América Latina

Estupros e tráfico de imigrantes com o aumento da repressão nas fronteiras dos EUA e México

Na cidade de Nuevo Laredo, no México – separada dos EUA pelo Rio Grande – cerca de 80% dos imigrantes que receberam atendimento dos Médicos Sem Fronteiras nos primeiros nove meses de 2019 disseram que foram vítimas de violência, incluindo sequestros.

Via PressTV, tradução por Eduardo Pessine

Maria Meza, 40 anos, imigrante de Honduras, parte de uma caravana que busca a entrada para os Estados Unidos, foge do gás lacrimogêneo com suas filhas gêmeas, Saira Mejia Meza (esquerda) e Cheili Mejia Meza (direita) em frente ao muro da fronteira com o México, em Tijuana, no dia 25 de novembro de 2018. Foto de Kim Kyung Hoon.
Maria Meza, 40 anos, imigrante de Honduras, parte de uma caravana que busca a entrada para os Estados Unidos, foge do gás lacrimogêneo com suas filhas gêmeas, Saira Mejia Meza (esquerda) e Cheili Mejia Meza (direita) em frente ao muro da fronteira com o México, em Tijuana, no dia 25 de novembro de 2018. Foto de Kim Kyung Hoon.

Imigrantes da América Central estão sendo sequestrados e estuprados no México ao tentarem atravessar a fronteira em direção aos EUA em meio a repressão à imigração ilegal segundo os Médicos Sem Fronteiras (MSF), na terça-feira (11/02).

Na cidade de Nuevo Laredo, no México – separada dos EUA pelo Rio Grande – cerca de 80% dos imigrantes que receberam atendimento dos MSF nos primeiros nove meses de 2019 disseram que foram vítimas de violência, incluindo sequestros.

“Eles são tratados como se não fossem gente”, relatou Sergio Martin, coordenador mexicano dos MSF, à Thomson Reuters Foundation. “Eles sofrem violência… e o que encontram em seu caminho é ainda mais violência.”

Sob pressão de aumento de tarifas sobre suas exportações, o México elevou os esforços para conter os imigrantes da América Central, muitos deles fugindo da criminalidade e da pobreza, de alcançarem a fronteira com os EUA. A Guarda Nacional foi convocada para conter a imigração para o norte, o que causou o aumento das prisões e deportações. O presidente Lopez Obrador afirmou que quer aplicar as leis de imigração mas também respeitar os direitos humanos dos imigrantes.

Os EUA mandaram cerca de 57 mil imigrantes não-mexicanos para o México enquanto aguardam suas audiências de asilo, além de terem restringido ainda mais seus critérios de asilo e limitado o números de pedidos recebidos por dia em cada posto de entrada.

O porta-voz do Departamento de Segurança Nacional dos EUA afirmou que o programa para manter aqueles que buscam asilo no México, o Migrant Protection Protocol (MPP), foi apoiado por ambos os governos e deu a cabo o devido processo a todos os 57 mil imigrantes.

“O MPP é uma da mais importantes e efetivas ferramentas que implementamos para lidar com a crise nas fronteiras e vamos continuar a expandir e fortalecê-lo”, afirmou o porta-voz.

Em setembro, 18 dos 41 pacientes de Nuevo Laredo que foram enviados de volta para o México para aguardar o processo de asilo declararam aos MSF que haviam sido sequestrados.

“Acreditamos que como resultado direto dessas medidas muita gente está sofrendo mais violência”, afirmou Martin. “É mais fácil para eles caírem em redes de tráfico de pessoas ou de extorção, e ninguém está ligando pra isso”.

Os MSF relataram que 78% dos cerca de 3700 pacientes no México que buscaram tratamento psicológico em 2018 e 2019 demonstraram sinais de exposição à violência, incluindo agressões, violência sexual e tortura. Alguns afirmaram que foram sequestrados no México por longos períodos para trabalho forçado, exploração sexual ou para trabalharem para o crime organizado.

Cerca de 1 a cada 4 mulheres imigrantes relataram aos MSF que sofreram violência sexual em seus trajetos.

Os dados dos MSF foram baseados em mais de 26000 consultas médicas com imigrantes em 2018 e 2019, testemunhos e uma pesquisa.

As visões expressas neste artigo pertencem ao(s) autor(es) e não necessariamente refletem a linha editorial do portal Nova Margem.

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