do dólar em meio à problemas bancários devido às sanções estadunidenses.

Rússia

O presidente Vladimir Putin afirmou que os EUA vem “cometendo um grande erro estratégico” ao “minar a confiança no dólar”. Putin nunca apelou para a restrição do comércio em dólar ou o banimento do uso da moeda estunidense. No entanto, o Ministro das Finanças russo Anton Siluanov afirmou no início do ano (2020) que o país teve que abandonar seus investimentos no dólar em favor de ativos mais seguros, como a rubia, o euro e metais preciosos.

O país já tomou medidas em direção a desdolarização da economia, devido às cada vez maiores sanções impostas desde 2014 devido a diversas questões. A Rússia desenvolveu um sistema de pagamentos nacional como alternativa ao SWIFT, Visa e Mastercard, após os EUA ameaçarem sanções ainda maiores que iriam mirar no sistema financeiro do país.

Por enquanto, Moscou tem conseguido parcialmente a mundança do dólar em suas exportações, assinando acordos de câmbio com diversos países incluindo a China, Índia e Irã. A Rússia propôs recentemente o uso do euro ao invés do dólar no comércio com a União Européia.

No passado entre os dez maiores credores da dívida estadunidense, a Rússia já quase zerou seus investimentos no tesouro americano. Moscou vem usando esse dinheiro para aumentar suas reservas de ouro para estabilizar o rublo, sua moeda nacional.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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